Lixo: Em vez de reduzir, país gera mais resíduos e cidades seguem usando lixões

Na contramão do bom senso e da sustentabilidade, a produção de lixo residencial urbano aumentou 29% no Brasil nos últimos dez anos. Só em 2014, foram geradas 78,6 milhões de toneladas de resíduos, um crescimento de 2,9% em relação a 2013.

Por dia, cada habitante gera 1,062 quilo de resíduos, em média. Em Brasília, onde continua funcionando o maior depósito a céu aberto da América Latina, o Lixão da Estrutural, o índice é de mais de 1,5 quilo por pessoa. E cerca de 10% dos materiais sem serventia gerados na cidades brasileiras não são sequer coletados.

Apesar do aumento da geração de lixo, a quantidade de resíduos que tem destinação final adequada não se alterou significativamente desde que foi aprovada a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a PNRS, em 2010, que previa a erradicação dos lixões para agosto de 2014

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/maragama/2015/07/1662663-lixo-em-vez-de-reduzir-pais-gera-mais-residuos-e-cidades-seguem-usando-lixoes.shtml

Anúncios

Lixo: Em retrocesso para o meio ambiente, Senado dá mais prazo para o fim os lixões

Uma péssima notícia passou quase batida na última quarta (1º de julho): o Senado aumentou de forma escalonada prazos para cidades brasileiras desativarem seus lixões e passarem a destinar seus resíduos a aterros sanitários. Já estava lento esse processo de erradicação. Agora, pode ficar ainda pior. O texto segue para a Câmara.

O fim dos lixões, previsto na Política Nacional dos Resíduos Sólidos, para agosto de 2014, era um fator de pressão para que os munícipios fizessem a sua lição de casa: construção de planos de gestão de resíduos, organização e implantação da coleta seletiva, do tratamento do lixo orgânico, absorção e capacitação de catadores e da mão de obra egressa dos lixões à coleta e por fim a destinação correta dos rejeitos aos aterros sanitários.

Segundo o novo texto, capitais e municípios de região metropolitana terão até 31 de julho de 2018 para o acabarem com os lixões. Municípios de fronteira e os que têm mais de 100 mil habitantes terão um ano a mais (julho de 2019) e cidades que têm entre 50 e 100 mil habitantes, dois anos a mais (julho de 2020). Para os municípios com menos de 50 mil habitantes – a maior parte dos municípios brasileiros – o prazo foi para 31 de julho de 2021.

Ainda segundo a emenda aprovada, a União vai normatizar o acesso a recursos federais para a implementação dos aterros sanitários, obras caras e complexas, com a necessidade de grandes áreas impermeabilizadas, sistemas de medição de gases e de escoamento de chorume.

A maior parte -60%- das cidades do país descarta inadequadamente os resíduos. De acordo com dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de agosto de 2014, 2.507 dos 5.564 municípios ainda destinam o lixo coletado nos domicílios e aquele proveniente do sistema de limpeza pública a lixões (45%), 815 municípios enviam para os aterros controlados, que são lixões reformados (14,6%) e 2.243 enviam para aterros sanitários (40,4%).

O adiamento do prazo para 2018 atende a pressão de prefeitos organizados na Associação Brasileira de Municípios (ABM) e na Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que alegam falta de recursos. A relatora da proposta, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), argumentou que a maior parte dos municípios não conseguiu cumprir a determinação legal por falta de quadros técnicos e verbas. Segundo ela, o prazo da lei (que era agosto de 2014) era exíguo para que os municípios menores e mais carentes assumissem a responsabilidade por essa tarefa complexa e dispendiosa.

Lixo: Ao comemorar 25 da seletiva, Porto Alegre vai intensificar programa

Porto Alegre (RS) vai ampliar a coleta seletiva. Segunda capital brasileira a implantar o sistema (Curitiba foi a primeira), a cidade já universalizou o serviço para todos os bairros e agora anuncia sua intensificação, com recolhimento em dois turnos e de até três vezes por semana em algumas regiões, a partir de agosto.

Apesar de o serviço atingir a cidade de Porto Alegre toda, das 2.200 toneladas recolhidas por dia, apenas 110 toneladas são de lixo seco separado pelos moradores, uma fração ainda muito pequena. Isso significa que a adesão da população ainda precisa aumentar muito.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/maragama/2015/07/1654047-ao-comemorar-25-da-seletiva-porto-alegre-anuncia-intensificacao-do-programa.shtml