História, retórica, ética e prática na nova coleção “Pensando o Design”, com seis títulos

Um dos volumes da coleção "Pensando o Design"

Planejada pelos organizadores Carlos Zibel, Marcos Braga e Priscila Farias para suprir a carência de livros em português sobre história do design, a relação entre design e tecnologia e a prática do design no Brasil, será lançada nesta quarta, 1º de dezembro, a partir das 18h30, a coleção “Pensando o Design”, da editora Blucher. O lançamento será na livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista (r. Treze de Maio, 1.947, Paraíso), em São Paulo.

A coleção nasce com seis volumes: “Video games – História, Linguagem e Expressão Gráfica”, de Alan Richard da Luz; “O Design Brasileiro de Tipos Digitais”, de Ricardo Esteves; “Metadesign – Ferramentas, Estratégias e Ética para Complexidade”, de Caio Adorno Vassão; “Do Desenho Industrial ao Design no Brasil”, de Milene Cara; “Tipologia Vernacular Urbana”, de Fátima Finizola e “Retórica do Design Gráfico”, de Licinio de Almeida Júnior e Vera Lúcia Nojima. Os livros têm entre 80 e 140 páginas e custam de R$ 20 a R$ 25.

Em entrevista ao Blog Design, a professora Priscila Farias diz que o objetivo da coleção é publicar textos originais, mas acessíveis, sobre temas relevantes para o debate contemporâneo na área.

“Selecionamos trabalhos que possam trazer novas idéias, para alunos, professores e profissionais interessados. Para esta primeira ‘fornada’ de seis volumes escolhemos trabalhos inéditos, de mestres e doutores. São textos acadêmicos adaptados. Não são reflexões pessoais, especulativas, mas sim resultado de investigações de cunho científico, que passaram pelo crivo não só do orientador, mas também de bancas avaliadoras”.

Para Priscila, a existência da coleção mostra que o ensino do design amadureceu no país. “Encontrar tantos textos de qualidade e adequados para um certo escopo editorial, produzidos no contexto acadêmico, é consequência da maturidade e da ampliação da pesquisa na área de design. Em menos de 10 anos, passamos de dois para 12 programas de pós-graduação na área no Brasil. A produção resultante das dissertações e teses, bem como das pesquisas realizadas pelos professores destes programas é riquíssima, embora nem sempre bem divulgada”.

O público alvo da coleção são estudantes de graduação e pós-graduação design. “Acredito que a coleção tem qualidade suficiente para servir de referência não apenas para leitores brasileiros, mas também para a comunidade internacional de pesquisa em design, que também cresceu nos últimos anos, e está interessada no pensamento sobre design produzido no Brasil.”

Aos seis primeiros volumes, devem se somar não apenas textos integrais, mas também coletâneas, e até traduções. “O espectro de temas que esperamos abordar inclui design visual, design de produto, design para mídias eletrônicas e digitais, design têxtil e de vestuário, design para ambientes construídos, teoria & história do design e design & sociedade, entre outros”.

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Museu da Casa Brasileira abre dia 23 mostra do 24º Prêmio Design

Nesta terça, 23, as 19h30, O Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, premia os vencedores do 24º Prêmio Design MCB e abre exposição com os 71 projetos finalistas. A visitação vai de 24 de novembro a 16 de janeiro de 2011.

Este ano foram 538 inscrições, divididas em oito categorias: Equipamentos de transporte, Trabalhos Escritos Publicados, Têxteis, Equipamentos de construção, Equipamentos eletroeletrônicos, Iluminação, Utensílios e Mobiliário. Cada uma das categorias tem uma modalidade protótipo (em trabalhos escritos equivale a não-publicados). Foram representantes de 16 estados, sendo 252 de São Paulo, 65 do Rio Grande do Sul, 58 do Paraná, 52 de Minas Gerais e 47 do Rio de Janeiro. Os estados do Amazonas, Ceará, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Santa Catarina.

A organização do Prêmio modificou mais uma vez o modo de avaliação. Nesta edição, foi formado um júri geral, coordenado pelo professor Auresnede Pires Stephan, para avaliar o conjunto dos inscritos e selecionar os 140 projetos que seguiram para a seginda fase. Para a segunda avaliação, foram formados grupos de especialistas. Os trabalhos escritos foram avaliados em uma única etapa.

 

Abaixo, na sequência, Banco Solo, de Domingos Tótora; módulo da Linha Tiras, de Gerson de Oliveira e Luciana Martins, da Ovo; e Módulo 7, de Zanini de Zanine

Mais de 50% dos projetos inscritos era de mobiliário ou protótipo de mobiliário. Três projetos dividiram o primeiro prêmio na categoria: o Módulo 7, em fibra de vidro e plástico, de Zanini de Zanine (Rio); o banco Solo, de papelão reciclado, de Domingos Tótora (MG), e a linha Tiras, de madeira e compensado com estofamento e estrutura de aço inox polido, de Luciana Martins e Gerson de Oliveira (SP), da Ovo.

