O tempo de Olafur Eliasson

Não parece fácil inserir algo significativo na paisagem de Nova York. Quem passar pela cidade até outubro poderá julgar, pois muito provavelmente verá a última obra do multiartista dinamarquês Olafur Eliasson feita para a cidade. Abaixo, imagem da cascata do pier de East River.

Eliasson inaugurou no último dia 26 de junho quatro cascatas artificiais, que bombeiam água do rio e despejam de volta, em quedas do alto de estruturas metálicas. As cataratas foram montadas em quatro pontos: na Governors Island, no ancoradouro do Brooklin e em dois piers do East River, em Manhattan. Abaixo imagem da cascata de Governors Island.

Com o calor de mais de 30 graus do verão, o apelo à visitação é “natural” como a busca de ar, sol e água. A “Time Out”, por exemplo, fez um simpático roteiro de piscinas e atrações aquáticas para acompanhar a página que traz dados e o serviço das cascatas de Eliasson. O serviço da revista inclui a lista dos melhores pontos para avistá-las, os tours que permitem boas visões das instalações e dados sobre a obra, com as comparações de praxe. Exemplos:

. As quatro cascatas bombam do rio 35 mil galões de água por minuto. As cataratas de Niagara jorram 35 milhões de galões por minuto;

. O projeto custou US$ 15 milhões. A obra “The Gates”, de Christo (no Central Park), custou US$ 21 milhões;

. A maior das cascatas tem 120 pés; a estátua da Liberdade tem 151 pés.

As instalações funcionam das 7h as 22h. As fotos que você vê aqui foram feitas da Brooklin Bridge, de onde só são visíveis três das cascatas. Acima, a vista lateral da cascata que fica no ancoradouro do Brooklin.

Eliasson acaba de encerrar a maior exposição sua nos Estados Unidos. “Take Your Time”, foi dividida em dois grandes espaços: no MoMA (13 obras) e no PS1, centro de arte contemporânea que fica em Long Island, Queens (25 obras), de abril até a segunda, dia 30 de junho.

As cascatas e as duas mostras revelam um artista dos mais prolíficos.

Aos 41, Eliasson já fez mais de 18 mostras importantes nos mais prestigiosos museus e galerias do mundo, desde 2001, e criou 66 grandes projetos.

Apesar do volume e da variedade de formatos, suportes e sistemas, uma das vertrentes mais surpreendentes de seu trabalho está na criação do que se poderia chamar de ambientes de transição sensorial. Pela mudança dos estados, sempre evoca a passagem do tempo.

Os efeitos são muito fortes, impactantes, e sensíveis principalmente em locais fechados, que funcionam como câmeras de experiência.

Assim é o caso de “Take your Time”, instalação que consiste num espelho gigante que gira lentamente no teto de uma sala, com uma rotação levemente descentrada. Os visitantes se deitam no chão para se verem no espelho do teto e vão acompanhando vagarosamente algumas distorções visuais de suas próprias imagens. Abaixo, imagem da instalação.

Também é desestabilizante a instalação “Room for one color”, que consiste num corredor com lâmpadas monocromáticas que alteram a percepção de cor dos visitantes, tornando tudo amarelado ou preto e branco.

Num caminho semelhante, mas de resultado mais cerebral, está “Beauty”, uma instalação de uma cortina de vapor de água que iluminada obliquamente proporciona trasnições de cores diferentes a cada ponto de vista. Abaixo, “Beauty’.

Em quase todas as instalações com luzes coloridas e espelhos, se tem a impressão de enxergar um espaço fluido e ver cores como reações a provocações, por contraste, justaposições, sombras, durações, temperaturas. É como se você visse as cores pela primeira vez “externamente” no mesmo tom que vê quando fecha os seus olhos.

Acima, “Space Reversal”.

Segundo curiosa categorização adotada em seu website, seriam os seguintes os seus temas: corpo, cor, dimensões, distância, ambiente, atrito, geometria, paisagem, luz, modelo, movimento, dentro/fora, realidade, som, espaço, coisas, tempo, toque, incerteza, utopia, vibrações/ondas, visão, clima. Parece bom? pouco? muito?

