Salão Design Movelsul 2010 classifica 105 na primeira fase

O Salão Design Movelsul 2010, que acontece em março de 2010, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, divulgou a lista de 105 classificados para a segunda fase do concurso.

Dos 793 projetos inscritos, de 20 países, 105 foram classificados.

Destes, 41 são inscrições feitas por profissionais independentes, 38 feitas por estudantes e 26 feitas pelas indústrias.

Os critérios utlizados para avaliação são adequação ao público, conceito, forma e função, grau de inovação, qualidade e segurança, nas categorias: acessórios domésticos, eletro-eletrônicos, iluminação e móveis.

Nesta edição, também serão oferecidos os prêmios Madeiras Alternativas, Mérito Social e Professor Orientador.

Cinco finalistas brasileiros na categoria Móveis vão representar o país no 2º Design Mercosul Móveis, no Uruguai.

A próxima etapa da avaliação acontece nos dias 22 e 23 de fevereiro de 2010, em Bento Gonçalves.

A lista de projetos classificados na 1ª etapa está no site.

Participo do júri desta edição com Ademir Bueno, gerente do departamento de Design da Tok&Stok, Bernardo Senna, integrante do Instituto Nacional de Tecnologia, Giulio Palmitessa, mestre pelo Politécnico de Milão e pesquisador da Escola de Design Unisinos e Roberto Galisai, pesquisador e consultor do Politécnico de Milão.

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Arquitetura de Ruy Ohtake em livro

Com textos de Agnaldo Farias, Paulo Herkenhoff, Roberto Segre, Julio Katinsky e Rodrigo Queiroz e fotos de Nelson Kon e Leonardo Finotti, “Ruy Ohtake – Arquitetura e a Cidade” tem lançamento nesta quinta, 26, em São Paulo, no shopping D&D (av. Nações Unidas 12.555), as 20h.

É o maior registro já publicado da obra do arquiteto. Com 324 páginas, o livro mostra 88 projetos de Ohtake ao longo de seus quase 50 anos de atuação na arquitetura e em projetos urbanos.

Indicado arquiteto de 2009 pela Federação de arquitetos brasileiros este ano, Ohtake formou-se pela FAU-USP em 1960. Entre seus projetos mais conhecidos em São Paulo estão o Instituto Tomie Ohtake, o Hotel Unique e o Parque Ecológico do Tietê.

Expresso Tiradentes

No texto sobre a obra do arquiteto que está publicado no volume, o crítico Paulo Herkenhoff atribui a Ohtake a síntese de dois modelos fundamentais da arquitetura brasileira:

“Ruy Ohtake, na história da arquitetura brasileira, foi quem compreendeu em sua geração a hipótese necessária de costurar os valores conceituais, por vezes quase opostos, de Oscar Niemeyer, a quem visita habitualmente desde 1958, e Vilanova Artigas, seu mestre na USP. A partir daí, Ohtake também trabalha em sua obra autoral alguns dos aspectos mais marcantes da sensibilidade específica das escolas carioca e paulista de arquitetura. Assim, sua arquitetura não dispensa as pontuais inscrições brutalistas, próprias do pensamento paulistano, tanto quanto se envolve na sensualidade da forma, da linguagem de Niemeyer. Seu pensamento político sobre as tarefas sociais do arquiteto está mais próximo da lição de ética de Artigas. A ousadia da forma o coloca mais próximo de Niemeyer.”

foto do ateliê de Tomie Othake, projeto de Ruy Ohtake - site oficial

O crítico de arte Agnaldo Farias trata do uso da cor nas várias fases da obra de Ohtake:

“(..)A cor foi se insinuando aos poucos, em empenas, caixilhos, nervuras em fachadas, portas de entradas, entre outros elementos.

A Embaixada do Brasil em Tóquio (1981) serve como um marco nesse processo: foi ali que o amarelo, aplicado sobre um volume convexo que se contrapõe ao plano côncavo que se lhe passa por cima, transformou-se em protagonista.

