MCB vai mostrar o Acervo Crespi Prado

MARA GAMA
GERENTE DE INFORMAÇÃO DO UNIVERSO ONLINE

Quadros do pintor renascentista Andrea Locatelli, de Cândido Portinari, Almeida Júnior e Di Cavalcanti e um “Torso De Mulher”, de Victor Brecheret, voltam a ser exibidos no Solar Fábio Prado em outubro deste ano.

Deve ser assinado hoje, às 15h, um acordo entre a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e o Museu da Casa Brasileira regulamentando a instalação provisória renovável e exposição do Acervo Crespi Prado no solar-sede do museu, em São Paulo.

O Acervo reúne mais de 360 peças que pertenceram à família do ex-prefeito de São Paulo (1934-1937), Fábio da Silva Prado.

Além dos 44 quadros e da escultura, o Acervo Crespi Prado é composto por cerca de 40 móveis dos séculos 17, 18 e 19, cristais, prataria e vermeil, porcelana e um diadema de ouro que pertenceu à Marquesa de Santos.

As peças estavam distribuídas entre a sede do Jockey Club de São Paulo e um depósito alugado.

A “repatriação” do acervo para a casa que foi da família é negociada desde a criação do museu, em maio de 1970.

Na época, a viúva de Prado, Renata Crespi da Silva Prado, já integrava o conselho do então Museu da Cultura Paulista e anunciava a intenção de doar ao museu os móveis que pertenceram ao solar, construído em 1945 e hoje propriedade da Fundação Padre Anchieta.

Discussões sobre os critérios da transferência do acervo e sobre a natureza do museu retardaram a doação.

A solução que foi encontrada agora é de uma exposição temporária e renovável a cada dois anos.

Restauração

A exposição será inteiramente custeada pela Fundação Crespi Prado, que continua proprietária do acervo. O projeto de ambientação é de Augusto Livio Malzoni. Até outubro, devem ser restauradas e transferidas para o museu as peças que estão nos depósitos.

As peças serão separadas por tipo e expostas no andar superior do Museu da Casa Brasileira.
“A idéia não é reproduzir o cenário do antigo Solar, mas mostrar o acervo de forma didática, ressaltando o trabalho artesanal das peças e o seu design”, diz Marlene Milan Acayaba, diretora do museu.

Segundo Marlene, os destaques são os quadros do pintor renascentista italiano Andrea Locatelli e a prataria, provavelmente uma das maiores coleções no Brasil.

Quando a exposição for aberta, em outubro, o Museu da Casa Brasileira estará preparando sua mostra comemorativa com cem objetos premiados nos dez anos do Prêmio de Design. Junto com a mostra, será lançado um livro com fotos e textos explicativos de cada uma das peças premiadas.

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Coleção é eclética

MARA GAMA
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Além do valor individual das peças -destacando as telas de Andrea Locatelli e o faqueiro francês de vermeil (prata folheada de ouro) que pertenceu à Marquesa de Santos-, o Acervo Crespi Prado se caracteriza pelo ecletismo.

Mistura escultura, pintura e elementos tradicionais do mobiliário europeu, principalmente italianos, e objetos de entalhe brasileiro.

“A coleção é abrangente e mostra uma concepção bastante avançada para os anos 50, época em que foi montada”, diz Marlene.

Com sua integração, o Museu da Casa Brasileira de São Paulo passa a ter a terceira coleção mais importante do país em acervos de origem familiar.

Perde para a coleção carioca Castro Maia, que se destaca pela arte colonial, e para o museu baiano Costa Pinto, especializado em prata. (MG)