
A Estação Pinheiros do metrô, da Linha 4, Amarela, está em obras. Novos quiosques estão sendo montados, nos corredores que eram – e deveriam continuar a ser – destinados apenas ao trajeto já tortuoso dos passageiros entre cada um dos lances de escadas rolantes dos pisos. O nome da estação e as sinalizações sobre navegação que ficavam nas plataformas de embarque foram apagados.

A implantação desses novos quiosques tende a dificultar ainda mais o fluxo de quem usa a estação. Nos horários de muita movimentação, pela manhã e no final de tarde, os passageiros são obrigados a caminhar a passos lentíssimos e enfrentam filas e gargalos para acessar as escadas, tanto para sair para a rua quanto para trafegar entre o metrô e a estação de trem Pinheiros, da linha 9 de trens metropolitanos.

Com as novas lojinhas, vai ficar mais difícil não trombar -literalmente- com outros passageiros ou cair num engavetamento de gente.
O desenho das estações da Linha 4 e os fluxos mal planejados já mostravam desde o início das operações que o objetivo não poderia ser outro a não ser expor o viajante a lojas e ofertas no seu caminho obrigatório. Essa orientação para incentivar as compras se contrapõe ao que é considerado como eficiência de uma estação.

A eficiência se mede pela facilidade de uso, compreensão instantânea e intuitiva dos espaços, destinos e rotas, segurança de locomoção, orientação acessível, para proporcionar percursos mais curtos e rápidos. Essas características são resultado de bons projetos de arquitetura e sinalização gráfica.
Várias estações da linha Amarela – mas não só dela – seguem outra lógica. A lógica dos shoppings centers, que obriga os passantes a andar mais para que mais lojas sejam vistas.
No dia 14 de janeiro, peguei a linha 4 por volta das 8h e vi essas obras e a falta de sinalização. Além disso, em todas as passagens de andares, uma das escadas rolantes estava desligada. É um sacrifício a mais para os muitos passageiros. No mesmo dia, na junção das estações Consolação e Paulista, uma das esteiras estava desligada.


As obras da Estação Pinheiros da Linha 4-Amarela são chamadas de revitalização. Segundo reportagem da Folha de outubro de 2025, entre os objetivos estão colocar iluminação em LED, reformar banheiros, “padronizar áreas comerciais” e criar um espaço externo com café e lounge. Tem também uma marqueteira promessa de uso de “materiais sustentáveis”. O custo divulgado é de R$ 35 milhões.
Os espaços em estações de metrô são negociados diretamente com a concessionária, sendo bem mais baratos que os shoppings tradicionais. Parece um bom negócio fazer shopping em estação. Quem quer e precisa apenas embarcar que se esprema.