Com catadores remunerados, SP quer universalizar a seletiva neste semestre

Os catadores de material reciclável vão participar formalmente, com remuneração e de maneira mais intensa nos serviços de limpeza pública em São Paulo.

Através de novos acordos firmados com a Prefeitura, eles serão responsáveis por parte da coleta seletiva de porta a porta,num processo em três etapas, que terá início em 22 de fevereiro e deve estar concluído até 18 de abril.

A partir desta data, segundo o cronograma divulgado pela Prefeitura, a seletiva de recicláveis estará iniciada em todos os bairros. Estão previstos períodos de divulgação de cinco dias para cada grupo de bairros incluídos, na semana que antecede o começo da operação.

Atualmente há cerca de mil catadores cooperados em convênios com a Prefeitura e São Paulo recicla cerca de 2,5% do que é recolhido na coleta domiciliar. Esses materiais são processados por duas centrais mecanizadas e por 21 cooperativas. A coleta seletiva chega a 85 dos 96 distritos da cidade, sendo que em 46 deles todas as ruas são atingidas, em 39 deles o serviço não é extensivo a todas as ruas e em 11 distritos não há seletiva.

http://folha.com/no1734740

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O poder letal e a nova economia do plástico

Os peixes estão perdendo lugar para os restos de plástico que se acumulam no mar. Se nenhuma medida for tomada, em 2050 os antigos donos da casa serão minoria.

A perspectiva sombria se baseia na seguinte conta: atualmente, cerca de 8 milhões de toneladas de plástico são despejadas nos oceanos por ano, o equivalente a um caminhão de plásticos por minuto.
Mantendo o mesmo ritmo de descarte inadequado, seriam dois caminhões por minuto em 2030 e, em 2050, quatro caminhões por minuto, o que faria com que o peso total do plástico acumulado nas águas superasse o peso total dos peixes.

Esse é o cenário desenhado por um amplo estudo divulgado na última terça-feira (19) pela Fundação Ellen MacArthur, em parceira com a consultoria McKinsey, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Mas o relatório “A Nova Economia do Plástico”, como o nome já indica, não faz esse alerta para atacar o uso ou buscar alternativas que excluam o plástico. Pelo contrário, o estudo condena a deposição desastrosa no meio ambiente, reconhece o papel fundamental da indústria para eliminar o desperdício do material nos oceanos e tenta responder ao desafio de criar uma nova era virtuosa, em que o plástico não se torne jamais lixo. Para isso, serão necessárias mudanças nas maneiras de produzir, vender, consumir, desenhar e principalmente reaproveitar os plásticos.

http://folha.com/no1732302

Novo Pritzker diz que sustentabilidade é bom senso e defende design participativo

A sustentabilidade nada mais é que o rigoroso respeito ao bom senso. É assim que o arquiteto chileno Alejandro Aravena se refere ao tema em suas aulas, apresentações e entrevistas.

Na habitação social popular, esse bom senso resulta do uso eficiente do terreno, levando em conta as restrições de dinheiro e tempo, de forma a usar a carência de recursos e as precariedades dadas como filtros contra o supérfluo, aproveitar recursos locais, e não inovar se as soluções à mão ainda fizerem sentido.

Aravena, 48, foi nomeado na última quarta (13) com vencedor do prêmio Pritzker, o mais alto título da arquitetura. Ex-professor da escola de design de Harvard e membro do Conselho do Programa Cidades do London School of Economics desde 2011, ele é também o curador deste ano da Bienal de Arquitetura de Veneza, o mais importante encontro e fórum de debates internacional sobre arquitetura, que acontece de maio a novembro na cidade italiana.

Na atribuição do prêmio, Tom Pritzker disse que o trabalho de Aravena “dá oportunidade econômica aos mais necessitados, atenua os efeitos dos desastres naturais, reduz o consumo de energia, e fornece espaço público acolhedor (), mostrando que a boa arquitetura pode melhorar a vida das pessoas.”

Seu projeto mais sustentável do ponto de vista energético e que exemplifica esse bom senso é de 2013, um Centro de Inovação, em Santiago do Chile. O objetivo era conseguir um ambiente adequado para a geração de conhecimento.

http://folha.com/no1729801

Lixo: Gestão correta de resíduos pode reduzir 20% das emissões de gases do efeito estufa

As áreas urbanas do planeta podem gerar de 7 a 10 bilhões de toneladas de resíduos por ano em domicílios, comércios, indústria e na construção civil. Com o crescimento das populações em países em desenvolvimento, o avanço da urbanização e aumento da capacidade de consumo, estima-se que o volume atual de resíduos gerados pelas cidades asiáticas e africanas dobre até 2030.

O tratamento inadequado desses resíduos é uma das mais graves questões ambientais e de saúde pública atuais. Eles são geradores de gases do efeito estufa e contribuem substancialmente para o aquecimento global.

Hoje, entre 2 e 3 bilhões de pessoas não têm acesso a coleta de resíduos no planeta e 2,5 bilhões vivem sem banheiros e sistemas de esgoto – e a situação é tão preocupante que uma nova resolução da Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2015 reconheceu o saneamento básico como um direito humano separado do direito à água potável, para sublinhar sua a importância. A falta de estruturas sanitárias favorece a transmissão de doenças infecciosas, como cólera e hepatite, entre outras.

Um estudo internacional apresentado no segundo semestre de 2015, conduzido pela área de tecnologia do programa ambiental da ONU (a UNEP) e pela Associação Internacional de Resíduos Sólidos ISWA, calcula que a correta gestão dos resíduos poderia cortar 20% das emissões de gases do efeito estufa.

Segundo a UNEP, a falta de medidas concretas de governos e sociedades para destinar corretamente resíduos multiplica por 5 a 10 vezes o custo com remediação dos problemas causados para o ambiente e a saúde das populações.

http://folha.com/no1727118