O comentário sobre a cor nas obras de Ruy Ohtake, contudo, não deve servir para encobrir sua associação com a forma, desde sempre alvo de suas pesquisas. Quanto a isso, assinale-se o momento decisivo em que linhas e planos curvos somaram-se aos procedimentos fundados na ortogonalidade. Dito de outro modo, a maturidade do arquiteto deu-se através da produção de espaços mais e mais suscetíveis à natureza; uma relação que começou por separações sutis, como paredes de vidros ou calçadas sinuosas, para então, pouco a pouco, no decorrer dos anos 1970, desdobrar-se em fachadas ondulantes, de que são exemplares desde a agência bancária de Goiânia, obra de 1977, até o Ohtake Cultural, de 1995, chegando a volumes cilíndricos, planos circulares e, por fim, às intrincadas formas orgânicas mais recentes.

Do mesmo modo que a aplicação das cores decorreu da crença do arquiteto no seu caráter vitalista, a especulação formal, o exercício plástico liberto do que lhe parece o padrão ortogonal um tanto rígido praticado em São Paulo nas últimas décadas, sempre foi por ele defendido como um antídoto mais poderoso e eficaz contra a experiência urbana estéril, propiciada por edifícios e espaços previsíveis; uma afirmação da arquitetura como móvel da beleza e da imaginação e, por isso mesmo, corresponsável pela promoção da dignidade dos cidadãos.”

“Ruy Ohtake – Arquitetura e a Cidade” foi editado pelo Instituto Tomie Ohtake e vai custar R$ 140,00 no lançamento e R$160,00 após o lançamento.

Embalagens da Piraquê

A jornalista Daniela Name, no blog “Pitadinhas”, escreve sobre a substituição das embalagens dos produtos Piraquê, que são de autoria da artista plástica Lygia Pape: “O Crime da Piraquê”.

“A empresa está substituindo o desenho clássico (do “Presuntinho”) por outro, chupado da embalagem do produto para exportação. O Queijinho, vulgo “Bolinha”, que traz bolinhas de biscoito no fundo vermelho – e que talvez seja a embalagem mais bonita e sedutora da Piraquê – também vai mudar.”

“Além de ser um projeto pior, mais poluído visualmente, que dispersa as informações em vez de concentrá-las, a nova embalagem da Piraquê joga fora a obra de uma grande artista brasileira e parte da nossa história visual. O que muito pouca gente sabe é que toda a identidade da Piraquê – embalagens dos biscoitos, massas, caminhão e logomarca – foi criada por Lygia Pape, uma das maiores artistas que este país já produziu. A atuação de Lygia, falecida em 2004, no ramo da comunicação visual foi tão versátil quanto no das artes plásticas. A partir de 1960, já com boa experiência como programadora visual, atuou na Piraquê.

Daniela entende do assunto. Foi curadora da exposição “Diálogo concreto – Design e construtivismo no Brasil” (que esteve em São Paulo em janeiro de 2009 e no Rio em 2008). Na mostra, ela e Felipe Scovino relacionavam os trabalhos de arte e design de artistas construtivos brasileiros nas décadas de 1950 e 1960 como Geraldo de Barros, Willys de Castro, Waldemar Cordeiro, Amilcar de Castro, Lygia Pape, Abraham Palatnik, Alexandre Wollner, Almir Mavignier, Antonio Maluf, Lygia Clark e Mary Vieira.

Segundo escreve em seu blog, Daniela entrevistou Lygia Pape em 2003. A blogueira reproduz depoimento da artista sobre as conexões entre o trabalho de arte e o design:

“Aquele era um momento em que experimentávamos muito em todas as áreas. Eu, particularmente, nunca gostei de ficar restrita a um suporte. Gostava de fazer com que eles conversassem e acabei levando a escultura para um trabalho como programadora visual. Sempre me diverti muito fazendo as embalagens para a Piraquê. Adorava ir à gráfica, me despencava para Madureira para ver como estavam as provas de impressão. O formato das embalagens, que hoje aparece em qualquer biscoito, foi uma inovação para a época. Depois outras indústrias, como a Aymoré e a Tostines, acabaram copiando a Piraquê. Os desenhos todos coerentes, que hoje foram muito deturpados, também foram uma novidade (…) Aquele vermelho aparecia para valer nas gôndolas dos supermercados. Dava para achar os produtos de longe”.

No texto do blog “Pitadinhas”, Daniela analisa que, nas embalagens da Piraquê, Lygia Pape aplicou os princípios de Gestalt. “A do Goiabinha é outra obra-prima: além de comunicar perfeitamente que se trata de um biscoito recheado, mostrado a foto com o risco da geléia de goiaba, empreende um outro princípio típico da pintura geométrica do período: o ritmo, ditado pela alternância matemática. No Goiabinha, a alternância 4X1 (quatro biscoitos recheados deitados, para um em pé) dá movimento e um ar lúdico à embalagem”.

