Lixo: Empresas, catadores e governo assinam acordo de embalagens

Após quatro anos de discussões, consulta pública e ajustes, foi assinado na última quarta (25) o maior acordo setorial de logística reversa do país, o que regulamenta o fluxo das embalagens pós-consumo.

Se for colocado em prática, deve triplicar o número de postos de entrega voluntária (PEVs) de recicláveis em pontos comerciais como lojas e supermercados em sua primeira fase e fará as empresas que produzem, usam e revendem embalagens investirem nas etapas de coleta, separação, tratamento e compra desses materiais.

Também são previstos investimentos em estratégias de comunicação, com campanhas de conscientização sobre a necessidade de separação adequada de resíduos domésticos e a construção de um sistema estruturado de monitoramento e rastreamento de dados sobre resíduos, a ser custeado pelas empresas.

O acordo das embalagens é peça fundamental para a regulação da reciclagem da parte seca do lixo comum, que inclui recipientes plásticos, latas de alumínio e papel. Estabelece as responsabilidades compartilhadas da indústria, comércio, prefeituras e cidadãos em relação ao fluxo de coleta e tratamento desses resíduos, com metas, cronograma e forma de avaliar o atingimento dessas metas.

http://folha.com/no1711847

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Lixo: Restos de 26 feiras livres de SP já estão virando adubo na Lapa

Começou a funcionar no bairro da Lapa, em São Paulo, o projeto piloto Feiras e Jardins Sustentáveis. Depois de uma pesquisa sobre métodos adequados de compostagem, de um mapeamento de locais de coleta de material orgânico, com estudo de rotas de transporte e horários, e a criação de uma logística de operação, foi instalado um pátio para tratar restos de 26 feiras livres da região.

Na última terça (17), houve uma inauguração oficial do projeto com técnicos e administradores ligados à prefeitura e às empresas parceiras. Visitei a unidade na semana anterior, durante um seminário sobre tratamento de resíduos orgânicos.

Diariamente, desde setembro, estão sendo recolhidos restos de frutas, legumes e verduras no final das feiras participantes. São cinco toneladas diárias, 35 toneladas por semana. Todo esse material é verificado no ato da coleta junto com os feirantes, para evitar a mistura com plásticos ou outros tipos de resíduos não adequados, como peixes e carnes, por exemplo.

http://folha.com/no1708873

Lixo: Composto recupera solo e tem uso crescente na Itália

A queda da fertilidade do solo na Europa é preocupante. No Sul do bloco, 75% da área é considerada em estágio de predesertificacão. E a solução vem dos centros urbanos. Mais exatamente do composto orgânico gerado a partir de resíduos de jardins, feiras, restaurantes, supermercados e domicílios.

A Itália vem usando esse remédio intensamente e fez uma verdadeira revolução na área. O exemplo é muito interessante, tanto do ponto de vista de uma alternativa verde para diminuir o uso dos fertilizantes minerais quanto do tratamento adequado de resíduos, para diminuir volume nos aterros, e fazer a economia circular.

No começo dos anos 1990, havia uma dezena de locais de aproveitamento de resíduos biológicos na Itália. Em apenas 20 anos, houve um salto e hoje são 240 centros de produção de composto orgânico e 42 usinas que somam produção de composto e biogás, usado para gerar eletricidade e calor.

O setor de compostagem representa 40% de todos os resíduos sólidos urbanos reciclados e tem volume de negócios anual estimado de € 390 milhões.

No total, o país coleta anualmente 5,6 milhões de toneladas de resíduos orgânicos, provenientes de comida e lixo verde (jardins, parques), sendo que 95% desse total é compostável. Os centros de tratamento e usinas produzem com esse material mais de 1,5 milhão de toneladas de composto. Para a agricultura, vão 70% desse total e os restantes 30% são destinados ao cultivo de plantas, paisagismo e parques.

http://folha.com/no1705762

Mostra exibe e debate filme essencial sobre desperdício de comida

Eles chegam de noite, de bike, e reviram os containers de lixo de um condomínio. Encontram frutas, verduras e pães em bom estado. Colocam nas mochilas e levam embora. “Faço compras só a cada duas semanas”, diz um deles.

A cena da atividade da dupla abre o filme “O Sabor do Desperdício” (“Taste the Waste”) , documentário que mostrou o perverso caminho da comida da fazenda até o prato. No percurso, mais da metade dos alimentos cultivados na Europa vai para o lixo, sendo que a maior parte deles nem chega às casas dos consumidores. A cada ano, 90 milhões de toneladas de comida são jogadas fora.

É o caso das batatas, tomates e pepinos que estão fora de padrões de cores, formatos e tamanhos analisados detalhadamente pelos produtores para atender às exigências de grandes varejistas e supermercados de comida. Não são critérios nutricionais, mas puramente estéticos, como comenta um fazendeiro alemão que dá depoimento no documentário. Os pepinos tortos, por exemplo, são descartados porque não cabem nas caixas!

O filme marcou a discussão sobre desperdício de comida na cadeia produtiva e se mantém como estrela de festivais sobre aproveitamento de resíduos e economia circular desde 2011, quando foi lançado. Não é para menos. É um documentário impactante e ainda atual.

http://folha.com/no1702926