Castelo-Escola em Boisbuchet

foto: Castelo de Boisbuchet, por Thomas Dix

Consultor internacional de vários museus para a área de design, Alexander von Vegesack criou o Museu Thonet em Boppard am Rhein, na Alemanha, organizou mostras no Centro Pompidou e no Museu d’Orsay, em Paris, e, desde 1987, trabalha no projeto do Vitra Design Museum, que fundou junto com o proprietário da fábrica de móveis Vitra.

Desde 1996, patrocina seminários, workshops, conferências e programas de residências de artistas em um castelo em Boisbuchet, no sudeste da França, para arquitetos, designers, artesãos e artistas, em parceria com o Centro Pompidou.

foto: “Papertube Architecture” , workshop de Shigeru Ban em 2001

foto: Workshop “Fête de la Lumière”, de Ingo Maurer, em 2001

Na mostra que exibe 300 peças de sua coleção na Pinacoteca Giovanni e Marella Agnelli, em Turim, há uma luminária feita por uma estudante de design em Boisbuchet e um vídeo que conta a história do centro de Boisbuchet.

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A arca do colecionador viajante

Alexander von Vegesack, 63, é hoje mais conhecido como fundador do Museu Vitra, museu que se popularizou com a série de cadeirinhas miniatura vendidas pelo mundo afora desde 1992.

Mas seu interesse e sua ligação com o mundo do design começou na adolescência, com suas viagens e a paixão por colecionar.

Começou a estudar os objetos que lhe chamavam a atenção e acabava por arrematar a partir de uma cadeira Thonet que comprou num mercado de pulgas em Hamburgo, Alemanha, segundo conta, em vídeo que integra a exposição, o designer Michele De Lucchi.

Partindo de uma cadeira, se tornou o maior colecionador de móveis Thonet do mundo, viajando em busca de exemplares de que tinha notícia.

Também se tornou um dos maiores especialistas em móveis da fábrica, fundada em 1819 por Michel Thonet e considerada a primeira a fabricar móveis em série. Publicou estudos e catálogos sobre a empresa, em conjunto com outros estudiosos e fundou um museu Thonet na Alemanha.
O interesse por Thonet derivou mais tarde no interesse por Alvar Aalto e nos móveis de metal tubular que tiveram grande impulso durante a Bauhaus.

O viés inicial da coleção teria sido, portanto, o engenho de Thonet na moldabilidade da madeira, que curvou a vapor, conseguindo formas até então impossíveis de obter com o material e dando leveza aos objetos que deixaram de precisar de encaixes e ferragens.
O mesmo engenho que Aalto exploraria nos laminados curvados que permitiram o grande impulso da indústria de design Nórdico, e que Charles e Ray Eames e Jean Prouvé expressaram nos tubulares.

São ao todo 300 os objetos expostos da coleção. Há luminárias emblemáticas (algumas que o público paulistano pôde ver na mostra Luminar, na Faap, há alguns anos), selas de montaria, uma carroça Amish, uma ala só para exemplares de móveis Thonet a alguns anônimos muito similares. Há também mobiliário de Le Corbusier, a Zig Zag de Rietvelt, Ron Arad e uma cômoda de Luis Baragan além de objetos de artesanato recolhidos em viagens.

Logo na entrada da mostra na Pinacoteca Agnelli, uma parede exibe uma coleção de 20 capas maravilhosas de várias edições das “Aventuras do Barão de Munchhausen”. A mãe de Von Vegesack se casou com um dos descendentes do barão. Começava a lenda e a viagem de descoberta.