Anúncios

Os sistemas de Buckminster Fuller

Uma exposição no Whitney Museum, de Nova York, apresenta desde o dia 26 de junho e até 21 de setembro o gênio de Buckminster Fuller (1895-1983). Na imagem abaixo, uma geodésica cobre parte da ilha de Manhattan.

Fuller foi um dos maiores “práticos” multidisciplinares do século 20. Transitou entre arquitetura, engenharia e design. Desenvolveu princípios para uma espécie de ética da sustentabilidade, baseada em idéias da matemática e da geometria.

A enunciação dos seus pensamentos e sistemas seduz mesmo quem não se aprofunde neles, pela impressão de que há, enfim, uma amarração entre os princípios da natureza e algum manejo possível da vida moderna.

Famoso por seus projetos de domos e suas estruturas geodésicas, Fuller acreditava que o planejamento responsável de cada um individualmente e da sociedade organizada poderiam establizar a crise de energia, a falta de área cultivável no mundo, o aquecimento e os problemas ambientais que já antevia desde os anos 1950/1960.

Professor de artistas como John Cage, Merce Cunninghan e Willem de Kooning, Fuller inspirou grande parte do movimento ecológico americano e até hoje é referência de estudo para as idéias de arquitetura e projetos auto-sustentáveis. Escreveu mais de 20 livros.

Já em meados dos anos 1920, começou a abordar o problema da moradia, projetando sistemas de pré-fabricação e produção. Ativista e divulgador de suas idéias e projetos, chegou a reproduzir e distribuir duzentas cópias mimeografadas de seu manifesto 4D Time Lock, visão radical de um novo tipo de construção em série de baixo custo. O sistema 4D depois passou a se chamar Dymaxion. Dymaxion é a junção de dynamic, maximum e ion. O termo foi criado pelo publicitário Waldo Warren, depois que Warren ouviu a descrição de Fuller sobre o sistema. Fuller aplicou então o nome para o sistema todo.

Posteriormente, no fim dos anos 1940, Fuller criou a Standard of Living Package, um projeto de pré-fabricação de todo o miolo da casa -paredes, louças sanitárias, divisórias- que poderiam ser montadas, moldadas e depois empacotadas para serem transportadas em containers. Depois seriam planificadas, desdobradas e construídas por toda parte. A cobertura do sistema previa uma geodésica. Fuller morou, com a mulher, numa casa geodésica por 11 anos, de 196o a 1971.

Abaixo um vídeo com o carro criado por Fuller.

O único exemplar do carro Dymaxion, com três rodas, de 1933, que você já deve ter visto em muitas publicações e livros de história do design, está na exposição do Whitney.

Também estão modelos das geodésicas, de secções de sua estruturas, incluindo também um modelo do sistema Tensegrity, desenvolvido pelo aluno de Fuller Kenneth Snelson.

A exposição também traz maquete de um conjunto de habitação flutuante, para áreas litorâneas, de 1967; maquete da Wichita House, da Dymaxion Deployment Units (DDu), croquis, desenhos e planos para o Dymaxion Air Ocean World Map;  projeto e material de aprsentação do World Game, jogo educativo sobre a alocação de recursos globais, produzido em 1969, e uma curiosa linha do tempo, em que Fuller acompanha os eventos de sua vida em paralelo com as grandes invenções, os governos americanos, a situação da energia no planeta.

Para quem se interessa pelo personagem e o assunto,
o site da fundação 
  é um ótimo começo.

De lá vieram as fotos deste post.

Murmúrios nos muros

Desde que, em 2005, uma lei vetou as pixações em Barcelona, os grafiteiros locais se uniram em grupos para defender seus espaços de atuação e encontrar grafiteiros de outras cidades e países.

