MoMA exibe “Tropical Modern” dos Campana

Andres Otero/Divulgação

“Mesa Inflável”, criada em 1996, vai ser vendida na loja do MoMA por cerca de U$ 180

Exposição, que abre sexta-feira em Nova York, destaca irreverência e pesquisa dos materiais e une os designers paulistas ao alemão Ingo Maurer

MARA GAMA
Gerente-geral de criação do Universo Online

Os designers Humberto e Fernando Campana abrem na sexta-feira, 27, em Nova York, uma exposição de 14 peças de mobiliário. É a primeira mostra dedicada a um designer brasileiro no Museu de Arte Moderna de Nova York. A mostra vai até 19 de janeiro. Além de um prestígio, expor no MoMA é um passo – embora não obrigatório – para integrar a coleção do museu, que conta a história do desenhoindustrial do século 20. Com cerca de 3.000 peças, o acervoé o mais importante da área. A “Cadeira Mole”, de Sergio Rodrigues, é a única peça brasileira da coleção.

Andres Otero/Divulgação

Cadeira “Cone”, de 1997, em aço e uma folha moldada de polipropileno

Em suas criações, os Campana usam elementos industrializados -papelão, plástico em fios, folhas e bolhas, alumínio, ferro e fibras- manipulados com baixa tecnologia. Como resultado, objetos simples, mais próximos do artesanato que da engenharia.

Isso não os afasta totalmente da produção em série, mas impõe a essa produção procedimentos específicos. Na feitura de uma das cadeiras de corda idealizadas pela dupla, por exemplo, a empresa italiana Edra Mazzei teve de fazer um vídeo com os passos da montagem para orientar seus técnicos. Fernando e Humberto foram os protagonistas.
O experimentalismo e o deslocamento de materiais de seus “ambientes naturais” _eles já criaram tapetes de grama sintética_ gera surpresa e é, talvez, um dos componentes do sucesso atingido pela dupla.

Composição

A exposição que começa na sexta une os Campana ao designer, arquiteto e escultor alemão Ingo Maurer, autor da “Bulb”, luminária em formato de lâmpada que virou ícone do design pop. Maurer é famoso criador de luminárias e apaixonado por design em papel.

A mostra inicia o Projects 66, série patrocinada por Peter Norton. As 14 peças de mobiliário dos Campana foram escolhidas pela arquiteta italiana Paola Antonelli, curadora do departamento de Arquitetura e Design do MoMA e da série Projects. São cadeiras, biombos, mesas e bancos produzidos entre 1993 e 1998.

Paola Antonelli situa os Campana numa área de confluência de design, humor e poesia. Em texto que apresenta a exposição, a curadora define como exemplos de bom design contemporâneo os objetos que revelam o processo e a razão de sua feitura, que extraem humor da cultura material que os gera. Ao justificar a escolha de Ingo Maurer para compor a exposição com os Campana, em entrevistas à Folha e à Revista da Folha, em agosto passado, Paola afirmou que os trabalhos dos três designers, apesar das diferenças de contextos, procuram dar sentidos poéticos para objetos de uso cotidiano.

Andres Otero/Divulgação

Poltrona “Azul”, de corda, projetada em 1993 e fabricada hoje pela firma Edra Mazzei, italiana

“Tropical Modern”

Também na sexta-feira, 27, será lançado o livro-catálogo “Tropical Modern”, que examina os trabalhos de Fernando e Humberto com mais de 30 fotos, fichas técnicas e textos da curadora, da jornalista brasileira Maria Helena Estrada e de Mel Byars, historiador, antropólogo e jornalista especializado em design.

O título “Tropical Modern” foi cunhado por Paola e por Byars, como sinônimo de irreverência, inovação, ligados ao contexto tropical, regional, latino-americano.

“O trabalho dos Campana é tanto sobre o Brasil como também uma interpretação única do world design de hoje e o empenho de dar uma contribuição significativa, conscientes ou não, a uma identidade nacional”, escreve Byars. Byars já havia incluído três cadeiras dos Campana no livro “Fifty Chairs – Inovations in Design and Materials”, em 1996, mesmo ano em que o “Design Year Book”, editado por Phillipe Starck, incluiu cinco peças da dupla.

A carreira de Humberto, 43, e Fernando, 35, no design começou em 1984, com uma exposição de cadeiras no Masp. Nos últimos 14 anos, os Campana fizeram parte de inúmeras exposições e foram motivo de reportagens em revistas como “Abitare”, “Modo”, “Interni”, “Grazia Casa” “Panorama”, “Architektur & Wohnen”, “Architecture D’Aujourd’ Hui”.

Em 1994, entraram no circuito internacional de mostras, impulsionados também pela coletiva “Brasil Faz Design”, que divulga a produção brasileira em Milão, como mostra paralela da Feira Internacional do Móvel.

Até hoje, os Campana calculam já ter produzido cerca de 300 desenhos diferentes. Atualmente, três cadeiras estão sendo produzidas pela Edra Mazzei e uma luminária fabricada pela Luce, duas indústrias italianas. No começo do ano, tiveram exposição na fundação Arango, em Miami. A organização do Projects 66 promete para a sexta, 27, uma página, dentro do site do MoMA na Internet, com fotos e textos do catálogo da exposição em www.moma.org/exhibitions/projects66/ Para ver algumas luminárias criadas por Ingo Maurer, acesse www.haus.co.uk/Ingo%20Maurer/IngoMaurerMain.html

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