Em trabalhos escritos, o primeiro lugar foi para a coletânea de artigos do crítico Guilherme Wisnik publicados na “Folha”, entre 2006 e 2007: “Estado crítico – à deriva nas cidades”, Publifolha (SP). Além dos artigos, foram acrescentados ao volume quatro ensaios e uma entrevista.

capa de "Estado Crítico", de Guilherme Wisnik

Capa de "Impresso no Brasil", organizado por Rafael Cardoso

Em segundo lugar na categoria ficou “Impresso no Brasil (1808-1930) – Destaques da história gráfica no acervo da Biblioteca Nacional”, livro de Rafael Cardoso, Isabel Lustosa, Joaquim Marçal Ferreira de Andrade e Lúcia Garcia, editado pela Verso Brasil Editora (RJ),

O designer Fernando Prado, veterano no prêmio, venceu na categoria Iluminação, com a linha Bauhaus 90, com cúpula e base em alumínio repuxado e pintado por processo eletrostático.

A bengala eletrônica de Renato Fonseca Livramento da Silva e Alejandro Ramirez Garcia (MG), ficou com o primeiro lugar em eletroeletrônicos – protótipos, considerada produto de integração à vida nas cidades. Na pega, o protótipo tem um sistema eletrônico com sensor, placas eletrônicas, micromotor vibratório, potenciômetro e bateria, uma haste de alumínio e uma ponteira de nylon. Segundo comunicação do MCB, os testes mostraram eficácia na identificação de barreiras físicas.

Na categoria dos equipamentos eletroeletrônicos, também houve empate no primeiro lugar. O prêmio ficou dividido entre um purificador de água com indicador luminoso de reposição, de Mario Fioretti (SC), e o Id Rep, identificador biométrico de alta tecnologia, de Vinicius Alberto Iubel e Aguilar Selhorst Junior (PR).

Na categoria utensílios, o prêmio foi para uma panela Wok, de cerâmica, de Luís Evers (PR). Em têxteis, venceu o tecido 3 Erres, feito de resíduos têxteis, por Rosângela Ortiz de Godoy (SP).

Em equipamentos de construção, o primeiro lugar foi para a linha Simetria, de utilitários de cozinha com engenharia de alta performance, de Guto Indio da Costa, André Lobo e Gabriella Vaccari (RJ).

O designer Indio da Costa recebeu também o prêmio em protótipos equipamentos de transporte com o projeto Moto-Bus, sistema de transporte terrestre elevado. O carro movimenta-se numa canaleta embutida na base, trilhos e um sistema de tração e suspensão com apenas 80 centímetros. Segundo comunicação do MCB, o prêmio se deve à “solução de transporte coletivo e redução do impacto no meio urbano em composição com os sistemas atuais”. “A proposta apresenta uma solução inteligente e criativa aos problemas de transporte de massa em centros metropolitanos, evitando no tráfego urbano a disputa entre ônibus e veículos leves. Em sua concepção são levados em consideração aspectos importantes de viabilidade e soluções técnicas para implantação, cuidando de questões relacionadas com emissão de poluentes,acessibilidade e agilidade”.

Mostra: 24º Prêmio de Design do Museu da Casa Brasileira

Endereço: Av. Faria Lima, 2705 – Jardim Paulistano

Ingresso: gratuito

Visitação: 24 de novembro a 16 de janeiro

De terça a domingo, das 10h às 18h

Casa Brasileira e Imaginários

A “Casa Brasileira” é o tema de um programa que o canal GNT exibe, em cinco episódios, a partir de 6 de dezembro. Dirigido por Alberto Renault e com roteiro de Baba Vacaro, o programa terá um episódio dedicado a um arquiteto, designer ou escritório de arquitetura: Sérgio Rodrigues, Isay Weinfeld, Thiago Bernardes & Paulo Jacobsen, Carlos Motta e os irmãos Campana são os escolhidos. Artistas dão seus depoimentos também sobre suas casas e o jeito brasileiro de morar. Veja o trailer acima.

O programa terá lançamento nesta quarta, 17 de novembro, no Museu Brasileiro de Escultura (Mube), na av. Europa, 218, a partir das 19h30. Na ocasião, a DPot, que patrocina o programa de TV, abre também a mostra “Imaginários”, com peças únicas, entre protótipos, experimentos, móveis e objetos criados para o evento. O grupo de criadores conta com Claudia Moreira Salles, Fesrnqando Prado, Jun Nakao, Ronaldo Fraga, Rodrigo Almeida, Heloisa Crocco, Guinter Parschalk, Isay Weinfeld, Sergio Rodrigues e Baba Vacaro, que assina também a curadoria.

Clique aqui para ver o teaser do programa.

