Obra de Fellini ganha “livro eletrônico”

MARA GAMA
DA REDAÇÃO

O CD-ROM dedicado ao cineasta italiano Federico Fellini (1920-1993) é um livro eletrônico, como diz a própria introdução: não tem as pirotecnias habituais dos títulos em multimídia e é feito para ser consultado.

Mas, apesar do formato simples e da abundância de textos, não serve só para cinéfilos. Os trechos de filmes e trilhas sonoras -de 30 segundos cada- são os atrativos para o público não especializado.

No item textos, a mais fácil e divertida leitura é o dicionário de termos fellinianos. São trechos de entrevistas sobre os mais diversos assuntos: “Roma (…) é uma avó mediterrânea, obsessiva e severa, que deu à luz filhos céticos, mitos e história”, disse o cineasta ao jornal “La Stampa”, em 1971. Há também biografia, bibliografia e um filme a filme (com fichas técnicas, cartazes, fotos e trechos dos filmes). Outros destaques são um texto de Fellini sobre a luz no cinema e um assinado pelo diretor Martin Scorsese.

“Fellini on CD-ROM” é o primeiro dos CD-ROMs “de conteúdo” que a empresa MSD, especializada em games, importa para o Brasil. Foi produzido pela Editel (filiada à IBM) e pela Rizzoli, uma das maiores editoras italianas. É um dos títulos do consórcio internacional Emme, que congrega estúdios e editoras da Europa e EUA. A importadora deve trazer um CD-ROM sobre Michelangelo e outro sobre Van Gogh.

CD-ROM: Fellini (em inglês)
Preço: R$ 75
Importadora: MSD (em São Paulo, tel. 011/820-5160 e, no Rio, tel 021/ 533-3200).

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Cadeira promete boa postura ao usuário

MARA GAMA
DA REDAÇÃO

A cadeira “Aeron”, para escritórios, é peça moderna da “Coleção Herman Miller” que o Museu da Casa Brasileira exibe a partir de quarta-feira, dia 21. A fábrica americana Herman Miller foi criada em 1923 e produz móveis de escritório para 35 países.

Com encosto e assento feitos de uma malha permeável e arejada, a “Aeron” tem um sistema de suspensão que pretende eliminar pontos de pressão e peso nas costas e pernas do usuário.

Recorrendo a um símbolo do bom projeto, a cadeira é definida por seus produtores como um canivete suíço: ferramenta que responde a vários usos com um só design. O mesmo modelo serve para leitura, reuniões e digitação.

Até um novo conceito -Kinemat- é utilizado para explicar o programa da cadeira: manter o usuário com boa postura, pela compensação de pesos entre assento e encosto.

A “Aeron” já faz parte do acervo do Museum of Modern Art de Nova York (MoMA). É, portanto, um projeto reconhecido pela instituição mais importante na área.

A mostra tem também três cadeiras de 1958, entre elas a Executiva, criada para o prédio que abrigava a Time-Life em Nova York. A exposição foi organizada por Móveis Teperman, que têm representação da Herman Miller no Brasil. (MG)

Exposição: Coleção Herman Miller
Onde: Museu da Casa Brasileira (av. Brigadeiro Faria Lima, 774, Cidade Jardim tel. 011/210-2499)
Quando: de quarta-feira a 30 de julho
Horário: terça a sábado, 13h às 18h

Solo de Natalie Merchant decepciona

MARA GAMA
EDITORA-ADJUNTA DA ILUSTRADA

“Está tudo cinza” na música de Natalie Merchant, a ex-vocalista, letrista e líder do 10.000 Maniacs. Esse é um verso de “I May Know The Word”, música que integra o disco solo da cantora, e traduz a sensação que se tem ao ouvi-lo.

“Tigerlily”, com lançamento previsto para agosto no Brasil, vai dividir os fãs de Merchant.

Para alguns, vai confirmar o talento da cantora, a sensibilidade da autora. Para outros, que devem ser maioria, o disco vai dar saudades dos outros 9.999 maníacos, encarnados por quatro sujeitos da velha banda, com quem Merchant gravou seis álbuns.

Aguardado desde a dissolução dos 10.000 Maniacs, o disco de Merchant não tem a força do “10.000 Maniacs MTV Unplugged”, gravado no começo de 1993 nos Estados Unidos e lançado no Brasil em janeiro de 1994.

O “Unplugged” vendeu 25.400 cópias por aqui. Por causa dele, muita gente descobriu os Maniacs, que já estavam desfazendo o grupo. É uma das razões da expectativa em relação ao disco solo de Natalie Merchant.

O novo disco também não se compara ao genial “Our Time in Eden”, de 1992. São desse último os sucessos “These are The Days”, “Noah’s Dove”, “Stockton Gala Days” e “Candy Everybody Wants”, que ganharam versão acústica no seguinte.

Apontado pela “Time” como o melhor disco da banda, “Our Time in Eden” vendeu só 4.200 cópias no Brasil. Por ironia do destino, o crítico da revista norte-americana previa, em 1992, vida longa ao grupo, que considerava de difícil classificação, mas de competência notável.

Folk careta

No novo disco, Merchant optou por uma banda de acompanhamento -com baixo, guitarra e bateria- e esqueceu-se da música. Do mix entre folk e rock que era a fórmula básica para o 10.000 Maniacs, não sobrou rock nenhum e um folk meio careta demais.

Para dar mais força às suas letras, deixou de lado a melodia. Até aí, tudo bem. Como cantora, é normal que queira explorar sua voz sem “concorrência”. O problema é que como letrista Merchant não está em boa fase.

Em versos e entonação, ela está mais triste, mais séria, mais discursiva e solene. O pior exemplo é “River”, homenagem ao ator River Phoenix, morto aos 23, de overdose, quando saía de um clube em Hollywood, em 1993.

O “single” “Carnival” dá até para dançar, mas não se compara aos hits antigos. “Beloved Wife” e “Seven Years” são escritas para chorar. As únicas músicas que convidam à diversão são as baladinhas “Where I Go” e “Cowboy Romance”.

Disco: Tigerlily
Cantora: Natalie Merchant
Lançamento: Warner
Preço: R$ 25 (o CD importado, em média)