Design: MuBE recebe “Números” dos Campana

Um ano após exposição no MoMA, dupla lança tapetes feitos pela Companhia dos Tapetes Ocidentais

Lili Martins/Folha Imagem

Humberto e Fernando Campana com alguns dos “Números” no MuBE, onde a série será lançada hoje à noite

MARA GAMA
Gerente-geral de Criação do UOL

Exatamente um ano após a abertura de “Tropical Modern”, exposição de 14 peças de mobiliário no Museu de Arte Moderna de Nova York, os designers Humberto e Fernando Campana expõem seus “Números”, série de 20 tapetes produzidos pela Companhia de Tapetes Ocidentais.

O local escolhido para a exposição-instalação foi o prédio do Museu Brasileiro de Escultura, local em que os Campana dão aulas há um ano. “Esse espaço criado por Paulo Mendes da Rocha tem um rigor monástico que privilegia o contato com os objetos nele inseridos”, diz Humberto.

Os tapetes serão expostos na área externa, e focos de luz se encarregarão de sugerir os movimentos gráficos da justaposição dos números. “A volumetria do lugar vai dar a idéia do jogo gráfico que queremos”, diz Fernando.

Produzidos em fibra sintética, na metragem inicial de 1,6 m x 2,2 m, os 20 “Números” -de 0 a 9- têm duas versões: fundo branco e número preto ou vice-versa. Foram desenhados no computador e são os primeiros exemplares do que pode vir a ser uma fonte Campana.

A idéia dos números é mais gráfica e lúdica que esotérica e começou num desenho no chão, feito durante um passeio. “Desenhei um número 7 no chão e imaginei que deveria virar um tapete”, diz Fernando. A Companhia dos Tapetes Ocidentais, que tem em seu acervo mais de 150 desenhos exclusivos de artistas plásticos e designers, bancou o projeto e torna-se a primeira empresa brasileira a produzir objetos da dupla.

A primeira tiragem da série será vendida como prova de artista a R$ 1.640. Na segunda tiragem, a empresa produzirá outra série limitada podendo modificar alguns tamanhos seguindo as proporções iniciais.

Exposição: Números
Onde: MuBE (r. Alemanha, 221, Jardim Europa, tel. 881-8611)
Quando: inauguração hoje, a partir das 19h; de terça a domingo, das 10h às 19h; até dia 28 de novembro
Preço das obras: R$ 1.640

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Design: “Alquimia” dos 90 é destaque no Itaú

Mostra exibe objetos criados a partir de materiais industrializados que ganham outra concepção

Divulgação

Obra de Tarsila do Amaral em lata de leite, na “Paratodos”

MARA GAMA
Gerente-geral de Criação do UOL

Se fossem colocados numa cápsula do tempo, os objetos que compõem o módulo “Novos Alquimistas”, que integra a exposição “Cotidiano/Arte: O Consumo”, no Itaú Cultural, dariam a idéia de uma civilização industrial mais criativa e menos predatória aos que a abrissem no futuro.

Gostando ou não das formas finais, não há como não se entusiasmar com os móveis, luminárias, roupas, tecidos, jóias, pratos e cortinas criados a partir de materiais industrializados já expelidos do “ciclo de consumo” a que pertenciam ou retirados da função projetual e usados como material em novos produtos.

A “alquimia moderna” tritura, reprocessa, compacta ou desloca. É assim que chegam à galeria um móvel feito de lata de tinta e chapas de pacote de leite longa vida (Sandro Verdini e Júlio Sannazzaro) e mantas tecidas artesanalmente a partir de fios do reprocessamento de garrafas plásticas (Daniela Moreau), além da mesa com ralos de esgoto, contribuição dos Campana à mostra curada por Adélia Borges.

Além desses, há a mistura de tecidos aos galhos, pedras e brocados com resultados diferentes nas obras de Renato Imbroisi, Tereza Xavier e Lino Villaventura; garrafas, pratos e coadores transformados em luminárias por Júlio Sannazzaro e por Maurício Castro, Eduardo Alves Jorge e Imanol Ossa; e ainda os papéis enrolados em canutilhos ou recortados por Nido Campolongo, os vidros coloridos triturados por Edu e Beth Prado e as luminárias surpreendentes de Valter Bahcivanji.

Latas de leite em pó, copos de requeijão estão ao lado dos painéis de azulejos da arquitetura moderna brasileira no módulo “Paratodos”. Com objetos desde os anos 30 até hoje e suportes variados, o módulo traz para a galeria a arte aplicada de mais de 30 artistas brasileiros.

Mostra: Cotidiano/Arte
Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel 0/xx/11/238-1832)
Quando: abertura hoje, às 20h, para convidados; até 2 de fevereiro de 2000
Quanto: entrada franca