Vale a leitura!

Sementes Suecas

Segurança, conforto, automonia, simplicidade, durabilidade e potencial lúdico são características que podem ser verificadas nos produtos da mostra “Sementes Suecas – A Suécia desenha para crianças”, que abre nesta terça, 17, as 19h30 em São Paulo.

As fotos acima o aplicador de medicamentos Genotropin, para autoaplicação, com capas coloridas para personalização, desenvolvido pela Ergonomidesign, centro de design que tem equipes multidisciplinares.

Roupas, objetos, brinquedos e equipamentos mostram a existência de um mercado rico em bom desenho e a preocupação dos designers suecos com vários aspectos da vida das crianças.

Na foto acima, um dos produtos da marca BabyBjörn, famosa pelos “cangurus” de carregar bebês

Na quarta, dia 18, haverá palestras sobre dois assuntos: a Ergonomidesign e o projeto de parques temáticos, que já foi assunto aqui no blogdesign.

“Sementes Suecas”
Visitação: 18 de novembro a 17 de janeiro, de terça a domingo, das 10h às 18h
Museu da Casa Brasileira – av. Faria Lima, 2.705 (5511 3032-3727) São Paulo

Estádios da Copa na 8 ª Bienal de Arquitetura

A 8 Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo tem um programa de seis palestras sobre projetos para os estádios brasileiros da Copa.

Veja a programação:

17/11
19h – Arena Experience (iluminação para estádios), Flávio Guimarães

18/11
17h30 – Fonte Nova/Salvador, Marc Duwe
18h30 – Beira-Rio/Porto Alegre, Hype Studio

19/11
17h00 – Mineirão/ Belo Horizonte, Gustavo Penna

24/11
18h – Arena da Baixada/Curitiba, Carlos Arcos

26/11
18h30 – Mané Garrincha/Brasília, Eduardo de Castro Mello

1º/12
18h30 – Morumbi/São Paulo, Ruy Ohtake

8ª Bienal Internacional de Arquitetura
Até 6 de dezembro
Terças a quintas, das 12h às 22h; sextas, sábados domingos e feriados, das 10h às 22h (segunda-feira fechado)
Pavilhão Ciccillo Matarazzo – Fundação Bienal – Parque do Ibirapuera, Exposição Cidades e Arenas da Copa – Brasil 2014, segundo piso
Ingresso para a Bienal – R$ 12,00

Jogo imprevisível

foto: D. Serinya

Uma mistura de campo de futebol e pista de esqui, onde a bola jamais chega onde se espera, é um dos projetos mais interessantes da reestruturação do Kroksbäck, o mais popular parque público de Malmö, Suécia, erguido na década de 1970.

foto: Mara Gama

Inaugurado em setembro passado, o Puckellball foi projetado pelo artista e designer Johan Ferner Ström. Tem 25 x 40 metros, grama artificial e iluminação noturna.

foto: Mara Gama

Segundo Ström, a idéia do campo é proporcionar o convívio ao ar livre e incentivar jovens e adultos a inventar novos tipos de jogos e romper as regras estabelecidas. “As irregularidades do campo neutralizam as diferenças. Nada garante que um bom jogador de futebol se torne um fera no Puckellball. Há chances para todos”.

foto: Mara Gama

No dia 18, a partir das 19h30, as arquitetas paisagistas Karin Sjölin e Caroline Larsson farão uma palestra sobre o programa de criação de parques de Malmö, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo.

O torso escultórico de Calatrava

O edifício “Turning Torso” do espanhol Santiago Calatrava, se impõe na paisagem de Malmö com seus nove cubos empilhados e retorcidos em 190 metros de altura. A torre tem um esqueleto externo revestido de painéis curvos de alumínio que recebem os planos de vidro. Do primeiro pavimento até o último, a torsão é de 90 graus. São 12 andares de uso comercial e o restante de uso residencial, num total de 54 pisos. É o edifício mais alto da Suécia e o segundo maior da Europa.

A torre está instalada na zona oeste do porto de Malmö, que era uma área industrial degradada, passou por ampla revitalização e se transformou numa área de residências, escola, uma marina e a cidade universitária.