Design: Luz dirigida

Duas trajetórias diferentes mostram bom design e sinais de vida no panorama da iluminação nacional

por MARA GAMA

Eles dão diretrizes de estilo e tecnologia e colocam em circulação bom desenho e inovação em duas das mais destacadas empresas que atuam na área de iluminação do país. E continuam desenhando.

Na direção de criação da Dominici, uma das marcas mais antigas de decoração, representante de clássicos do design internacional, está Baba Vacaro, designer e autora da “Essayage”, lançada em 2007.

Na premiada Lumini, com 28 anos e referência no desenvolvimento de tecnologia de luz no país, o designer Fernando Prado, autor da “Bossa” (2006), coordena engenheiros, técnicos de produção e desenhistas na área de produtos.

Os dois apontam dificuldades em produzir no Brasil, pelo grau de sofisticação tecnológica demandada pela indústria de iluminação, e consideram como riqueza a capacidade de driblar a mesma dificuldade. Fato é que o mercado é hoje mais rico em opções para o consumidor.

“Todos querem e precisam ficar mais em casa e querem uma casa que atenda suas necessidades, objetivas e subjetivas. Aí se encaixam os produtos de iluminação, que fazem toda a diferença no bem-estar físico e psicológico das pessoas”, diz Baba Vacaro.

“As indústrias de iluminação ainda estão atrasadas na tecnologia de produção, comparadas a outros setores, e uma das particularidades dos projetos de luminárias no Brasil é o uso da criatividade para driblar as limitações dessa indústria”, diz Prado.

A Lumini atua em várias cidades brasileiras e em 27 países. Teve cerca de 400 produtos desenhados e produzidos no país nos últimos quatro anos e recebeu cinco vezes o prêmio IF (dois ouros), duas vezes o prêmio Red Dot e três vezes o primeiro prêmio do Museu da Casa Brasileira (2003, 2004 e 2005), entre outros.

Com fábrica própria, a Lumini terceiriza apenas processos complexos, como injeção, extrusão e sopro de vidro. Além dos projetos de Fernando Prado, há desenhos de Fabio Falanghe, Giorgio Giorgi, André Wagner e Livio Levi.

“O desafio é usar a tecnologia da indústria sem perder o caráter artístico. Por mais que existam softwares supermodernos, na Lumini, o desenho que vai para quem executa o protótipo é feito à mão; infelizmente (ou felizmente), não sei fazer de outro jeito”, revela Prado.

“Hoje, a função de um produto vai muito além da que conhecíamos no início do século 20. Atualmente, qualquer produto precisa cumprir sua função emocional e, a meu ver, é esse mesmo o grande barato do design. Melhorar a vida das pessoas e, assim, fazê-las mais felizes. Os produtos que envolvem luz já saem na frente no quesito emoção: a luz transforma o produto”, diz Baba Vacaro.

Com 60 anos no mercado brasileiro e lojas próprias em São Paulo e no Rio, a Dominici tem cerca de 180 produtos na carteira entre luminárias de mesa, piso, parede e teto. Metade dos produtos é brasileira, produzida pela própria Dominici. A autoria é de designers como Jum Nakao, José Marton, Flávia Pagotti, Ivana Rosa, Maria Pessoa, Maria Bello e Alex Wiechmann, além de Baba Vacaro, sua diretora de criação.

Os outros 50% são de peças emblemáticas da história do design de iluminação, de autores como Verner Panton, Philippe Starck, Acchille Castiglione, Jasper Morrison e George Nelson e designers jovens como Paul Cocksedge, com sua “Styrene”, e David Trubridge, com a “Coral”, entre outros.

E as criações próprias? “Gosto da ‘Essayage’ porque é racional e emocional a um só tempo; lembra uma roupa em ponto de prova, tem a graça da costura, você pode brincar com a forma final dela, mas, ao mesmo tempo, é uma luminária muito boa e eficiente e tira leite de pedra: faz um ótimo ‘serviço’ ao iluminar de modo dirigido e difuso, é muito simples de fabricar, ‘low-tech’ e utiliza como difusor um material tecnológico que tem as melhores características do tecido e do papel”, diz Baba.

“As luminárias ‘Bossa’ e ‘Luna’ são mais representativas, pelos prêmios conquistados e pela divulgação. O que mais me fascina no design de luminárias é que não desenhamos apenas a forma das peças, mas também sua luz, e essa luz tem o poder de mudar o humor das pessoas, isso é muito estimulante”, diz Prado.

MARA GAMA é jornalista com especialização em design e gerente-geral de qualidade de conteúdo do UOL.

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