Jacqueline Terpins expõe “sopros” de cristal colorido

do Universo Online

Designer de mobiliário e utilitários, Jacqueline Terpins resolveu se debruçar por mais tempo e dedicar atenção especial à matéria que já havia utilizado em produções em série: o cristal.

O resultado de seu novo trabalho pode ser visto na mostra “Cristal”, de peças únicas -os “sopros”- em cristal de potássio soprado e colorido, que abre hoje e fica até dia 21 de junho na galeria Valú Ória, em São Paulo.

Não se trata de uma guinada em direção ao trabalho mais artesanal, nem abandono da atividade de designer. Com formação em artes plásticas, Terpins, 42, sempre teve uma abordagem escultórica do design. “Quando faço uma peça que será reproduzida em série, monto o modelo com lâminas de chumbo e depois um técnico faz o desenho de prancheta”, explica ela.

Neste novo trabalho, Terpins explora a plasticidade do vidro: “O que se vê na produção em série é uma necessidade da indústria de domar o vidro. Mas as fôrmas são um pouco a antítese do vidro. Ele é orgânico, é um líquido que flui menos que a água, mas nunca pára de fluir”, afirma.

Jacqueline define seus “sopros” como flashes do próprio processo de produção do vidro. “São momentos que congelo.”

As cores são usadas para destacar a fluidez do material utilizado. “Encapsulei o vidro colorido dentro do translúcido para mostrar seu movimento próprio”, observa ela.

Tempo

É a primeira vez que Terpins trabalha com elementos tão fechados. Mas o tema do tempo já estava presente nas suas instalações de gelo, que começaram em 1992 com o “Alvo”, exposto no Museu de Arte Contemporânea.

Em “Roda de Gelo”, de 1993, a artista suspendia rodas de um metro de diâmetro que se derretiam por 25 horas, pingando sempre no mesmo ponto, simulando uma enorme ampulheta.

Terpins volta ao tema, agora usando cores com habilidade.

(MARA GAMA) 

Exposição: Cristal
Quem: Jacqueline Terpins
Onde: Galeria Valú Ória (al. Gabriel Monteiro da Silva, 1.403), tel. (011) 883-0173
Quando: vernissage dia 22 de maio, às 21h (até 21 de junho)

 

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Livro revela narrativa

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O livro “Cadumbra” é a trajetória de Denise Milan comentada por poemas de Haroldo de Campos. Estão documentadas desde as primeiras obras, de 1988, até a instalação “Cadumbra”, feita para o “Art in General”, em Nova York, e as obras públicas.

Embora não incorpore as peças da “Gênese”, o livro é um guia para chegar mais perto da língua e da narrativa inventadas pela artista.

A obra de Denise é trabalho de corte, arranjo e direção de cena. Pedras e cristais são chamados a testemunhar sobre uma mítica história do planeta.

Ela prefere definir seu trabalho como de “revelação” de formas naturais. Ok. Mas a graça está na maneira como manipula a informação cravada na textura e na cor das pedras para encenar alegorias e criar uma espécie de teatro épico.

(MARA GAMA)

Livro: Cadumbra
Editora: DCL
Quanto: R$ 18