What design can do?!

Para que serve o design?  Como podem e deveriam atuar os designers para melhorar a vida das pessoas? Começou hoje a rodada intensiva de palestras e debates do What Design Can Do? (O que o design pode fazer?), encontro anual que reúne designers de vários países, com os mais diferentes tipos de abordagem, durante dois dias, em Amsterdã, Holanda, para falar sobre a potência e a responsabilidade do design nos dias de hoje em suas acepções e utopias mais díspares. A largada para o encontro foi dada na quarta, com um passeio de barco pelos canais da cidade, partindo do portinho do hotel Americaine e terminando com um jantar de confraternização no restaurante Hotel de Goudfazant.

 

O What Deesign Can Do? está no seu terceiro ano e continua a ser inclusivo e surpreendente. O Blog Design acompanhou de longe o seminário em 2011 e 2012 e agora assiste na platéia.

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Marije Vogelzang distribui carne falsa criada por ela (foto Leo Veger)

 

Palestras sobre iniciativas em escala mundial, como o Design for Change, da indiana Kiran Bir Sethi, que atua na educação de crianças em vários países, dividem o cronograma com projetos poéticos como as comidas inventadas da holandesa Marije Vogelzang ou apresentações relâmpago de trabalhos de mestrado de escolas da Holanda, entre elas Eindhoven, Delft e a fundação Rietveld.

 

No primeiro dia de programa, os destaques da programação foram as participações do britânico David Kester; de Marije Vogelzang; do norte-americano John Bielenberg, diretor da alternativa Common; da dupla de designers do divertido Next Nature; da indiana Kiran Sethi; da holandesa Lidewij Edelkoort, curadora da bienal de moda de Arnhem e do escritor e editor italiano Carlo Antonelli, que dirigiu na Itália a Wired e a Rolling Stone, e foi diretor da gravadora Sugar.

 

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David Kester (foto Leo Veger)

David Kester tem no currículo dez anos como participante do Conselho de Design deLondres eatualmente é executivo da editora londrina Thames & Hudson. Kester também chefiou a British Design e Direção de Arte (D & AD) por nove anos, é membro do conselho do Royal College of Art, e do conselho do Home Office Design and Technology Alliance Against Crime.

 

Kester mostrou dois casos de problemas do sistema de saúde britânico em que houve intervenção inteligente com as ferramentas do design. Um deles na contenção das taxas de infecção hospitalar, pela análise do ambiente desfuncional e susbtituição de equipamentos nos hospitais, e de uma série de produtos destinados a idosos. Kester apresentou dados que mostram o crescimento do campo do design com a crise dos anos 2000 na Inglaterra e definiu o design como a conexão entre criatividade e inovação.

 

Eu estou na Holanda para a montagem da segunda fase da mostra My Waste Is Your Waste, que será aberta no sábado em Breda, na Holanda, e participo do seminário como convidada do New Institute, entidade holandesa dedicada ao design, `a arquitetura e `a cultura eletrônica e que resultou da fusão do NAI (Netherlands Architecture Institute), Premsela ( Instituto de Design e Moda) e da Plataforma Virtual, no início de 2013.

 

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Amsterdã discute impacto do design nos dias 26 e 27 de maio

Durante dois dias, profissionais, pesquisadores e palestrantes das disciplinas do amplo espectro do design – da arquitetura ao design de produto, do design gráfico ao design de moda – se encontram em Amsterdã , Holanda, para um fórum internacional de debates.

Em pauta, o valor e o papel do design na solução de problemas reais e nos desafios de projetos, estratégias e alternativas para o futuro.

A ideia é mostrar que o design é mais que moda passageira, revestimento que embeleza, tratamento superficial da forma. O design tem função social e técnica e pode mudar, melhorar, renovar, inspirar, envolver, romper, ajudar e solucionar.

