Série traz desenhos de artistas brasileiros em álbum para colorir

MARA GAMA
DA REDAÇÃO

Lançamento: Série Artistas Brasileiros
Quando: sábado, dia 21, das 11h às 14h
Onde: Masp (Museu de Arte de São Paulo, av. Paulista, 1.578)
Quanto: R$ 9,00

Uma manhã de autógrafos no sábado lança no Museu de Arte de São Paulo quatro números da série Artistas Brasileiros, uma coleção de álbuns para colorir para crianças.

Produzidos pela editora Callis, os álbuns são comercializados com uma caixa de giz de cera e foram estruturados pela psicóloga e educadora Lilian Ring, dona da loja de brinquedos criativos Infantaria.

A primeira remessa de álbuns traz as obras dos artistas Ciro Cozzolino, Carmela Gross, Luiz Paulo Baravelli e Alex Cerveny.

“Na minha convivência com as crianças, percebia que elas conhecem obras de Van Gogh, Miró e alguns artistas brasileiros mais famosos, como Tarsila e Di Cavalcanti, mas não têm referência nenhuma sobre os contemporâneos”, diz Lilian, 37.

Impulso

Os álbuns têm por objetivo familiarizar as crianças com os traços da arte brasileira. “Um papel sempre em branco assusta a criança. Colorir um trabalho de um artista pode dar um impulso para que a criança crie o dela”, argumenta Lilian, em texto que apresenta a coleção.

Os álbuns são quadrados, de 30 X 30 cm, com 12 páginas, sendo 10 páginas de desenhos para colorir. O projeto gráfico é de Kiko Farkas e a coordenação editorial de Lilian.

Luiz Paulo Baravelli fez no seu álbum contornos de caras e caretas. “Eu fazia estes desenhos de ponta-cabeça para meu filho Rafael quando ele tinha uns seis ou sete anos. Ele se divertia muito e espero que você também se divirta”, escreve o artista na apresentação.

O artista plástico Ciro Cozolino propõe cenas extraterrestres, apresentadas pelo Professor Chipstein. Motivos circenses, um mapa-mundi, um edifício e um retrato de Mozart integram o álbum divertido de Alex Cerveny.

“O projeto deste livro foi se arranjando para reunir bichos, crianças e desenhos – primeiro juntei corpo com corpo, cabeça com perna, rabo com rabo, costas com barriga…”, escreve Carmela Gross, na abertura do seu livro que espelha silhuetas de animais.

Lilian já prepara novos álbuns com os artistas Renina Katz e Guto Lacaz, entre outros.

No lançamento de sábado, será colocado no Masp um painel de 32 metros, com molduras onde serão afixados desenhos já coloridos por 64 crianças.

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Artistas e críticos discutem arte pública

MARA GAMA
EDITORA-ADJUNTA DA ILUSTRADA

Evento: Seminário Arte Pública
Quando: de 17 a 19 de outubro
Onde: Sesc Paulista (av. Paulista, 119, Paraíso)
Quanto: grátis
Inscrições: pelo telefone 011/284-2111, ramais 2003 ou 2017

Durante três dias, artistas, críticos, arquitetos e historiadores se encontram em São Paulo para discutir a arte que está nas ruas, praças e espaços públicos das cidades.

Organizado pelo Sesc e pelo Usis (United States Information Service), órgão de intercâmbio cultural ligado ao governo dos EUA, o Seminário Arte Pública traz ao Brasil quatro especialistas norte-americanos para palestras.

Idealizado pela artista plástica Denise Milan, autora de várias esculturas instaladas em São Paulo e pesquisadora do tema, o seminário vai debater conceitos de arte pública na história, formas de financiamento utilizadas no Brasil e nos Estados Unidos e a interferência das obras nas grandes cidades.

O seminário será aberto na terça-feira, às 19h, pelo historiador Michael Brenson, ex-crítico do “The New York Times”, e editor das revistas “Sculpture” e “Art Journal”. Brenson fará uma palestra sobre arte pública no século 20. Será acompanhado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha.

No dia 18, às 15h, a crítica de arte norte-americana Harriet Senie e a professora Aracy Amaral falam sobre história e crítica da arte pública nos EUA e no Brasil.

