Análise: o efeito estufa e a sua lata de lixo

[ MARA GAMA ]
Para tratar duas fontes de gases do efeito estufa, o Brasil poderia olhar com seriedade para um de seus problemas sanitários e sociais mais graves: o sistema que alimenta a disposição inadequada de resíduos nos lixões.
Os lixões são como fábricas descontroladas de produção de metano, porque são locais onde se amontoam resíduos para livre fermentação e lenta decomposição. Além disso, os lixões são o ponto final de longos trajetos diários de uma enorme frota de caminhões que trança o país emitindo carbono, também responsável pelo aquecimento.
De acordo com o relatório “Waste Atlas 2014”, cerca de 75 milhões de brasileiros usam os 3.000 lixões ou aterros inadequados ativos no país. Como atacar o problema? Adotando soluções localizadas e sustentáveis como:
1) instituir a separação do lixo doméstico em três frações: recicláveis secos (alumínio, plástico, papel e vidro); orgânicos; rejeitos (o que não é reciclável).
2) incentivar compostagem caseira ou envio de resíduos orgânicos para centrais regionais de compostagem e usinas de biogás.
3) reintroduzir na cadeia produtiva os recicláveis secos, com um plano industrial para a reciclagem e a desoneração de impostos para os produtos feitos com matéria reciclada.
4) investir em pesquisa para ampliar o rol de matérias recicláveis.
5) construir aterros para rejeitos, com captação de gás metano.
Um passo importante foi dado em novembro para avançar no item 3. Foi assinado o maior acordo de logística reversa no país, o das embalagens, que regulamenta o fluxo dos vasilhames pós consumo. Segundo o acordo, as 12 capitais brasileiras que foram sedes da Copa de 2014 terão metas de recolhimento dos descartáveis e incremento das coletas.
Com isso, deve triplicar o número de postos de entrega voluntária, e as empresas que criam, usam e revendem embalagens têm de investir em coleta, separação, tratamento e compra.
Falta muito chão. Mas dá para começar a fazer a sua parte, em casa, gastando um tempinho a mais com a sua lata de lixo.
Mara Gama é jornalista, roteirista e consultora de qualidade de texto da Folha; escreve sobre utilização do lixo

http://temas.folha.uol.com.br/cenarios/ano-do-clima/analise-o-efeito-estufa-e-a-sua-lata-de-lixo.shtml

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Ypê e Natura se destacam por ações de preservação e conquistam voto verde

Maior interação com o consumidor e o reforço das ações ligadas à proteção da natureza podem ter contribuído para Ypê e Natura continuarem no pódio do Top of Mind. Desde que a categoria Meio Ambiente foi criada em 2007, as duas lideram a lista.

A marca de limpeza e higiene corporal Ypê oscilou de 3% para 7% em relação a 2014. Já a indústria cosmética e de produtos de higiene Natura foi de 4% para 5%. Elas estão empatadas, de acordo com a margem de erro da pesquisa.

Como em 2014 —o mais alto índice até então—, 64% dos entrevistados não citaram nenhuma marca ao Datafolha.

Sorteios de casa, bicicletas e smartphones da promoção “Vale mais cuidar”, criada pela Ypê, podem ter ajudado na divulgação da marca. Iniciada em julho, a campanha dobra as chances de participantes que enviarem vídeos ou fotos mostrando como economizam água, luz ou reciclam lixo.

Cinthia Hax, gerente corporativa de meio ambiente da Ypê, diz que eles reforçaram a estratégia de comunicação nas redes sociais.

Referência de reutilização de água de chuva em suas cinco fábricas, a Ypê lançou duas novas versões de produtos concentrados, um detergente e um amaciante, que utilizam menos água na produção. E continua com o programa Ypê Floresta em parceira com a SOS Mata Atlântica para o replantio de árvores —550 mil mudas de espécies nativas foram plantadas nas regiões de Campinas e Itu (interior de São Paulo).