100% Design Londres na visão de Baba Vacaro

"Fade Out chair", que fez parte da primeira individual do estúdio Nendo em Londres, nos meses de setembro e outubro

Cadeira do estúdio Nendo, exposta em Londres

Os japoneses Nendo e Tokujin Yoshioka e os ingleses Stuart Haygart, Paul Cocksedge, David Trubridge foram destaques da 100% Design Londres de 2010, que aconteceu em setembro, na opinião da designer Baba Vacaro. Baba já esteve duas vezes na mostra, já visitou a 100% Design de Tóquio e visita regularmente há muitos anos a semana de design de Milão, “porque é o maior evento do segmento e lá é possível ver uma seleção de design dos quatro cantos do mundo”.

Instalação do designer Stuart Haygarth numa das escadas de mármore do Victoria and Albert Museum, de Londres, que usa molduras de quadros de cores, texturas e formas diferentes

No último ano, incluiu no roteiro de mostras internacionais a Maison&Objet, de Paris. “Visito as feiras por diversas razões: para alguns de meus clientes, sou responsável pela seleção/importação de produtos. Por conta disso visito tanto feiras mais comerciais ( já fui até a Hong Kong ) quanto feiras mais alternativas. Preciso descobrir novos talentos pelo mundo”.

“Antigamente visitar as feiras internacionais era a única maneira de saber o que estava acontecendo no universo do design. Hoje em dia o conteúdo está disponível “on line”, há muitas maneiras de conhecer o trabalho de outros designers, e de instituições internacionais. Mas acho que a experiência ao vivo é insuperável. Escolher você mesmo o que quer conhecer, poder se aprofundar, conversar com as pessoas, sentir o clima dos lugares. Isto só dá para fazer estando nos lugares.”

Por causa desta grande experiência, pedi a Baba uma entrevista sobre os destaques da 100% Design Londres.

Formada em desenho industrial pela Faap, Baba dirige o Design Mix, atuando como diretora de criação para marcas como Dominici, Dpot e St. James. É articulista convidada de veículos especializados em design e decoração e apresenta, desde março de 2010, às terças e quintas, um boletim sobre design na Rádio Eldorado. “A atuação na rádio me força a pensar de um jeito um pouco diferente, menos naquilo que eu preciso aprender e mais no que seria interessante para um número maior de pessoas”

 

Segue a entrevista que Baba deu ao Blog Design:

Blog Design – O que mais se destacou nesta edição da 100% Design Londres?

Baba Vacaro – Fica evidente o poder transformador que o investimento em educação traz aos jovens designers ingleses, pois a eles é permitido experimentar, sem preocupação com o resultado comercial. E assim podem ir mais fundo, buscar a essência, sair da superficialidade.
BD Pode citar criadores, marcas ou grupos que na sua opinião se destacam?

BV Os japoneses, Nendo, Tokujin Yoshioka; os ingleses Stuart Haygart, Paul Cocksedge, David Trubridge; Piet Hein Eek e outros holandeses da turma de Eindhoven; Inga Sempe, para citar apenas alguns, de bate-pronto.
BD Qual o diferencial da mostra em relação às outras semanas de design?

BV A Design Week de Milão tornou-se um evento de proporções estratosféricas. Começa a ficar difícil encontrar coisas interessantes, pois o volume é imenso. E pela pressão comercial, a tendência é que os grandes esmaguem os pequenos. Um evento como o London Design Festival dá mais espaço aos designers emergentes, aos estudantes, ao inusitado, ao menos ortodoxo. É um ambiente mais favorável ao surgimento de novas propostas

 

BD Que idéias esta nova produção internacional aponta?

BV A busca por aquilo que realmente importa, a discussão sobre o que realmente precisamos, que é a base do desenvolvimento sustentável. Que tipo de produtos queremos para fazer parte de nossas vidas. Isso tem proporcionado o aparecimento de diversas vertentes e grupos de produção, tanto intelectual quanto de produtos também.

 

BD Além de criadora, você tem um papel de divulgação do design, com o seu programa de rádio, e participa também de concursos de design. Com esta experiência, como avalia a produção atual de design?

BV Fazer parte do grupo que avalia e seleciona projetos da produção atual de design, como jurada de concursos, é uma maneira realmente interessante de ter um panorama desta produção. Idem pelo fato de ser responsável pela direção de criação de marcas importantes do mercado. O melhor da produção atual do design brasileiro e internacional, em produtos para casa, sempre chega às minhas mãos. Com o rádio, tenho a oportunidade de divulgar o tema para um número muito maior de pessoas, e gosto de pode ajudá-las a pensar em quais as características de um bom produto, de um bom projeto, que podem realmente melhorar a vida delas. O design até bem pouco tempo era visto como algo supérfluo; hoje a divulgação da cultura do design ajuda o próprio consumidor a ter acesso a bons produtos, produtos em que o design está na raiz, na concepção. Vivemos um momento de amadurecimento do design no Brasil, mas ainda temos um longo caminho a trilhar.