As historiadoras Radhá Abramo e Maria Alice Milliet de Oliveira relatam as experiências de arte pública na praça da Sé, na Cidade Universitária, no Metrô e no MAM de São Paulo.

Às 19h, o historiador Tom Finkelpearl, diretor do programa “Percent for Art” (porcentagem para a arte), fundo que recolhe impostos sobre a construção civil da cidade de Nova York, faz palestra sobre financiamento privado nos EUA. Em seguida, fala o ex-presidente da Fundação Padre Anchieta e ex-secretário de Comunicação Social Roberto Muylaert.

No dia 19, às 15h, os arquitetos Roberto Mac Fadden e Julio Neves fazem painel sobre arquitetura. Às 16h30, a diretora-executiva do Creative Time, organização promotora de arte pública em Nova York, dá palestra sobre a instituição, seguida pelo curador do Arte-Cidade, Nelson Brissac Peixoto. Arte e ecossistema e patrimônio histórico serão temas de Marcia Lucia Guilherme e Francisco Zorzete. Encerra o seminário a palestra “Entre o Paraíso e o Inferno”, do historiador Nicolau Sevcenko.

Fingermann exibe marcas da memória na pintura

MARA GAMA
EDITORA-ADJUNTA DA ILUSTRADA

Exposição: Pinturas Recentes
Artista: Sergio Fingermann
Onde: 1º andar do Museu de Arte de São Paulo (av. Paulista, 1.578, tel.011/251-5644)
Quando: 11 de outubro a 12 de novembro
Horário: terça a domingo, das 11 às 18h; quinta das 11 às 20h
Abertura: 10 de outubro, às 19h
Preços: de US$ 8 mil a US$ 20 mil

O acúmulo do tempo é o tema central da pintura que o artista plástico Sergio Fingermann mostra a partir do dia 11 no Masp.

A exposição traz 30 acrílicos sobre tela, em grandes dimensões, da produção recente do pintor. Sua última individual foi em 1992, no Museu de Arte Moderna do Rio.

“É um corte dentro do que tenho produzido. Vou expor a metade das telas que fiz no último ano e meio”, diz Fingermann, 42.

A mostra poderia ser subdividida em grupos de telas de características próprias. Um dos traços mais fortes, presente em todas elas, é a vontade do artista de “evocar a memória do espectador” com inscrições, estruturas em grades, desenhos e manchas que parecem “carimbados” na tela pela ação da água sobre o ferro.

Fingermann trabalha, por vezes, com a tela na horizontal e uma tinta muito líquida, deixando acumular o pigmento em pontos que criam uma “escrita” no quadro.

A “ferrugem” das telas -obtida da tinta com óxido de ferro- dá idéia de que algo foi dali retirado, só ficando sua inscrição, a marca de sua passagem.

“Acho que o trabalho tem de provocar uma estranheza. Pintura tem a ver com enigma”, diz.

Na hora de selecionar o que entraria na exposição do Masp, Fingerman priorizou as grandes telas, para envolver o público. “O trabalho que estou fazendo propõe uma relação física. Fica mais didático”.

As telas de Fingermann querem mostrar ao espectador o processo de construção da pintura, com suas dúvidas e possibilidades.

“Quando começo, não sei o que vou pintar. O processo vai se estruturando e, nele, surgem caminhos diferentes. Quis incluir na exposição as três direções que a minha pintura tomou, para mostrar que não é possível ter certeza no processo criativo”, diz o artista. “A dúvida oxigena a exposição”.

Superando o que chama de “pintura narrativa”, a tentação de contar uma história no quadro, Fingermann depurou seu trabalho. Na mostra do Masp, podem ser vistos três caminhos. “Algumas telas têm uma característica mais emocional. Procuro resolvê-las de uma maneira mais romântica, como se uma pincelada, um gesto desse conta da pintura”, diz.

Um outro grupo de telas mostra uma atitude mais racional: “Tento construir um espaço. Essas telas têm normalmente uma grelha ou trama e uma mancha que se insere no espaço criando um debate”.

A ilusão de um código, pela repetição de pequenos desenhos, é a imagem sugerida pelo terceiro grupo de telas. “Essas pinturas têm uma característica mais poética, lírica, que inclui a idéia de seriação”, diz Fingermann.

Se no Masp estarão apenas as grandes telas, a série completa das pinturas de Fingermann está no livro que serve de catálogo para a exposição, com texto com versões em francês e inglês.