A Natura continua a associar sua marca a ações ambientais. Em setembro, venceu o prêmio Campeões da Terra 2015, na categoria Visão Empresarial, da ONU. No último ano, lançou nova linha de Ekos que utiliza a ucuuba, semente natural da Amazônia. A espécie está ameaçada de extinção, e o uso da semente como matéria-prima evita o desmatamento.

Luciana Villa Nova, gerente de sustentabilidade da Natura, considera que a empresa também chegou mais perto dos consumidores com seus consultores digitais —vendedores on-line que são treinados e dão conselhos sobre os produtos aos clientes. Implantado em agosto de 2014, o programa tem 1.500 vendedores

 

http://www1.folha.uol.com.br/topofmind/2015/10/1696662-ype-e-natura-se-destacam-por-acoes-de-preservacao-e-conquistam-voto-verde.shtml

Lixo: Livro reúne artigos sobre design, resíduos e trabalho de catadores

“O apetite do mundo contemporâneo pelo consumo gerou expressivo crescimento na busca por matéria, energia e também a vertiginosa produção de descarte, em todas as escalas: individual, local, nacional e global. Esse material descartado tornou-se elemento básico do repertório de subsistência de parcela significativa de populações excluídas –moradores de rua e catadores de recicláveis”.

O texto é da professora Maria Cecilia Loschiavo dos Santos, titular de design da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP), e está na introdução do livro “Design, Resíduo & Dignidade”, que será lançado na terça-feira (21) no Museu da Casa Brasileira, 19h30, em São Paulo.

Maria Cecilia Loschiavo dos Santos coordenou a publicação, que reúne um time de 35 autores de peso de quatro países, atuantes em instituições acadêmicas, organizações públicas e privadas.
http://www1.folha.uol.com.br/co…s-e-trabalho-de-catadores.shtml

Mostra de design faz passeio pela cultura gastronômica espanhola

“Quando tudo vai mal, a comida é um refúgio”. Na contramão da crise econômica que castiga o país, a gastronomia espanhola vive nos anos 2000 um período de reconhecimento que impulsiona o design.

Frutos desse boom foram selecionados pelo arquiteto e designer catalão Juli Capella e podem ser vistos na exposição ‘Tapas: design espanhol para gastronomia”, em cartaz no Museu da Casa Brasileira.

Até pouco tempo, as escolas de design espanholas só ofereciam temas gastronômicos como parte integrada de um programa geral. Mas, em 2015, a Escola Elisava, de Barcelona, iniciou um programa de Design for Food. Também o Instituto Europeo de Design (IED) de Madri tem um curso de desenho na gastronomia.

Grande parte da inovação em objetos para a mesa segue as demandas de marketing e de consumo. Para se diferenciar, os restaurantes passaram e investir na criação de recipientes próprios e utensílios especiais, para proporcionar uma experiência mais completa para seus clientes.

http://www1.folha.uol.com.br/comida/2015/09/1682154-mostra-de-design-faz-passeio-pela-cultura-gastronomica-espanhola.shtml

 

Design de Ruy Ohtake ganha mais autonomia com o tempo

Não apenas 20 anos separam as duas fornadas de móveis criados por Ruy Ohtake que fazem parte da singela exposição “Imprevisibilidades, Desenho e Mobiliário”, em cartaz até 6 de setembro no Instituto Tomie Ohtake, também desenhado por ele.

No conjunto, é possível ver nos objetos uma passagem dos planos às linhas.

Na safra mais antiga, de 1995, predominam as chapas ou fitas de aço mais largas, encurvadas ou dobradas –como as que compõem a simpática “Namoradeira”, a convidativa poltrona “Triângulo”, a sintética banqueta “Onda”, a mesa redonda “Origami” e o aparador “Filipelli”.

Nos projetos recentes, de 2015, sobretudo nas cadeiras “Uma Volta” e “Duas Voltas”, é visível um desenho mais autônomo em relação à arquitetura, com formas mais leves e menos apoios.

