Inscrições para prêmio IDEA/Brasil estão abertas

Estão abertas até 31 de janeiro de 2011 as inscrições para a quarta edição do prêmio IDEA/Brasil 2011, que tem 19 categorias: Acessórios Pessoais, Ambientes, Casa, Comerciais & Industriais, Comunicação, Design de Interface, Design de Serviço, Embalagens, Entretenimento, Escritório, Estratégia de Design, Estudantes, Informática, Jóias, Lazer & Recreação, Médicos & Científicos, Pesquisa, Têxtil e Transportes Automóveis. Em cada uma das categorias há três distinções: ouro, prata e bronze.

O prêmio é promovido pela Associação Objeto Brasil, pela Apex-Brasil e tem parceria com o SEBRAE, a ABDI e o CNPq. Os projetos premiados na premiação brasileira participarão de uma segunda fase final do IDEA Awards, nos Estados Unidos.

Podem concorrer estudantes, profissionais e empresas de design. Para ser aceito no concurso, o produto ou projeto tem de ter tido distribuição comercial no Brasil entre os dias 6 de fevereiro de 2009 e 6 de fevereiro de 2011. Mais informações sobre o regulamento estão no site do concurso em www.ideabrasil.com.br. As inscrições podem ser feitas também no site e são pagas.

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“Entre sem bater” conta saga da casa própria de Marcelo Rosenbaum

“Passei por muitos endereços e várias tentativas de compra, sem saber que quando fechasse o negócio toda a minha estrutura seria abalada. O primeiro sinal veio com as águas. Houve vazamentos, problemas com o aquecedor, contas astronômicas. Percebi também como eram grandes as expectativas de todos nós – cada qual à sua moda depositava ali sonhos acumulados e desejos conflitantes. A casa rejeitou nossa chegada. Era preciso pedir licença para entrar.”

Depois de pedir licença, o designer Marcelo Rosenbaum resolveu batizar o seu relato sobre a reforma da casa própria de “Entre sem bater” (240 págs., R$ 90). O livro tem lançamento hoje na galeria Ziper, em São Paulo (rua Estados Unidos, 1.494, Jardins).

“Quando me convidaram para editar um livro sobre a nossa casa, a primeira sensação foi: será? Várias vezes eu me perguntei qual o sentido desse trabalho. Conforme as reuniões foram acontecendo e o livro foi tomando forma comecei a entender. Não se tratava de uma espécie de reality show ou exibicionismo. Seria uma forma de compartilhar tudo que envolveu nosso sonho de ter uma casa. Isso poderia trazer inspiração para quem está começando a construir o próprio morar”, prossegue o designer, no texto do livro.

“Entre sem bater” registra o processo de compra e reforma da casa onde mora atualmente Rosenbaum. Traz fotos dos ambientes, mostra mobiliário, objetos, livros, soluções e acabamentos, pontuados por memórias e referências de estilo do designer.

Esotérico, Rosenbaum lança seu convite à visita, na abertura do livro: “Entre e fique à vontade. Mas não se apegue a nada. Assim como os astros e orixás em sua rota pelos céus, assim como a nossa própria passagem pela Terra, tudo está em transformação. E isso é o melhor da vida”.

Jum Nakao envolve e movimenta palavras de Darcy Ribeiro no MAM do Rio

Uma rede de pesca envolve os pilotis do prédio do Museu de Arte Moderna no Rio. Dentro dela, balões flutuam. No chão, um imenso colchão convida ao repouso e à contemplação. É a instalação que o artista e designer Jum Nakao abre hoje em homenagem às idéias do antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997).

Jum Nakao posa para foto próximo à rede montada sob os pilotís do MAM do Rio - fotos: Anna Penteado

A pedido do BlogDesign, Jum conta aqui como surgiu a idéia do trabalho, como foi feita a instalação e quais as conexões com a obra de Ribeiro.

Jum Nakao posa entre obs balões da instalação no MAM do Rio

“Em setembro recebi convite do MINC, para participar do evento Brasilidade, com uma instalação nos pilotis do MAM RJ, aterro do Flamengo, um vão aberto entre o mar e a cidade.

Em minha primeira visita ao MAM o que mais me chamou a atenção foi a circulação de vento e pessoas.

Desde o primeiro momento, pensei em incorporar estes sopros na obra: o sopro do mar e o sopro dos sonhos do observador.

Instalamos no vão do MAM uma grande cama de 10 X 20 metros.

Utilizamos colchões de diversas densidades para criar um território instável, uma alternância de estados de gravidade nos possíveis percursos dentro da obra.

Contornando este colchão, instalamos uma grande rede transparente de pesca do chão ao teto.

Dentro deste espaço tecido pelo invisível, lançamos ao sabor do vento 9 mil balões transparentes com uma palavra impressa.

Um vento, também, invisível, mas perceptível em sua força e grandeza, assim como nossa língua, a língua portuguesa, que nos envolve e estabelece uma territorialidade imaterial irrestrita e que nos amalgama como um povo.

Em torno do espaço da nossa instalação, caixas acústicas propagam diversos trechos simultaneamente de fragmentos do depoimento do Darcy em muitas vozes representativas da diversidade do nosso povo brasileiro.

Esta profusão estético-sonora desordenada de diversidades de timbres, idades e sexo amalgamadas pela unidade da língua portuguesa constituem parte do primeiro contato com a obra.

Cria-se uma sincronicidade entre audível e visível: uma grande massa sonora e de palavras flutuam e criam um território ainda indecifrado e por adentrar.

No centro da obra temos a voz do próprio Darcy Ribeiro, em seu depoimento ao documentário “O Povo Brasieiro”, de Isa Grispum. Nesta fonte, reproduz-se o depoimento de Darcy na íntegra.

A caminhada em seu sentido nos revela o sonho de Darcy e a conexão entre as 9 mil palavras escritas, flutuantes, sussuradas e faladas que constituem um sonho, O sonho de Darcy, um sonho de um brasileiro.

o convite da obra é sonhar, sonharmos juntos nesta grande cama, neste território brasileiro, afinal, um sonho sonhado sozinho é utopia, mas um sonho sonhado por muitos pode ser realidade.

Dedicamos a obra ao Darcy porque ele é o grande homenageado neste projeto Brasilidade pelo MINC.

Pessoalmente tenho grande reverência e afinidade com Darcy e seus sonhos.

Utilizamos a língua portuguesa como meio, pois a língua define territorialidade no campo da imaterialidade pela importância de se afirmar através da língua bens simbólicos e constituir assim abrangência irrestrita e pertencimento no sentido de amalgamar e nos constituir parte do tecido nacional de uma forma inclusiva, por se tratar de uma práxis social, uma atividade criadora coletiva, onde nos confundimos, e nela encontramos nossa identidade.

Pretendemos através desta obra resgatar a capacidade de sonharmos na esperança de acordar sensibilidades adormecidas, percepções anestesiadas e assim resgatarmos nossa capacidade transformadora e realizadora para despertarmos uma nova realidade.

Esperamos despertar o sentimento de poder voar com asas próprias.

Voar através do real pelas Artes e com asas aprendidas, mas livres, pela Educação.

Bons ventos para nossos sonhos!”

Jum Nakao

A instalação fica montada até o dia 8. No encerramento, a rede deve ser aberta e os balões devem se dispersar com o vento.