Circuito curto entre a terra e o prato é bom para a saúde e para o bolso

Se a gente é o que come –e os estudos sobre a microbiota, a população colossal de micróbios que mora no corpo humano, vêm dando força renovada a essa tese– parece justo saber de onde vem e poder escolher o que mandamos para dentro todo dia, não?

Pois. Você come embalagem? Você come marketing? Se estiver tentado a repensar essas duas linhas da planilha de custos da sua comida, há cada vez mais opções.

Na busca por comida saudável, que inclui o repúdio pelos agrotóxicos e o apoio ao uso dos fertilizantes vindos da compostagem de resíduos orgânicos, vem crescendo no Brasil a rede de Grupos de Consumo Responsável.

São organizações de consumidores que querem conhecer e atuar no modo de plantio e cultivo de seus alimentos. Para isso, estabelecem relações diretas com os produtores.

O primeiro grupo identificado pelo Instituto Kairós, que estuda o tema e atua no fomento de iniciativas do tipo, nasceu em 1986. Mas a maior parte dos grupos foi fundada a partir dos anos 2000. Já foram realizados três encontros nacionais desses grupos.

http://folha.com/no1748816

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Revolução dos Baldinhos faz 7 anos, dá frutos e vai virar cartilha

Em outubro de 2008, uma infestação de ratos atingiu a área de Chico Mendes, no bairro de Monte Cristo, na região continental de Florianópolis, e duas pessoas morreram. Os moradores perceberam que para impedir o avanço da praga e uma epidemia era preciso acabar com a comida disponível para os bichos, o que significava dar fim ao lixo que tomava conta das ruas e terrenos.

Três meses depois, em janeiro de 2009, com o apoio do Cepagro (Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo), uma ONG que já atuava na escola local ensinando a fazer horta, começava a acontecer a Revolução dos Baldinhos, um movimento comunitário de compostagem de resíduos orgânicos. Seis meses depois, já eram 95 famílias envolvidas no projeto.

Como sempre, tudo começou com a separação do lixo na fonte. Participantes do projeto iam de casa em casa explicando como fazer. Os baldinhos de plástico eram distribuídos para que os moradores recolhessem neles os restos de comida das casas e levassem para postos de coleta. Duas vezes por semana, os restos de alimentos eram levados desses postos de coleta para a área de compostagem, numa escola do bairro, onde estudantes e agentes ambientais cuidavam de fazer o composto.

Sete anos depois do início, a iniciativa se mantém viva, com o mesmo sistema de separação e o mesmo fluxo, graças ao ativismo das membros da comunidade e apesar da falta de apoio econômico da prefeitura da cidade. O grupo comunitário vende os excedentes de compostos e biofertilizantes obtidos na compostagem. Reivindicam uma área de 5.000 metros quadrados para instalar uma ecopraça para pomar, horta e mais espaço de compostagem.

http://folha.com/no1743555

Legumes feios vendem bem e podem mudar padrão no Reino Unido

Será que a ditadura estética imposta pelos grandes distribuidores de frutas e legumes aos agricultores pode acabar? As rígidas normas de formatos, medidas e cores que causam um enorme desperdício de alimentos bons podem ser revistas?

Impulsionada por descontos e por uma campanha no programa de Jamie Oliver e Jimmy Doherty para o Channel 4, uma experiência no Reino Unido está mostrando que os consumidores podem mudar os padrões e reintroduzir no mercado toneladas de comida que estavam condenadas ao lixo.

No início de fevereiro, os supermercados Asda, no Reino Unido, começaram a colocar à venda caixas com itens fora do padrão, as “Wonky Vegetable box”, com preços bem reduzidos, em algumas de suas lojas, na primeira iniciativa desse tipo naquele país.

Por £3.50 (R$ 20,2), o consumidor leva cerca de 5 quilos de produtos que seriam normalmente rejeitados pelo cadeia de distribuição. A caixa com produtos, que inclui cenoura, cebola, batata, pepino, pimentão, repolho e alho-poró, pode suprir as necessidades de vegetais de uma família de quatro integrantes por uma semana, segundo a empresa.

http://folha.com/no1740935

Lixo: Na França, lei proíbe desperdício de comida nos supermercados

Aprovada no ano passado, passou a valer recentemente na França uma lei que proíbe que os supermercados joguem fora ou destruam comidas não vendidas. Isso inclui os itens que estiverem com data de vencimento próxima.

