Design: “Alquimia” dos 90 é destaque no Itaú

Mostra exibe objetos criados a partir de materiais industrializados que ganham outra concepção

Divulgação

Obra de Tarsila do Amaral em lata de leite, na “Paratodos”

MARA GAMA
Gerente-geral de Criação do UOL

Se fossem colocados numa cápsula do tempo, os objetos que compõem o módulo “Novos Alquimistas”, que integra a exposição “Cotidiano/Arte: O Consumo”, no Itaú Cultural, dariam a idéia de uma civilização industrial mais criativa e menos predatória aos que a abrissem no futuro.

Gostando ou não das formas finais, não há como não se entusiasmar com os móveis, luminárias, roupas, tecidos, jóias, pratos e cortinas criados a partir de materiais industrializados já expelidos do “ciclo de consumo” a que pertenciam ou retirados da função projetual e usados como material em novos produtos.

A “alquimia moderna” tritura, reprocessa, compacta ou desloca. É assim que chegam à galeria um móvel feito de lata de tinta e chapas de pacote de leite longa vida (Sandro Verdini e Júlio Sannazzaro) e mantas tecidas artesanalmente a partir de fios do reprocessamento de garrafas plásticas (Daniela Moreau), além da mesa com ralos de esgoto, contribuição dos Campana à mostra curada por Adélia Borges.

Além desses, há a mistura de tecidos aos galhos, pedras e brocados com resultados diferentes nas obras de Renato Imbroisi, Tereza Xavier e Lino Villaventura; garrafas, pratos e coadores transformados em luminárias por Júlio Sannazzaro e por Maurício Castro, Eduardo Alves Jorge e Imanol Ossa; e ainda os papéis enrolados em canutilhos ou recortados por Nido Campolongo, os vidros coloridos triturados por Edu e Beth Prado e as luminárias surpreendentes de Valter Bahcivanji.

Latas de leite em pó, copos de requeijão estão ao lado dos painéis de azulejos da arquitetura moderna brasileira no módulo “Paratodos”. Com objetos desde os anos 30 até hoje e suportes variados, o módulo traz para a galeria a arte aplicada de mais de 30 artistas brasileiros.

Mostra: Cotidiano/Arte
Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel 0/xx/11/238-1832)
Quando: abertura hoje, às 20h, para convidados; até 2 de fevereiro de 2000
Quanto: entrada franca

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