Uma outra sala do Masp vai exibir, simultaneamente, as sete gravuras que integram o álbum-livro “Topologia do Encontro”, que Fingermann produziu com o artista americano Bob Nugent e que são acompanhadas por uma poema de José Paulo Paes.

O projeto foi idealizado pelo artista Otávio Roth, que morreu antes que o livro estivesse pronto.

Para o livro, Fingermann e Nugent fizeram cada um uma matriz de gravura, imprimiram séries, trocaram várias vezes as matrizes e, depois, fizeram uma última tiragem, com sete imagens. As gravuras foram aquareladas posteriormente por Fingermann. O álbum será vendido por R$ 3 mil.

Galeria terá loja especial

MARA GAMA
DA REDAÇÃO

A Galeria do Papel, que será inaugurada hoje com a mostra Paper Nao, foi idealizada e criada por Nido Campolongo, designer e artesão apaixonado pelo material.

Campolongo cria embalagens para lojas, agendas, pastas, tapetes, cortinas, colchas, esculturas e até roupas de papéis reciclados.

“Queria criar um espaço para divulgar o que se faz atualmente com papel, tanto no design, com objetos utilitários, como nas artes plásticas”, diz Campolongo.

A Galeria do Papel terá uma lojinha, onde serão comercializados materiais produzidos por Campolongo e por outros artistas que tenham exposto na galeria. (MG)

Mostra traz novo papel artesanal japonês

MARA GAMA
EDITORA-ADJUNTA DA ILUSTRADA

Carpetes, lanternas e cortinas. Tudo de papel. Os objetos são alguns dos destaques da exposição que inaugura hoje uma nova galeria em São Paulo.

Criados pelo artista japonês Naoaki Sakamoto, conhecido como Nao, as cerca de 300 peças são feitas em papel artesanal, o “washi”. A exposição abre hoje a Galeria do Papel (leia texto ao lado), no Pacaembu.

Naoaki Sakamoto, 47, é um ex-designer gráfico que hoje prefere ser chamado de artesão.

A “transformação” ocorreu quando ele aprendeu a milenar técnica do papel artesanal, em 1983, no Japão.

Desde então, Nao é papeleiro. Usa criativamente a técnica dominada pelos japoneses.

Descarta qualquer ingrediente artificial na confecção do papel.

Nao mora no Japão, é proprietário da loja Paper Nao e tem um ateliê em uma fazenda, em Igata.

Na fazenda, ele pesquisa diversos materiais para elaborar o papéis com diferentes texturas, cores, espessuras e até aromas.

Sementes de aveia, folhas, seiva de nogueira, terra, grãos, fuligem, tinturas de frutas e parafina são alguns dos ingredientes utilizados pelo artista na polpa do papel.

Macerados, esses elementos ficam aparentes no produto final, conferindo a cada chapa um aspecto único.

O resultado é surpreendente. Desde as transparências mais delicadas, em painéis para paredes e janelas, até placas de massa espessa tramada com pedaços de cascas de árvore.

Durante a exposição, será exibido um vídeo que mostra o artista trabalhando nas várias etapas de produção do washi, em seu ateliê.

“Nao é um artista que une a tradição antiga do papel artesanal com uma linguagem própria e uma pesquisa criativa”, diz Mayumi Ito, responsável pela mostra Paper Nao no Brasil.

Nao transita entre a arte e o artesanato. Produz de 10 a 20 mil folhas de papel por ano.

Com algumas confecciona objetos utilitários e de outras resultam peças exclusivas, com pinturas, dobraduras, caligrafia e desenhos. O artista faz também papéis para conservação e restauração de livros.

Já fez exposições no Japão, na Austrália e na Dinamarca e comercializa seus papéis na Europa.

A exposição é a quarta etapa do projeto 1 + 1, de intercâmbio cultural entre Brasil e Japão, idealizado e realizado por Mayumi, brasileira que mora há 10 anos no Japão, e pelo artesão de tecidos Renato Imbroisi.

Mayumi, 34, já trouxe ao Brasil, em maio deste ano, a mostra de tecidos do ateliê Nuno, com 150 peças. Já levou ao Japão, para uma exposição em Tóquio, os tecidos de Imbroisi.

