Experimenta Design Lisboa 2009

Até 8 de novembro acontece em Lisboa a Experimenta Design, definida pelos organizadores como uma bienal dedicada ao design, arquitetura e criatividade, numa plataforma dinâmica, que promove discussão e reflexão. O evento se desenvolve em vários pontos da cidade.

O tema deste ano é “It’s About Time” e brinca com os dois sentidos da frase: ser sobre o tempo e ser já tempo de …

Segundo a curadora geral da Experimenta, Guta Moura Guedes, na apresentação da mostra para a imprensa, ontem, 9 de setembro, a crise econômica internacional, que teve seu pico em 2008, impulsionou várias das perguntas que a bienal procura amplificar e trazer à tona.

“Num mundo à beira do colapso ambiental e financeiro, existe uma necessidade premente de agir. Mas será que pensamos antes de agir? Está na hora de concentrar esforços numa reflexão madura e numa estratégia consistente”, escreveu o grupo curatorial no jornal de apresentação da Experimenta.

E, numa perspectiva mais ampla, prossegue o texto: “Como podem os criadores contemporâneos reconciliar a velocidade do nosso cotidiano com a necessidade de reflexão? É possível desenvolver um conceito de “design baseado no tempo”? Idéias-chaves dessa problemática estão intimamente ligadas às questões de tempo e urgência: improvisação, networking, partilha e desenvolvimento paralelo”.

A semana inaugural, de 9 a 13 de setembro, tem uma programação itensa de palestras, debates, conferências e aberturas de exposições.

Nesta edição, algumas obras realizadas durante a mostra ficarão para a cidade, como é o caso do projeto da requalificação urbana do Jardim dos Santos, processo que durou 8 meses, foi realizado por uma equipe multidisciplinar e foi financiado pela Experimenta.

Exposições como o “Action for Age”, que enfoca desafios e oportunidades para o design face ao envelhecimento da população, e “Efeito D”, design para a diferença, em prol de uma associação especializada em crianças com Síndrome de Down, em que designers de vários países foram convidados a desenhar objetos singulares na sua concepção pessoal de código genético, integram o variado programa.

“Action for Age” é um programa binacional, iniciativa da RSA, Royal Society for the Ecouragement of Arts, Manufactuers and Commerce de Londres. O projeto envolveu estudantes de design portugueses e britânicos e os resultados serão apresentados na exposição, que abre dia 12.

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Políticas ecológicas

Por causa do fórum internacional de urbanismo, me lembrei de um artigo da “Monocle” edição de julho e agosto. Como a revista é de restrita circulação, acho que ainda vale comentar.

Em sua 25 edição, a “Monocle” traz uma lista das top 25 cidades em qualidade de vida de 2009. É o terceiro ano que a revista faz a pequisa, usando critérios como transporte público, educação, ofertas culturais, taxa de criminalidade, horas de insolação e uma avaliação das opções e conexões de vôos internacionais.

Na reportagem de capa das 25 melhores cidades para se viver em 2009 os editores avisam que acrescentaram fatores como planos de melhorias urbanas em curso, facilidade de abertura de novos negócios e um índice de número de lojas internacionais. Segundo a reportagem, a mudança foi incentivada por que os editores receberam muitas mensagens de leitores da revista que estavam se mudando nâo apenas de emprego ou de profissão, mas de cidade e de modo de vida, como resultado direto ou indireto da crise financeira internacional.

A campeã das cidades segundo os critérios deste ano é Zurique, devido aos seus planos urbanísticos. Na sequência, Copenhagem, Tóquio, Munique, Helsinque, Estocolmo, Viena, Paris, Melbourne, Berlim, Honolulu, Madri, Sydnei, Vancouver, Barcelona, Fukuoka, Oslo, Singapura, Montreal, Auckland, Amsterdã, Kioto, Hamburgo, Genebra e Lisboa.

A “Monocle” é conhecida também pelos seus advertorials, ou informerciais, como se dizia por aqui. Ou seja, há muita pauta é motivada por

anúncio, o que mostra falta de independência editorial. No blog da agência de publicidade Raemp há uma lista de 10 exemplos de “cooperação” entre a área editorial e a área de publicidade.

Feita esta ressalva sobre o veículo, publico aqui o que achei mais interessante e que imagino não sujeito aos interesses de anunciantes a ponto de comprometer a informação: dados sobre preocupação ambiental, políticas de transporte, controle e poluição e lixo.

Em Zurique, segundo a reportagem, o lixo doméstico caiu 40% desde que os moradores tiveram de pagar por saco de lixo produzido. 51% do lixo é reciclado. A estação de transportes central da cidade deverá receber 40% passageiros a mais em 2015.

Em Copenhagem, mais de 35% dos moradores usa bicicleta para ir trabalhar ou estudar. Um novo anel de metrô deve estar pronto em 2018.

Em Tóquio, desde outubro de 2007 os ônibus municipais usam 5% de biodiesel na composição de seus combustível. Até 2016, o plano municipal é construir mais um quilômetro quadrado de área verde e plantar um milhão de árvores nas ruas.

Em Munique, há 1, 2 mil kilômetros de ciclovias. O aluguel de bicicletas custa 8 centavos por minuto, 9 euros por dia ou 36 euros por mês.

Em Estocolmo, que será a capital verde da Europa em 2010, cerca de 85% da população vive a menos de 300 metros de uma área verde. O plano é ter instalados 100 pontos de recarga de energia para veículos elétricos até o ano que vem. O ano de 2008 registrou aumento de 28% no número de usuários de bike em relação a 2007.

Em Paris, até 2014, 200 mil metros quadrados de painéis solares devem ser instalados.