Design: Masp revela o engenho de Azeredo

25 anos de trabalho do arquiteto que explora a diversidade das madeiras brasileiras ganham exposição e livro

Reprodução/Rômulo Fialdini

Gaveteiro Piriãpiriana, que usa 23 espécies de madeiras


MARA GAMA
Gerente-geral de Criação do Universo Online

Durante os próximos dois meses o Masp mostra os 25 anos do engenho de Maurício Azeredo. É a terceira individual do arquiteto, que já teve dez móveis premiados ou selecionados por concursos.

Formado em Arquitetura no Mackenzie, em São Paulo, ex-professor da Universidade de Brasília e hoje à frente de um ateliê em Pirenópolis, no interior de Goiás, Azeredo é mestre da madeira.

Mestre não só por ter desenvolvido um conjunto de técnicas de encaixe -patenteou uma junta tridimensional que dispensa o uso de parafusos e pregos, por exemplo- e processamento de pelo menos 39 espécies de madeiras brasileiras, mas também pelo modo de produção artesanal que adota.

“Para produzir as peças da exposição (60), eu não demoraria menos que seis meses”, diz Azeredo.

Apesar do caráter artesanal do trabalho -cada marceneiro monta uma peça inteira-, Azeredo não se divorciou do projeto e do desenho ao assumir a fabricação.

A junta tridimensional patenteada por ele é fruto de intensa pesquisa e proporcionou a criação de uma “família” de móveis que revelam o programa do designer: em vez de arremate, a junção dos planos e a justaposição de texturas e cores são partes integrantes e expressivas das peças. Azeredo, 50, define de maneira bem pessoal a preocupação: “Meus móveis não têm avesso e nem costas”.

A visita à exposição pode começar por um corredor que traz pedaços de madeiras usadas no ateliê de Azeredo. A seguir, móveis e objetos revelam como o artista usa a paleta de madeiras para citar móveis brasileiros. A tradicional cadeira de palhinha é homenageada na cadeira Taboa: assento e encosto têm fitas de madeira agregadas que simulam a trama da palha.
Os preços das peças de Azeredo variam de R$ 300 a R$ 25 mil.

A Masp lança ainda “Maurício Azeredo – A Construção da Identidade Brasileira no Mobiliário”, livro da curadora da mostra, a jornalista Adélia Borges, que mostra a especificidade da obra de Azeredo.

Em texto claro e fluente, o detalhado estudo traz depoimentos de Roberto Burle Marx, Miguel Pereira, Edgar Graeff e Ana Mae Barbosa. No final, uma relação de madeiras usadas por Azeredo.

Exposição: Maurício Azeredo: 25 anos de História
Abertura: hoje, às 20h
Quando: até 9 de maio
Onde: Masp (av. Paulista, 1.578, tel. 251-5644)

Reprodução/Rômulo Fialdini

Cadeira que homenageia em madeira a tradicional palhinha brasileira


Livro:
 Maurício Azeredo
Fotos: Rômulo Fialdini
Lançamento: Instituto Lina Bo e P.M. Bardi
Quanto: R$ 35 (120 págs.; 90 fotos)

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