Capítulo sobre design no Livro da Phaidon sobre a cultura brasileira contemporânea

capa do livro da Phaidon sobre cultura brasileira

capa do livro da Phaidon sobre cultura brasileira

Tive o prazer de participar escrevendo o capítulo sobre design brasileiro no livro recém lançado pela Phaidon “Brazil – a celebration of contemporary brazilian culture”, editado somente em inglês. O livro ficou lindo e tem apresentações de Alcino Leite Neto e Samantha Pearson e textos de Ana Vaz Milheiro, Kiki Mazzucchelli, Simone Esmanhotto, Rodrigo Fonseca, Rafael Mantesso, Paulo Werneck, Paulo Terron, Eder Chiodetto e Marcelo Rezende. Segue um trecho do meu texto:

“Nos últimos dez anos, nomes como os de Jader Almeida, Zanini de Zanine, Fernando Prado, Luciana Martins e Gerson de Oliveira (da OVO) exploraram caminhos estéticos diversos e aprimoraram tecnicamente sua produção de mobiliário, iluminação e utensílios, ocupando hoje espaço ao lado dos já reconhecidos designers Claudia Moreira Salles, Carlos Motta e dos irmãos Campana.

A revalorização das tradições e técnicas locais do artesanato popular e a difusão da ideia do design de interesse social no país adicionam a esse time os nomes de Renato Imbroisi, Marcelo Rosenbaum e Domingos Tótora.

O mercado editorial, as TVs e a internet mostram o crescimento da cena do design no país e ampliam a visibilidade das produções dos designers brasileiros em novas coleções de livros de referências, ensaios históricos e guias práticos, revistas, sites e programas sobre design.

Na educação, o incremento dos últimos anos foi relevante. Há atualmente cerca de 450 cursos de graduação e técnicos espalhados pelo país – relativos somente ao design de produtos e de mobiliário-, dez programas de mestrado e ao menos três doutorados, a maioria desses cursos com menos de 10 anos.”

Anúncios

Muxarabis, lustres pendentes e super adobe

Inaugurado neste início de janeiro, o Dalva e Dito, restaurante de comida brasileira do chef Alex Atala nos Jardins, em São Paulo, foi projetado e decorado por Marcelo Rosenbaum.

O espaço é grande, aberto. Tem referências de várias épocas. O resultado é cenográfico. Apesar de cheio de detalhes e objetos, o interior remete às amplas casas de fazenda, como forros altos. Evoca imagens históricas das construções do Brasil.

O mobiliário é bem escolhido, com cadeiras de palhinha e mesas com assoalho, piso de ladrilhos hidráulicos bem feito. Mas o que mais me chamou a atenção foram os enormes muxarabis, a instalação feita com lustres pendentes e as paredes de terra.

Os muxarabis, treliças de madeira, “fecham” cobertura e laterais de uma área grande em formato de caixa que se acopla ao prédio principal.

Assim como os muxarabis originais, de tradição árabe, que eram usados nos balcões que se projetavam das fachadas lisas das casas. O uso estrutural do muxarabi é muito bem feito no novo espaço.

Herança dos árabes, essas treliças passaram por Portugal e foram incorporados ao modo colonial brasileiro também em balcões, deixando entrar o vento fresco, proporcionando sombras rendilhadas e escondendo o interior das casas. Os balcões foram erradicados no século 19 e a partir dos anos 1950 os muxarabis foram revividos pelos arquitetos modernos em elementos bidimensionais, como janelas e portas.

Os lustres “genéricos” foram montados com hastes – como as pendant lamps da Bauhaus – de tamanhos variados, numa espécie de cortina luminosa. Os formatos são aqueles inspirados em linhas art deco, que se viam costumeiramente nas casas dos centros urbanos a partir dos anos 1940.

As paredes do restaurante foram feitas de super adobe, material/técnica de construção com terra. Na construção com super adobe, sacos cheios de terra são sobrepostos para erguer as paredes. Para as aberturas de portas e janelas, são colocados moldes nos formatos adequados.

No restaurante, há uma parte da parede, numa área próxima da escada que leva ao bar, com uma abertura que exibe o modo de construção com os resíduos dos sacos usados para moldar a terra.

O sistema de super adobe foi inventado nos anos 1980 pelo arquiteto iraniano Nader Khalili para a Nasa. Se você quer ver desenhos ilustrativos, dê uma olhada no site How Stuff Works.

As fotos desta página foram tiradas do blog do Rosenbaum. São de Douglas Garcia e Cassio Vasconcellos.