ImaginaRio mostrar a “porosidade” do MAR

publicada em 28/07/2013 na Folha de S. Paulo

Exposição que reúne visões e paisagens do Rio de Janeiro será reaberta no dia 6 de agosto no Museu de Arte do Rio com rodízio de obras e seleção de imagens pedidas pelo público

MARA GAMA

para a FOLHA

Quando reabrir, no próximo 6 de agosto, a exposição de 400 obras sobre a paisagem carioca com cartografia, pintura, gravura, desenho, fotografia, video, instalações e escultura no Museu de Arte do Rio (MAR) terá virado “imaginaRio”, incorporado a participação do público, um rodízio de obras e prorrogando seu tempo até 2014.

A mostra foi aberta em março como “Rio em Imagens” com peças de mais de 70 coleções, proporcionando visões panorâmicas de um Rio exuberante e pouco povoado no confronto com a cidade atual e as visões de artistas como Marc Ferrez, Castagneto, Goeldi, Guignard, Iberê Camargo, Ismael Nery, Emile Gallé, Lívio Abramo, Lasar Segall, Milton Dacosta, Burle Marx, Claudia Jaguaribe, Caio Reisewitz e Carlito Carvalhosa, entre tantos outros.

Ainda no segundo semestre de 2013, a mostra deve receber obras escolhidas pelo público. “Durante as visitas, ouvimos que a mostra não tinha imagens da escravidão. Decidimos pesquisar e oferecer algumas alternativas para que as pessoas decidam”, conta o crítico de arte e curador Paulo Herkenhoff, diretor do MAR.  “Queremos um museu poroso em relação `as iniciativas da sociedade, sem contudo querer conduzir os seus processos”, diz.

Em outro exemplo de porosidade, uma nova ala, dedicada ao Cristo Redentor, foi inaugurada em meados de julho, ainda a tempo de coincidir com a Jornada Mundial da Juventude, com cinco vitrines com objetos como chaveiros ou guarda-chuvas, fotos de Custódio Coimbra, uma obra de Cildo Meireles e uma das instalações da série “A última foto”, de Rosangela Rennó.

Também serão integrados `a mostra documentos, registros e um mapa do Complexo da Maré (bairro da zona norte do Rio), feito há dois anos, o primeiro com nomes das ruas e CEP.

De acordo com Herkenhoff, a prorrogacão e a ampliação da mostra se impuseram pelo sucesso do museu.  “Esperávamos 120 mil pessoas até dezembro no museu. Fechamos o fim de semana de 20 e 21 de julho com a marca de 200 mil”, diz.

Para poder prorrogar, foi montado um esquema de rodízio para que trabalhos mais antigos e delicados, que não podem ficar muito tempo expostos, como desenhos e outras obras em papel, sejam substituídos periodicamente. Na lista das inclusões de agosto estão algumas pranchas do álbum “Viagens Pitorescas Através do Brasil”, de Johann Moritz Rugendas (1802-1858) e óleos de Rosalbino Santoro (1858-1920).

As inclusões não alteram o objetivo inicial da mostra. Atualmente morando na Alemanha, o escritor e historiador da arte Rafael Cardoso divide com o professor Carlos Martins a curadoria.  “Logo após a inauguração, a reação das pessoas era de surpresa e encantamento. A melhor palavra, eu diria, é ‘re-encantamento’. É isso mesmo que queríamos: que as pessoas redescobrissem o Rio de Janeiro e vissem a cidade com novos olhos”, diz Cardoso.

“Quisemos criar uma exposição que mostrasse como a cidade é construída pela imaginação, o quanto a paisagem é constituída historicamente pelo olhar das pessoas e, portanto, o quanto temos o poder de transformá-la”.

Cardoso destaca a visitação intensa por parte de escolas e comunidades. “Ao contrário de muitos museus cariocas, há uma presença popular constante e considerável”, diz.

Colocando na prática o objetivo educativo do museu,  Herkenhoff conduz pessoalmente visitas de grupos de crianças e jovens, discutindo obras e, sobretudo, ouvindo. “E quando alguém diz que não gostou, vamos atrás e reapresentamos o projeto, explicamos, para ver o resultado”, diz o diretor.  Ele espera levar 200 mil crianças ou adolescentes por ano ao museu a partir de 2014. “Costumo dizer que o MAR é um museu local e suburbano. E isso é ótimo”, brinca.

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