Uma das associações mais ativas da cidade é a dos “Vaqueros de Barcelona”, coletivo de 30 artistas. Criada pelo diretor de arte dinamarquês Anthon Maxus Christophersen e pelo produtor cultural catalão Marc Mascot I Boix, a trupe  “Vaqueros de Barcelona” batalha por locais para pixações autorizadas ali e em outras cidades européias, faz exposições em galerias, festas-hapennings para dividir com o público o momento das pixações e documenta as ações de seus artistas em vídeo. Abaixo, desenhos do artista plástico Renato Lins, o Dedé, baiano radicado em Barcelona, para a obra Mur Murs.

Mesmo com a celebração do grafitti em galerias e no circuito de arte – cujo exemplo mais recente é a exposição na Tate Modern, de Londres – os “Vaqueros de Barcelona” continuam atuando, segundo eles mesmos dizem, em clima de faroeste, daí o nome da associação, que já tem sua subsidiária em Lisboa: os Vaqueiros de Lisboa. .

A mais recente ação autorizada dos “Vaqueros de Barcelona” foi a pintura de um terminal de ônibus em Minorca. O nome do festival de arte de rua que celebrou a pintura do terminal é Mur Murs, que quer dizer “muros muros” e, ao mesmo tempo, “murmúrios”. Abaixo, imagens do artista Borgo, para o Mur Murs.

Aqui abaixo, vídeo do produtor “Justin Credible” sobre o Mur Murs.

Aqui abaixo, imagens de um dia de pintura dos “Vaqueros de Barcelona” no Raval, bairro de vida cultural intensa em Barcelona.

Um Norman Foster para os elefantes indianos da Dinamarca

O Zôo de Copenhagem é a instituição mais visitada da Dinamarca: recebe cerca de 1,2 milhão de visitantes por ano. Fica no parque histórico da cidade, na mesma área do Fredriksberg Palace, e acaba de ganhar uma nova atração muito bacana: uma casa nova para os elefantes indianos, desenhada pelo escritório do arquiteto britânico Norman Foster. A casa nova foi inaugurada no último dia 10 de junho, com pompa e circunstância – o que no reino da Dinamarca significa a presença dos príncipes.

A nova ala, que ocupa 10% de toda a área do zôo, reestrutura uma antiga unidade erguida em 1914.

Foi um salto na qualidade – e no estilo – de vida dos elefantes. O antigo nicho era uma estrutura que copiava um templo grego, sem espaço para os bichos se moverem ou brincarem, com piso de brita, pedra e concreto.

É o primeiro projeto da Foster + Partners, fundada em 1967, para zôos. Segundo a descrição do projeto feita pelo escritório, a nova casa dos elefantes realiza três programas: provê um ambiente estimulante para os animais, recriando a atmosfera do seu habitat natural; dá acesso facilitado para o público desfrutar da visão e da proximidade dos bichos e consegue conectar visual e estruturalmente o zôo ao parque onde ele está inserido.

O projeto, que durou quatro anos, contou com estudo sobre o comportamento dos elefantes na natureza e, talvez, algum romantismo imaginativo, como por exemplo a decisão de usar a cor terracota para as estruturas verticais que servem de isolamento entre os animais e o público, provavelmente pela similaridade com as cores da paisagem da Índia.

Na composição das áreas de “playground”, foi utilizada areia. Uma piscina de 3 metros de profundidade e 60 metros de extensão é uma das grandes atrações externas.

Como muitos projetos “para humanos” de Foster, foram erguidas duas estruturas em domos. Um deles com 45 x 23 metros e o outro com 30 x 15 metros, este menor para abrigar machos briguentos em época de hormônios ativados.

Com cobertura transparente, os domos permitem a percepção das mudanças de luminosidade. Na cobertura, foram aplicadas imagens de folhas, que simulam sombras das copas de árvores.

As áreas cobertas ficam abertas para o ir e vir dos bichos, que podem passar a noite todos juntos, caso queiram.