O projeto 1 + 1 pretende levar ao Japão, no próximo ano, bolsas artesanais brasileiras, rendas usadas em vestuário e as obras em papel de Nido Campolongo.

Mayumi espera trazer o artista Nao para uma mostra maior, ainda sem data marcada. “Ele gostaria de conhecer o artesanato indígena brasileiro e mostrar seu processo de produção para os índios”, diz.

Exposição: Paper Nao
Artista: Naoaki Sakamoto
Quando: abertura hoje; a exposição fica até 21 de outubro, de segunda a sábado, das 10h às 19h
Onde: Galeria do Papel (r. Tupi, 843, Pacaembu, tel. 011/67-0101)

Lucio Costa lança suas memórias do Brasil

MARA GAMA
EDITORA ADJUNTA DA ILUSTRADA

Livro: Lucio Costa – Registro de Uma Vivência
Organização: Maria Elisa Costa
Páginas: 608
Preço: R$ 100
Lançamento: hoje, a partir das 19h
Onde: IAB (r. Bento Freitas, 306, Centro)

Ensaios, fotografias, cartas e desenhos do mais importante arquiteto e urbanista brasileiro compõem o livro “Lucio Costa – Registro de Uma Vivência”.

O volume -preparado com a colaboração de Maria Elisa Costa, filha de Lucio- será lançado em hoje, a partir das 19h no Instituto dos Arquitetos do Brasil.

O livro traz a marca da personalidade do idealizador de Brasília: revela-se sem autopromoção, com a sem-cerimônia de quem simplesmente organiza velhos diários.

“Se tive alguma evidência, é apesar de mim e não por culpa minha”, já disse em entrevista.
O resultado, precioso, é um panorama fragmentado da história do Brasil deste século.

Costa nasceu em Toulon, na França, em 1902. Cursou a Escola de Belas Artes, no Rio, e foi seu diretor nos anos 30.

Trabalhou como chefe dos Estudos de Tombamento do Patrimônio Histórico, foi o responsável pela construção do prédio do Ministério da Educação, em 1937, do conjunto residencial Parque Guinle, nos anos 40, e do projeto de urbanização da Barra da Tijuca, no Rio, no fim dos anos 60.

Quando esteve à frente da Escola Nacional de Belas Artes, propôs o que chamou de “transformação radical” no ensino da arquitetura no país: “A divergência entre a arquitetura e a estrutura (…) tem tomado proporções simplesmente alarmantes. (..) Nos verdadeiros estilos, arquitetura e construção coincidem. E quanto mais perfeita a coincidência, mais puro o estilo. O Parthenon, Reims, Santa Sofia, tudo construção, tudo honesto, as colunas suportam, os arcos trabalham. Nada mente. Nós fazemos exatamente o contrário (…)”

O livro pode ser lido cronologicamente -tem história e é suficientemente bem escrito para manter o interesse do leitor. E está condenado a ser um dos mais importantes volumes de consulta sobre a arquitetura brasileira.

Daúde traz `acid-coco’ para público de SP

MARA GAMA
DA REDAÇÃO

Show: Daúde
Participação: Miguel Bezerra
Quando: Hoje e amanhã, às 22h30
Onde: Bourbon Street (r. dos Chanés, 127, Moema, tel. 011/542-1927)
Quanto: couvert artístico R$ 15 e consumação mínima R$ 10

A cantora Daúde deixa de lado os samplers e apresenta hoje e amanhã em São Paulo o seu primeiro CD com um show “quente e sem parafernália”.

Lançado em abril no Jazzmania, no Rio, pelo selo Natasha Records, o disco “Daúde” mostra a versatilidade da cantora e ex-atriz.

“O repertório é o resultado da minha vivência musical. Não poderia deixar de ter coco embolado porque sou baiana e nem funk porque vivo no Rio”, diz Daúde, 34.

Com esse mix, Daúde faz versões de “Marinheiro Só” e “Não Identificado” (Caetano Veloso) e “Chove Chuva” (Jorge Ben).

Outros destaques são “Veu Vavá”, de Carlinhos Brown, e as duas músicas em que a cantora faz a mistura certa de sua voz com ritmos marcados: “Vida Sertaneja”, poema de Patativa do Assaré, e “Quatro Meninas”, um “acid-coco embolado”.