Museu da Casa Brasileira expõe 10º Prêmio

MARA GAMA
DO UNIVERSO ONLINE

Começa hoje no Museu da Casa Brasileira a exposição dos finalistas do 10º Prêmio Design.

Serão anunciados na abertura da mostra os ganhadores das sete categorias do prêmio.

Três novidades marcam esta edição: a inclusão da categoria ensaio crítico; o selo do prêmio, que passa a “autenticar” os objetos que passaram da primeira eliminatória, e a exposição de fotos de todos os objetos concorrentes.

“Com as fotos, ficam evidentes os critérios da comissão julgadora”, diz Mariah Villas Boas, coordenadora da exposição.

“O selo é mais um incentivo à participação. Neste ano, tivemos 343 inscritos”, afirma Mariah.
Também hoje será lançado o livro-catálogo que documenta os dez anos de existência do prêmio (leia texto nesta página) com 160 imagens de objetos.

A seleção deste ano reafirma direções do prêmio, como a preocupação com a produção industrial, a pesquisa de materiais e o destaque a objetos com lastro regional.

Uma cabine de elevador produzida pelos designers Nelson Petzold, José Bonancini e Paulo Muller impõe o cenário de Ernesto Tuneu, com parquets que suportam os objetos em vários planos.

Máquina de costura, máquina de lavar, estojo para escova de dentes, forno elétrico, válvula de descarga e microcomputador também têm espaço na mostra e denotam a presença da equipes de design das indústrias.

Como destaque em novos materiais, há um tapete com fibra de bananeira. Deve chamar a atenção a louça especialmente desenhada para o barreado paranaense.

Apesar de não serem as estrelas, cadeiras e luminárias marcam presença com a série Grillo, com as linhas apuradas de Pedro Useche, e a chaise-longue em concreto de Roberto Stickel. As luminárias Pirilampa, em várias cores, mostram desenho eficaz e humor.

Outro destaque em mobiliário é o conjunto modular para quarto de criança.

Concorre na categoria ensaio crítico o cuidadoso estudo de Maria Cecilia Loschiavo dos Santos, “Móvel Moderno no Brasil”, editado por Edusp, Fapesp e Studio Nobel no ano passado.

Uma sala especial é dedicada à mais recente produção do designer de móveis Michel Arnoult, francês radicado no Brasil desde 1951 e autor da série “Peg-Lev”, do início dos anos 70.

Arnoult foi um dos criadores da Mobília Contemporânea, uma das pioneiras da fabricação de móveis em série, a preços baixos e com elementos versáteis de fácil encaixe e combinação.

Analisando os concorrentes com os de outras edições, a crítica Adélia Borges considera que a produção brasileira caminha para uma preocupação maior com aspectos ecológicos e regionais: “Depois de um período de supremacia da forma, tendência do design internacional que teve muito eco no Brasil, há mostras de preocupação com vínculos regionais”. (MG)

Mostra: 10º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira
Coordenação: Mariah Villas Boas Projeto da exposição: Ernesto Tuneu
Onde: Museu da Casa Brasileira (av. Brig. Faria Lima, 774, Jardins, tel. 011/210-2564)
Quando: de 14 de novembro a 31 de janeiro de 1997
Abertura: hoje, às 20h

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Livro faz panorama do design brasileiro

MARA GAMA
DO UNIVERSO ONLINE

Uma face importante da história recente do design brasileiro ganha visibilidade com o livro “Prêmio Design Museu da Casa Brasileira”.

Ao perseguir a história dos dez anos do prêmio, a autora, Adélia Borges, conseguiu traçar um panorama da produção e pinçar as principais idéias sobre design que estavam no ar no país no período.

Além do contexto mais genérico, da situação do design na relação com a indústria, os consumidores e a crítica, o livro recupera e traduz em linguagem simples os memoriais descritivos dos objetos premiados.

Não é pouco. Mesmo com a minguada bibliografia sobre design no Brasil, o mais comum é que quem se atreve a escrever sobre o assunto se deixe levar por interpretações mistificadoras e deixe de lado as informações sobre projetos e materiais. O resultado é a falta de livros de referência -quadro que o livro pode aliviar.

Ex-editora da revista “Design e Interiores”, de 1987 a 1994, a autora é assessora especial do Masp para Design Industrial. Foi jurada do prêmio da Casa Brasileira em 1990, 1993 e 1994. Pesquisou a documentação do museu sobre a premiação, entrevistou grande parte dos designers e reviu todos os objetos que estão no livro.

Na pesquisa, encontrou muitos designers que viraram suco, protótipos que nunca foram produzidos e projetos vencedores que não saíram da prancheta. Contou com a equipe de produção chefiada por Mari Marino para localizar no Brasil todo os objetos que foram levados ao museu e refotografados.

O livro é organizado ano a ano. Vai de 1986 a 1996 (em 1992, não houve premiação). Cada capítulo traz um texto que relata como foi organizada a edição em questão, apontando categorias novas incluídas, mudanças de regulamento, reações do público e da imprensa, e fazendo um balanço do resultado da premiação.

A análise é acompanhada por uma lista que enumera os jurados e dá um raio x do poder cultural no Estado na ocasião. Na sequência de cada capítulo, vêm as páginas com fotos de Antônio Saggese e textos legenda com as fichas técnicas e descrição dos objetos.
Para Adélia, o prêmio tem refletido as mudanças da casa brasileira: “A violência e o stress da vida urbana revalorizaram a casa e valorizaram estas áreas na produção”, diz.

Livro: Prêmio Design Museu da Casa Brasileira (204 páginas, 160 fotos, R$ 50) Coordenação editorial: Mari Marino
Texto e edição: Adélia Borges
Fotos: Antonio Saggese Projeto
Gráfico: Marcelo Aflalo Patrocínio: Sebrae/SP, Fiesp/Ciesp
Apoio: Secretaria de Cultura do Estado de SP e Sociedade Amigos do MCB