É como se as peças mais novas tivessem liberdade para circular em diversos tipos de espaço, de forma independente, como protagonistas.

Ohtake, um dos arquitetos mais importantes em atividade no país, por muito tempo criou mobília especificamente para as casas de sua autoria, sem demanda de mercado, mas como detalhamento ou complemento da sua concepção espacial da moradia.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/229831-design-de-ruy-ohtake-ganha-mais-autonomia-com-o-tempo.shtml

Ninhos de Lina Bardi são vendidos pela 1ª vez no Brasil

Ler, pensar, deitar, dormir e se aninhar. Eram os usos indicados pela projetista para a sua peça. O ano era 1951.

Uma época de intensa atividade criativa e de afirmar sua escolha pelo território, construindo seu primeiro projeto arquitetônico, a Casa de Vidro, e naturalizando-se na terra escolhida, o Brasil, “país inimaginável, onde tudo era possível”.

A criadora era Lina Bo Bardi (1914-1992), arquiteta, urbanista, designer e apaixonada pela cultura brasileira.

Em 1953, aninhada na sua cadeira “Bowl”, em diferentes posições, ela posou para a revista “Interiors”, em fotos que se tornaram emblemáticas de seu espírito livre e irreverente. No artigo, intitulado “Bowls, Baskets and Bags” (“Tigelas, Cestas e Sacos”), a revista comparava o projeto da “Bowl” a cadeiras de designers como Eero Saarinen.

Mas Lina não chegou a ver produzidos comercialmente os seus ninhos, que só passaram a ser fabricados neste século, pela empresa italiana Arper. E quase 65 anos depois de serem desenhadas, as Bowl importadas chegam ao mercado brasileiro, comercializadas pela Dpot.

De uma tiragem de 500 exemplares, autorizada pelo Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, que detém os direitos sobre os projetos da arquiteta, cem cadeiras são destinadas às vendas no Brasil. Os preços são em torno de R$ 39 mil.

“O que é novo nessa peça de mobiliário, o que é absolutamente novo, é o fato de a cadeira poder se movimentar para todos os lados, sem precisar de nenhum mecanismo mecânico, tudo acontece apenas por sua forma esférica. Não há outras peças de mobiliário como essa”, escreveu.

A “Bowl” é uma concha encaixada sem fixação sobre um aro tubular com quatro pés. É feita artesanalmente na Itália e tem uma edição com revestimento de couro preto e uma versão em tecido, com sete cores diferentes.

As almofadas podem ser da mesma cor da concha ou em dois tons diferentes. O lançamento está marcado para ocorrer na Design Weekend, na loja Dpot (al. Gabriel Monteiro da Silva, 1.250, Jardins).

http://classificados.folha.uol.com.br/imoveis/2015/08/1666224-apelidadas-de-ninhos-cadeiras-de-lina-sao-vendidos-pela-1-vez-no-brasil.shtml

Mostra reúne cerâmica de indígenas, artesãos, designers e artistas

O material mais antigo produzido pelo homem continua sendo fabricado por toda parte: em ateliês de artistas, oficinas, indústrias e laboratórios de impressão de alta tecnologia.

Do grego “kéramos” (“terra queimada” ), a cerâmica deve ter se originado no Japão, há mais de 8.000 anos. No Brasil, onde os mais antigos registros encontrados foram na Ilha de Marajó (PA), ela é hoje produzida em todos os Estados.

“Nesse momento de retorno ao primordial, a cerâmica está sendo revalorizada no mundo todo”, diz a crítica Adélia Borges, curadora da mostra “Cerâmicas do Brasil”, que, a partir do dia 12, traz itens criados por indígenas, artesãos, artistas e designers ao museu A Casa, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista.

“Colocar no mesmo espaço peças tão diversas permite que uma ilumine a outra; mostra como os limites entre artesanato, design e arte perderam a rigidez”, afirma Borges.

http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2015/08/1665279-mostra-reune-ceramica-de-indigenas-artesaos-designers-e-artistas.shtml