A conferência What Design Can Do vai reunir 22 palestrantes, entre os quais Deyan Sudjic, diretor do London Design Museum, Oliviero Toscani, fotógrafo e diretor de arte da Benetton, a jornalista e crítica de design Adélia Borges, curadora da Bienal Brasileira de Design em 2010, e a designer Paula Dib, do estúdio Trans.forma.

Em Design não deve se tornar um esperanto, o título provocativo da palestra, Adélia Borges defende que o design pode fortalecer as expressões culturais locais no cenário contemporâneo.

A designer Paula Dib vai relatar experiências de colaboração entre artesãos e designers em projetos comunitários no Brasil e discutir o conceito de autoria.

Políticas ecológicas

Por causa do fórum internacional de urbanismo, me lembrei de um artigo da “Monocle” edição de julho e agosto. Como a revista é de restrita circulação, acho que ainda vale comentar.

Em sua 25 edição, a “Monocle” traz uma lista das top 25 cidades em qualidade de vida de 2009. É o terceiro ano que a revista faz a pequisa, usando critérios como transporte público, educação, ofertas culturais, taxa de criminalidade, horas de insolação e uma avaliação das opções e conexões de vôos internacionais.

Na reportagem de capa das 25 melhores cidades para se viver em 2009 os editores avisam que acrescentaram fatores como planos de melhorias urbanas em curso, facilidade de abertura de novos negócios e um índice de número de lojas internacionais. Segundo a reportagem, a mudança foi incentivada por que os editores receberam muitas mensagens de leitores da revista que estavam se mudando nâo apenas de emprego ou de profissão, mas de cidade e de modo de vida, como resultado direto ou indireto da crise financeira internacional.

A campeã das cidades segundo os critérios deste ano é Zurique, devido aos seus planos urbanísticos. Na sequência, Copenhagem, Tóquio, Munique, Helsinque, Estocolmo, Viena, Paris, Melbourne, Berlim, Honolulu, Madri, Sydnei, Vancouver, Barcelona, Fukuoka, Oslo, Singapura, Montreal, Auckland, Amsterdã, Kioto, Hamburgo, Genebra e Lisboa.

A “Monocle” é conhecida também pelos seus advertorials, ou informerciais, como se dizia por aqui. Ou seja, há muita pauta é motivada por

anúncio, o que mostra falta de independência editorial. No blog da agência de publicidade Raemp há uma lista de 10 exemplos de “cooperação” entre a área editorial e a área de publicidade.

Feita esta ressalva sobre o veículo, publico aqui o que achei mais interessante e que imagino não sujeito aos interesses de anunciantes a ponto de comprometer a informação: dados sobre preocupação ambiental, políticas de transporte, controle e poluição e lixo.

Em Zurique, segundo a reportagem, o lixo doméstico caiu 40% desde que os moradores tiveram de pagar por saco de lixo produzido. 51% do lixo é reciclado. A estação de transportes central da cidade deverá receber 40% passageiros a mais em 2015.

Em Copenhagem, mais de 35% dos moradores usa bicicleta para ir trabalhar ou estudar. Um novo anel de metrô deve estar pronto em 2018.

Em Tóquio, desde outubro de 2007 os ônibus municipais usam 5% de biodiesel na composição de seus combustível. Até 2016, o plano municipal é construir mais um quilômetro quadrado de área verde e plantar um milhão de árvores nas ruas.

Em Munique, há 1, 2 mil kilômetros de ciclovias. O aluguel de bicicletas custa 8 centavos por minuto, 9 euros por dia ou 36 euros por mês.

Em Estocolmo, que será a capital verde da Europa em 2010, cerca de 85% da população vive a menos de 300 metros de uma área verde. O plano é ter instalados 100 pontos de recarga de energia para veículos elétricos até o ano que vem. O ano de 2008 registrou aumento de 28% no número de usuários de bike em relação a 2007.

Em Paris, até 2014, 200 mil metros quadrados de painéis solares devem ser instalados.