O excedente deve ser doado para bancos de alimentos e organizações de assistência a populações carentes. Os gestores de supermercados de médio e grande porte (lojas com mais de 400 metros quadrados) têm de assinar um compromisso de doação para essas instituições sob pena de multa.

As organizações que recebem as doações são obrigadas a coletar e estocar a comida em condições adequadas de higiene e distribuir os alimentos de forma digna, em refeitórios ou centros de alimentação, com funcionários ou voluntários, para pessoas que não podem pagar por eles.

A França joga fora anualmente 7,1 milhões de toneladas de alimentos. Desse total, 67% são jogados fora pelos consumidores, 15% por restaurantes e 11% por lojas. No mundo, a cada ano, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçados.

http://folha.com/no1738977

Maior usina de energia do lixo começa a operar em 2020 na China e terá área de visitação

Em 2020, a cidade de Shenzen, na China, deve inaugurar a maior usina de conversão de lixo em energia do mundo, com capacidade de incinerar 5 mil toneladas de resíduos por dia. Além de uma série de elementos técnicos e de construção inovadores, a usina terá um circuito de visitação para que o público conheça o processo de tratamento e produção de energia e pretende educar as pessoas a reduzirem sua quantidade de produção diária de lixo.

As empresas dinamarquesas Gottlieb Paludan e Schmidt Hammer Lassen venceram uma competição internacional feita para selecionar o projeto da usina. A construção deve começar até o fim de 2016.

O projeto quer ser referência na produção de energia do lixo tanto do ponto de vista da tecnologia aplicada a grandes quantidades de resíduos quanto de maneiras mais ambientalmente corretas de gerar energia.

http://folha.com/no1737006

Com catadores remunerados, SP quer universalizar a seletiva neste semestre

Os catadores de material reciclável vão participar formalmente, com remuneração e de maneira mais intensa nos serviços de limpeza pública em São Paulo.

Através de novos acordos firmados com a Prefeitura, eles serão responsáveis por parte da coleta seletiva de porta a porta,num processo em três etapas, que terá início em 22 de fevereiro e deve estar concluído até 18 de abril.

A partir desta data, segundo o cronograma divulgado pela Prefeitura, a seletiva de recicláveis estará iniciada em todos os bairros. Estão previstos períodos de divulgação de cinco dias para cada grupo de bairros incluídos, na semana que antecede o começo da operação.

Atualmente há cerca de mil catadores cooperados em convênios com a Prefeitura e São Paulo recicla cerca de 2,5% do que é recolhido na coleta domiciliar. Esses materiais são processados por duas centrais mecanizadas e por 21 cooperativas. A coleta seletiva chega a 85 dos 96 distritos da cidade, sendo que em 46 deles todas as ruas são atingidas, em 39 deles o serviço não é extensivo a todas as ruas e em 11 distritos não há seletiva.

http://folha.com/no1734740

O poder letal e a nova economia do plástico

Os peixes estão perdendo lugar para os restos de plástico que se acumulam no mar. Se nenhuma medida for tomada, em 2050 os antigos donos da casa serão minoria.

A perspectiva sombria se baseia na seguinte conta: atualmente, cerca de 8 milhões de toneladas de plástico são despejadas nos oceanos por ano, o equivalente a um caminhão de plásticos por minuto.
Mantendo o mesmo ritmo de descarte inadequado, seriam dois caminhões por minuto em 2030 e, em 2050, quatro caminhões por minuto, o que faria com que o peso total do plástico acumulado nas águas superasse o peso total dos peixes.

Esse é o cenário desenhado por um amplo estudo divulgado na última terça-feira (19) pela Fundação Ellen MacArthur, em parceira com a consultoria McKinsey, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Mas o relatório “A Nova Economia do Plástico”, como o nome já indica, não faz esse alerta para atacar o uso ou buscar alternativas que excluam o plástico. Pelo contrário, o estudo condena a deposição desastrosa no meio ambiente, reconhece o papel fundamental da indústria para eliminar o desperdício do material nos oceanos e tenta responder ao desafio de criar uma nova era virtuosa, em que o plástico não se torne jamais lixo. Para isso, serão necessárias mudanças nas maneiras de produzir, vender, consumir, desenhar e principalmente reaproveitar os plásticos.

http://folha.com/no1732302