“Foi um prazer trabalhar no projeto. Os especialistas nos disseram que os elefantes estão mais felizes e começaram a comer melhor e brincar como nunca”, disse John Jennigns, o arquiteto da Foster + Partners que esteve à frente do projeto, para a divertida reportagem de Jonathan Glancey para o Guardian, com fotos de Lina Ahnoff. Na reportagem, Glancey faz duas listas de marcos da arquitetura de zôos: a lista dos projetos que são divertidos para os humanos e não tanto para os bichos e a lista dos projetos que são corretos para ambos.  Para quem conhece e adora zôos, é uma imperdível leitura!

Norman Foster, um dos mais prestigiosos arquitetos europeus, foi prêmio Pritzker de 1999, e seu escritório tem atuação internacional para grandes empreendimentos, estádios, instituições culturais, governos. Dois exemplos marcantes de Foster na paisagem européia são o Reichstag, em Berlim, e o City Hall, em Londres. Abaixo, duas imagens do Reichstag, em Berlim.

A novo zôo amplia para o reino animal a filosofia do escritório: “Foster + Partners has always been guided by a belief that the quality of our surroundings has a direct influence on the quality of our lives, whether that is in the workplace, at home or in the public realm.” Abaixo, foto do City Hall, de Londres.

Padrão geométrico para bancos de trens e elétricos de Londres

Em setembro, os assentos de trens e eltéricos de Londres vão receber novos tecidos, criados pela dupla de designers têxteis Harriet Wallace Jones e Emma Sewell.

O novo padrão foi mostrado neste dia 12 de junho no Museu de Transportes de Covent Garden. Também será usado na comunicação visual e em presentes da lojiha do museu.

A estampa geométrica trabalha com duas versões de apenas quatro cores, mas a justaposição de várias secções com sequências diferentes causa uma impressão de uma paleta bem mais variada.

As meninas do estúdio Wallace-Sewell são bem conhecidas pelas criações de mantas, mantôs e cachecóis no Reino Unido. Já projetaram também interiores de hotéis em Barcelona e nos Estados Unidos. Talvez você já tenha visto um original ou uma imitação passeando no pescoço de alguém ou esquentando uma caminha.

Passos que iluminam

A movimentação estrutural causada pelos passos dos 34 mil viajantes e transeuntes que circulam por hora pela Victoria Station, de Londres, pode acender 6,5 mil lâmpadas.

Estes são os cálculos divulgados pelos engenheiros britânicos que estão planejando a criação de sistemas captadores, geradores e armazenadores de energia que devem ser instalados sob os pisos de supermercados, shoppings, estações e locais de grande circulação.

Além da energia gerada pela movimentação estrutural causada pela circulação de gente, o sistema poder absorver e transformar o impacto da movimentação de trens e veículos e teoricamente pode ser usado em qualquer lugar.

A notícia foi publicada pelo “Times” dia 8 e hoje replicada por vários blogs. No “Core77“, o blogueiro William Bostwick propõe que a idéia seja amplificada para as pistas de dança, de onde vem a inspiração dos pisos iluminados pelo movimento.

Liver pensar é só pensar, imagine como as academias de ginástica poderiam absorver e usar a “tração animal” dos frequentadores. Pelo menos para moer cereais das barrinhas consumidas pelos alunos, talvez já desse para o gasto.

Perspectivas do Design

Segunda, dia 9 de junho, acontece o útlimo encontro do curso Rumos e Perspectivas do Design, com a jornalista e curadora especializada em design Adélia Borges, na Escola São Paulo. O curso começou em maio, mas é possível fazer aula avulsa.

Adélia Borges foi diretora da Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, editou a revista “Design & Interiores”, foi colunista da “Gazeta Mercantil” e curadora de mostras como “Uma História do Sentar”, no Museu Oscar Niemeyer, “Kumuro, Bancos Icolunistandígenas da Amazônia”, no Carreau du Temple, em Paris. Entre seus livros estão “Designer não é Personal Trainer” e “Sergio Rodrigues”.

A Escola São Paulo fica na rua Augusta, 2239. Mais informações no site.