Museu da Casa Brasileira: Reforma destaca acervo histórico

MARA GAMA
Gerente de Criação do Universo Online

Depois de oito meses da reforma que tirou os vestígios internos de residência do Solar Fabio Prado, erguido nos anos 40, o Museu da Casa Brasileira mostra, integralmente, depois da restauração das peças que durou dois anos, sua coleção histórica.

A mostra “O Móvel da Casa Brasileira”, que começa na próxima terça, é acompanhada pelo lançamento do livro homônimo da arquiteta Glória Bayeux, com fotos de Antonio Sagese, e do CD-ROM “A Evolução do Mobiliário”, com o mesmo conteúdo.

Didático e bem editado, o livro “O Móvel da Casa Brasileira” traz um estudo em forma de ensaio que cobre do século 16 ao 20, além de uma cronologia e do detalhamento do acervo do museu, com fichas técnicas e fotos.

O acervo -dividido nos temas repouso, guarda, descanso e utilidades- agora está disposto em 500 metros quadrados. No térreo, estão as peças que mostram a evolução do móvel brasileiro a partir do século 17. No andar de cima, a coleção Crespi Prado.

O museu disponibiliza um arquivo com 28 mil fichas, já pesquisáveis, e nos próximos meses inicia a informatização do conteúdo para a posterior publicação de fascículos temáticos sobre usos e costumes da casa brasileira.

Para Mariah Villas Boas, coordenadora de projetos do museu, a reforma do prédio coroa um trabalho de recuperação dos móveis e de pesquisa para a produção do livro. “A vocação do museu é divulgar a pesquisa e elementos de cultura brasileira. O novo espaço vai permitir isso.”

Quem for conhecer o acervo do museu pode consultar o CD-ROM e assistir a um vídeo durante a visita. “Nosso objetivo é abrir para o público em geral o que sempre foi um lugar mais frequentado por arquitetos e designers”, diz Marlene Acayaba, diretora do Museu há três anos. “O museu sofria da falta de reconhecimento na cidade. A prova disso é que na semana passada colocamos um painel com o nome do museu na fachada e a visitação quadruplicou”, diz Acayaba.

Mostra: O Móvel da Casa Brasileira
Onde: Museu da Casa Brasileira (av. Brigadeiro Faria Lima, 2.705)
Quando: exposição permanente, de terça a domingo, das 13h às 18h
Quanto: R$ 3

Livro: O Móvel da Casa Brasileira (163 págs., 242 ilustrações, 3 mil exemplares)
Autor: Glória Bayeux (fotos de Antonio Sagese; projeto gráfico de Marcelo Aflalo)
Quanto: R$ 20

CD ROM: A Evolução do Mobiliário
Lançamento: Tecné Difusão Cultural
Quanto: R$ 10

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Arquitetura: Da Vila Penteado ao Salão Caramelo

Fundada em 1948, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP comemora 50 anos com aula inaugural de Paulo Mendes da Rocha

MARA GAMA
Gerente de Criação do Universo Online

“A Cidade” é o tema da aula inaugural que o arquiteto Paulo Mendes da Rocha vai dar hoje, a partir das 10h, como parte das comemorações dos 50 anos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

Arquiteto formado pelo Mackenzie, seu mais recente projeto foi a recuperação e a reforma da Pinacoteca do Estado, no parque da Luz. O preferido, o ginásio de esportes do Clube Atlético Paulistano, de 1957. Professor cassado em 1969, junto com o mestre Vilanova Artigas (1915-1985) e Jon Maitrejean, e reintegrado à universidade nos anos 80, Mendes da Rocha, 69, recebeu a Folha em seu escritório, no centro da cidade.

Folha – Qual o papel da FAU na universidade e na arquitetura brasileiras?

Paulo Mendes da Rocha – O fato de a FAU de São Paulo ter-se originado -enquanto a maioria das outras escolas vieram das belas artes- de dentro da engenharia para nós tem uma importância muito grande. A Escola Politécnica é mãe de uma série de empreendimentos notáveis: estradas de ferro, recomposição de territórios, saneamento, aterros ganhados do mar, fundações de portos, as hidrelétricas em São Paulo. Uma escola de arquitetura fundada nesse meio é uma escola muito interessante para a América e para o Brasil, e ela serviu de paradigma para quase todas as escolas. Fundamentalmente deve-se isso ao professor Vilanova Artigas, que teve uma visão clara e uma consciência crítica sobre o estado da sociedade, das artes, do homem no mundo. Tudo isso na FAU brilhou muito. Estabeleceu-se para os departamentos de história, por exemplo, uma exigência crítica. Como se dissesse: a história não há. A história é o que nós quisermos que ela seja. Essas são as perspectivas que animaram a fundação da FAU.

