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“Façamos”, a história de um clipe meio brutalista

Fiz o roteiro, produzi e dirigi o clipe da música “Façamos” em 2000, para o UOL.

A música é tradução de “Let´s Do It” (Let´s Fall in Love), criada em 1928 pelo artista americano Cole Porter (1861-1964) para o primeiro musical de sucesso dele na Broadway, chamado “Paris”.

As ilustrações do clipe são de Angeli, a digitalização e a vetorização das imagens foi feita pelo artista plástico e ilustrador Zed Nesti e a montagem quadro-a-quadro foi feita pela montadora de cinema Geórgia Costa Araújo.

A idéia de unir desenhos de Angeli e a música de Cole Porter (traduzida por Carlos Rennó e gravada por Chico Buarque e Elza Soares) foi da jornalista Márion Strecker, que era a diretora de conteúdo do UOL. Márion me incumbiu de conectar os profissionais e realizar o clipe. Eu desempenhava a função de gerente geral de Criação do UOL.

Nesse cargo, eu coordenava a criação dos novos sites e páginas, entre eles os sites de artistas, as novas estações e os especiais sazonais, organizando equipes de trabalho, planejando navegação, organização do conteúdo, artes, textos, áudios e vídeos, e também era a responsável pela TV UOL e pela Rádio UOL.

Mas voltando ao “Façamos”. Eu nunca tinha feito um clipe antes. Tinha a experiência dos meus três anos passados na MTV como repórter e produtora, na área de jornalismo, e a experiência de cinco anos na “internetização” de conteúdos para a TV UOL, além da participação na criação de algumas Net Novelas do UOL.

Fizemos algumas reuniões para ouvir e conhecer bem a música de Cole Porter e pensar sobre o mote do clipe. A letra de “Façamos” vai narrando situações de transa entre bichos. Pegamos bem ao pé da letra, ou seja, alguns desses bichos tinham que aparecer, mas chegamos à conclusão de que era necessário amarrar todos as cenas destes bichos amantes num ambiente para criar uma espécie de enredo.

Angeli tinha vontade de fazer alguma coisa com um tatuador já havia algum tempo. Eu me lembrei de um livro que adoro, que é  “O Homem Ilustrado”, escrito em 1951 pelo escritor americano Ray Bradbury. Angeli gostou da referência. Decidimos então que um homem seria tatuado e as suas tatuagens ganhariam vida, contando toda a história da música.

Outra decisão foi que o vídeo teria de ter uma animação seca, baseada em desenhos estáticos. Não haveria fusões ou outros efeitos que “amolecessem” as passagens ou iludissem as transições dos desenhos do Angeli. Queríamos um desenho de animação sem movimentos. Uma coisa mais rude, e por isso chamo o clipe de “brutalista”. Ele tinha intenção de manter o caráter estático da tatuagem e do desenho, apesar de ser uma animação. Queríamos fazer uma tradução literal da letra propositadamente, porque as cenas que a música relata em si já são muito bacanas.

Por causa desta decisão sobre a narrativa e a condução da história, chamamos o Zed, ilustrador e artista que já era chapa do Angeli, morava no mesmo prédio dele, o Bretagne, (do Artacho Jurado – 1907-1983),  para digitalizar os desenhos e vetorizá-los. Vetorizar significa transformar um desenho num mapa de coordenadas que permite ampliações e modificações para criação de animações e 3D, por exemplo.

Depois desta vetorização, os desenhos eram passados para a Geórgia Costa Araújo, montadora de cinema, que “animava” o clipe.

Partindo do mote e das decisões sobre o estilo do vídeo, eu ia decupando a letra de “Façamos”, transformando as frases em cenas de amor entre bichos. Era muito divertido. Angeli recebia os roteiros, topava algumas propostas, descartava outras, criava outras ainda e inventava as cenas maiores.

Nas reuniões que fazíamos para ver os trechos já animados, avaliávamos o resultado e decidíamos quais eram as cenas de passagem ou desenhos de detalhes necessários para o encadeamento. Fizemos reuniões no UOL, no estúdio do Angeli, na casa da Geórgia.  Não me lembro exatamente quantos meses o trabalho durou, mas ficou pronto a tempo de ser exibido na primeira festa do UOL de ocupação do prédio-sede na Faria Lima, em 2000.

 

02/01/2000 – ‘Bugos’ saem da página inicial do UOL

Da Redação
Em São Paulo

Os Bugos do Milênio, uma brincadeira do UOL para comemorar a chegada do ano 2000, saíram da página inicial do Universo Online.

Os Bugos do UOL são desenhos de seres imaginários, criados pela gerente geral de Criação, Mara Gama, pelo designer gráfico Rogério Doki e pelo editor de Criação, Antonio Farinaci. Na primeira página do UOL, ao passar o cursor por cima do desenho, o público via o cartão de Feliz Ano Novo do UOL.

Os bichinhos começaram a aparecer nas páginas iniciais de alguns canais do UOL em meados de dezembro. Na manhã do dia 31, estrearam na página principal do Universo Online.

Apesar de ter o intuito de divertir, os Bugos fizeram parte do público acreditar que seus computadores estivessem com problemas. Cerca de 10% dos telefonemas recebidos pela Central de Atendimento ao Assinante do UOL na manhã de sexta-feira (31/12) foram de pessoas reclamando da novidade.

Na tarde daquele dia, o UOL alterou o movimento do Bugo de sua primeira página, tornando-o mais lento, para reforçar a intenção piadística e inofensiva da brincadeira.

Na realidade, os Bugos, pequenas imagens que se movimentam pela tela, não representam perigo. Eles foram criados como uma forma de brincar com os possíveis efeitos do Bug do Milênio, a falha que os computadores podem apresentar na virada do ano.

No jargão da informática, bug significa falha. Em inglês, significa inseto.

Os Bugos do UOL continuam a aparecer nas estações de Jogos, Crianças, Diversão e Arte e no Site do Milênio. A “família” completa pode ser vista no site www.uol.com.br/milenio/bugos.

 

Especial sobre Chimpanzés

http://noticias.uol.com.br/ultnot/bichos/sitesespeciais/chimpanzes/

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