Artistas exploram memórias e imagens de violência e familiaridade

 

 

MARA GAMA

No alto de uma torre de tubulações de ferro, uma cadeira-monumento exibe lâminas de foices em seu assento. Sobrepostos, dois pequenos cômodos novos de tijolos mal assentados mostram por dentro a sua ruína, em telhas quebradas. Uma cancela se abre, mas não libera nenhuma passagem.

São algumas das imagens que perturbam a calma dos jardins do Museu da Casa Brasileira a partir de hoje e que fazem parte da mostra “Experimentando Espaços”.

Elementos construtivos e de mobiliário, objetos comuns no acervo e no repertório do museu, são explorados pelos artistas nas obras reunidas pelo professor e crítico de arte Agnaldo Farias.

Com trajetos e abordagens diversos, José Rufino, Carmela Gros, André Komatsu, Angelo Venosa, Daniel Murgel, Genilson Soares, Georgia Kyriakakis, Marcius Galan e Rodrigo Bueno mostram experiências e visões do espaço natural e de espaços inventados, imagens de abrigo e contenção, confrontados por violência e interdição, na cidade, na paisagem e no ambiente domesticado da casa.

No deslocamento da função habitual, grades de proteção antigas, encontradas em ferros velhos de Guarulhos, Itapecerica da Serra e Taboão foram cortadas, soldadas e dobradas na obra “Rebentos” de Rodrigo Bueno. “São como relíquias da casa brasileira, com os sinais da passagem do tempo. Elas evocam uma memória de segurança, mas, em vez de enclausurar, elas se abrem, deixam a paisagem passar”, diz Bueno.

Em “Tijuca”, obra já exibida anteriormente, Angelo Venosa cria um ambiente sonoro a partir de uma visão particular da Floresta da Tijuca, na combinação de sons da natureza – como o correr da água, pios de pássaros e gritos de macacos- e  camadas de vozes sintetizadas.

Na obra “Ode aos Fracos”, José Rufino, artista com trajetória de vida e obra ligadas aos temas políticos, eleva uma cadeira insentável numa torre vazada, numa espécie “antimonumento”, conforme explica ele, que alude ao poder e `a tortura.

Para o curador Agnaldo Farias, o ambiente do museu, dedicado à história da casa brasileira, `a arquitetura e ao design, é propício para esse tipo de experiência sobre o espaço. “O tema é universal. O público pode se conectar com as obras de várias formas, tanto pela familiaridade como pelo enigma”, diz.

A mostra atual é a segunda edição de uma ideia já levada a cabo em 2009,  também com curadoria de Farias. Nos dias 27, 28 e 29 de março haverá um ciclo de debates aberto ao público com os artistas e as mediações de Farias (dia 27) e dos arquitetos Guilherme Wisnik (dia 28) e Marta Bogéa (dia 29).

Exposição Experimentando Espaços 2

Abertura: 22 de março às 11h – Entrada Gratuita

Visitação: até 25 de maio

Ingressos: R$ 4

Ciclo de Debates

Dias 27 e 28 de março, 19h; 29 de março, 11h

Entrada Gratuita

Museu da Casa Brasileira

Av. Faria Lima, 2.705, tel.: (11) 3032-3727

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