Folha – Uma faculdade de arquitetura da importância da FAU não deveria estar mais presente na gestão da cidade?

Mendes da Rocha – A ditadura militar invadiu o universo do pensamento, das idéias, da universidade para destruí-lo. Houve grandes prejuízos, coerção, censura. Isso alterou muito no plano interno, no Brasil, o peso da universidade, a sua influência, enquanto opinião, capaz de avançar no plano político como algo que se deve ouvir. Eu tenho a impressão que uma voz que saia daqui, uma experiência da América é muito interessante hoje na interlocução internacional, sobretudo, o que faz também com que apareçam esperanças de sermos mais ouvidos.

Folha – Como foi a aula do professor Artigas quando voltou à faculdade, nos anos 80?

Mendes da Rocha – Artigas fez uma aula memorável. Ele discorreu sobre a idéia de vontade e desejo para as ações humanas associadas à questão linguística, que era uma das suas paixões. Ele mostrava como a palavra desenho, na sua origem, na nossa língua, significa desígnio, uma designação prévia para a movimentação, para a vida ativa. Uma vida que é organizada em projeto para um trabalho. O que é talvez a essência da condição humana: a premeditação, a experiência.

Folha – Como será sua aula?

Mendes da Rocha – Vou centrar a aula na palavra cidade. A arquitetura tem uma imagem no âmbito do senso comum de produzir maravilhas para serem contempladas como instrumento de beleza supérfluos. E basta. Na verdade, ela também se destina a evitar desastres. A cidade é o lugar do homem contemporâneo, não há outra hipótese sobre uma imagem de habitat. O grande desafio da arquitetura é organizar o arcabouço técnico, estratégico, formal, capaz de amparar aquilo que é fundamental, as águas, a qualidade do espaço para nem promover nem amparar, mas simplesmente deixar à disposição a imprevisibilidade da vida de cada um. É um desafio, mas ao mesmo tempo um fator de entusiasmo.

Exposição: Brasil Faz Design chega à 3ª edição

MARA GAMA
do Universo Online

Pautada pela inserção da produção brasileira de design no mercado internacional, a mostra do concurso Brasil Faz Design chega à terceira edição com a exposição que começa amanhã, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, e fica aberta até 20 de março.

Depois da estréia no Brasil e no mesmo período de abril (16 a 21) em que se realiza o ainda conceituado Salão Internacional do Móvel, em Milão, os 55 projetos selecionados pelo concurso encerrado no fim de 97 serão exibidos no espaço cultural Consolo, na mesma cidade. A data é escolhida para aproveitar a confluência de profissionais, mídia especializada e agentes de casas de design do mundo todo que se concentram em Milão por causa do Salão.

A seleção de trabalhos que será exibida a partir de amanhã serve como um panorama da produção atual brasileira. O concurso que a alimenta não é um termômetro do experimentalismo e nem de pesquisas conceituais radicais -e nem é esta a sua vocação. Isso não quer dizer que não existam exemplos de projetos inovadores. A seleção inclui tanto projetos recentes quanto inéditos e tem como orientação uma possível sobrevivência da peça no mercado internacional, usando como rito de passagem a -não se sabe por quanto tempo ainda- “meca” milanesa.

“Considero que este ano a mostra se firmou. Tivemos inscrições de designers que estão no começo e de gente consagrada, como Sérgio Rodrigues”, diz Marili Brandão, designer e curadora da mostra junto com Fábio Magalhães, diretor-presidente do Memorial da América Latina, e com o arquiteto e crítico italiano Vanni Pasca.

A mostra tem também uma parte histórica, dedicada a Gregori Warchavchik (1896-1972), e duas individuais, uma do arquiteto Ruy Ohtake e outra de vídeos de desfiles e peças das coleções de 97 e 98 do estilista Alexandre Herchcovitch.

Na abertura da mostra, serão anunciados os dez projetos considerados mais importantes pelo júri e o grande prêmio, que tem o patrocínio da Tok&Stok.

Com montagem projetada pelos designers Fernando e Humberto Campana, a exposição retorna ao Brasil em junho para o Museu de Arte Moderna do Rio.

Como mostra paralela, o shopping D&D exibe O Designer e Seu Produto, com fotos de Andres Otero, e parte da exposição de móveis de Ohtake.

Mostra: Brasil Faz Design
Quando: amanhã, 19h30 (abertura); de ter. a dom., das 13h às 18h; até 20 de março
Onde: Museu da Casa Brasileira (av. Brigadeiro Faria Lima, 2.705, Itaim)
Quanto: R$ 3,00

Mostra: O Designer e Seu Produto
Quando: de 5 a 20 de março, das 10h às 22h
Onde: Shopping D&D, piso L-3 (av. Nações Unidas, 12.551, tel. 011/3043-9000)
Quanto: entrada franca