Acontece – Revista Bazaar

Luca Nichetto

Sofá-banco Linea, de Luca Nichetto - Foto: Divulgação

Sofá-banco Linea, de Luca Nichetto – Foto: Divulgação

Cabe numa caixa de papel de 50x50x20 cm, tem seis peças e é facílima de montar. Inspirada num clipe deBjörk, a cadeira Robo é um exemplo de sofisticação de projeto a serviço do design inteligente. De inspiração pop também, o italiano acaba de lançar o sofá-banco Linea.

Zanini de Zanine

Poltrona Trez, de Zanini de Zanine - Foto: Divulgação

Poltrona Trez, de Zanini de Zanine – Foto: Divulgação

Seu design bebe na tradição brasileira, com uso de madeira e palhinha, mas com liberdade criativa e ousadia. Em abril, o carioca mostra, em Milão, a cadeira Trez, inspirada em Amilcar de Castro e Joaquim Tenreiro. No horizonte, em 2013, mostras em NY e na Firmacasa.

Benjamin Graindourge

No sofá Scape, abas de couro em tons pastel sugerem uma geografia - Foto: Divulgação

No sofá Scape, abas de couro em tons pastel sugerem uma geografia – Foto: Divulgação

O design deste francês de 33 anos é artesanal, escultórico. Na recente Maison & Object, de Paris, ele mostrou a série de vasos Heirloom, inspirados no ikebana – que integra o recipiente às possíveis composições com as flores. Acaba de participar da mostra À Flor da Pele, da galeria Ymer & Malta, com o sofá Scape, que ele define como um país. Numa estrutura sólida de madeira, abas revestidas de couro de diversos tamanhos e combinação de 12 cores pastel insinuam uma paisagem.

Jader Almeida

A poltrona retrô Linna, de Jader Almeida - Foto: Divulgação

A poltrona retrô Linna, de Jader Almeida – Foto: Divulgação

Inovação, bom desenho e projeto construtivo e acabamento impecáveis são qualidades evidentes dos trabalhos deste designer brasileiro de 32 anos. Seu apuro estético melhora ano a ano, com peças bonitas e versáteis. E ele produz muito. Cadeiras, bancos, estantes, em madeira sobretudo, mas com uso de aço. O banco Phillips e a estante Clip são algumas de suas peças premiadas.

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A Terceira Revolução Industrial – Revista Select

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No futuro próximo, os birôs de fabricação digital dividirão as esquinas com os carrinhos de pipoca e cachorro-quente

Texto: Mara Gama

Com as impressoras 3D, o design viaja de forma barata, qualquer geometria é exequível e torna-se possível fundir coisas que não podiam ser misturadas, como música e volumes tridimensionais em ferro

Vozes e ruídos dos bairros do Grajaú, Cidade Tiradentes e da região da Santa Ifigênia, em São Paulo, se fundem ao desenho de cadeiras ícones do design paulistano. Um pote raro de cerâmica marajoara é clonado e estudado pelo mundo afora, sem risco de quebrar. Uma família manuseia uma réplica de seu bebê em gestação. São alguns projetos de designers brasileiros com impressão 3D, ou fabricação digital aditiva. A fabricação digital é um processo em que desenhos feitos ou transformados no computador são materializados. Há três técnicas: aditivas, subtrativas e conformativas (ou formativas). As aditivas produzem objetos pela sobreposição de camadas sucessivas de material líquido ou em pó, como resina, plásticos diversos, gesso ou metal, que são solidificadas, umas sobre as outras. As subtrativas removem material de um bloco, como uma escultura, com cortadoras, perfuradoras e fresas. As técnicas conformativas ou formativas moldam e curvam chapas.

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A tecnologia já existe desde os anos 1950, mas as máquinas eram extremamente caras e tinham muitas limitações quanto ao tamanho dos objetos produzidos. Por causa disso eram usadas por grandes fábricas apenas para testar seus projetos. Ficaram conhecidas como máquinas de prototipagem rápida. Com o aprimoramento constante – mais tipos de materiais para compor os objetos, possibilidade de produzir itens maiores e mais complexos – e barateamento de hardware e software, as máquinas deixaram de ser apenas adequadas para fazer testes e passaram a ser usadas para produzir efetivamente. Aí o salto. Se ainda não está disponível em cada esquina, como imagina o projeto Kiosk, a fabricação digital está disseminada e gerando frutos em alguns escritórios, ateliês e laboratórios no País, seja no formato dos FAB LABs, criados pelo pesquisador Neil Gershenfeld, do Centro para Bits e Átomos do Massachusetts Institute of Technology (MIT), como é o da FAU-USP, seja em centros ligados a institutos de tecnologia e arquitetura, como são o Núcleo de Experimentação Tridimensional (Next), da PUC do Rio, do Instituto Nacional de Tecnologia, e do Laboratório de Automação e Prototipagem para Arquitetura e Construção (Lapac), da Unicamp.

Cadeiras-manifesto

 

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As cadeiras Nóize foram criadas pelo arquiteto Guto Requena. As matrizes são a Girafa, de Lina Bo Bardi, Marcelo Ferraz e Marcelo Suzuki, a Oscar, de Sérgio Rodrigues, e a cadeira São Paulo, de Carlos Motta. Depois de captadas e modeladas em plataforma digital 3D reproduzindo seu molde físico, foram submetidas a uma deformação – com a linguagem Processing – por meio de um arquivo de áudio, obtido em gravações nas ruas dos três bairros paulistanos.

O arquivo digital resultante desse processo de mixagem foi enviado via web para a Bélgica, diretamente para uma máquina de impressão 3D da empresa I-materialize, uma das mais atuantes na área. Após a impressão em ABS – o mesmo material de alta resistência de que são feitas as peças de Lego –, as três cadeiras foram despachadas para o Brasil. São quase iguais às suas mães, mas parecem vibrar. “A forma final é o que menos importa. Ela é incômoda. Não foi a beleza que me guiou. O bom design tem de contar uma boa história, antes de mais nada”, diz Requena. A série foi encomendada para uma mostra do coletivo Amor de Madre, em que três designers não paulistas criaram odes à “beleza escondida” de São Paulo.

Não foi a primeira experiência de Requena com o mix digital com propósito poético. Para a Semana de Design de Milão de 2012 ele criou a coleção Era Uma Vez, para a empresa de vidros Guardian. Registrou pelo celular, em mp3, a voz da própria avó contando fábulas. Os registros foram usados como parâmetro e se transformaram em volumes tridimensionais, gerando as formas finais dos vasos. Mas, na hora de fabricar, Requena optou pela técnica artesanal da moldagem por sopro, em formas de ferro. O designer se diz fascinado com a riqueza de possibilidades digitais: “Quando tudo pode virar bit, tudo pode virar a mesma coisa, códigos numéricos. E você pode fundir coisas que antes não podiam ser misturadas”, diz.

Fábrica Doméstica

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“Meu filho Lucca imprimiu o dinossaurinho que desenhou”, diz o designer Jorge Roberto Lopes dos Santos (Foto: Jorge Roberto Lopes dos Santos)

O mesmo entusiasmo tem o autor Chris Anderson, editor da Wired, no seu recente Makers – The New Industrial Revolution. “A Era da Web liberou os bits; eles são criados de forma barata e viajam de forma barata também. Isso é fantástico”, escreve. Anderson defende que a “fábrica doméstica” engendra uma nova revolução industrial, porque muda o circuito da produção. “Vimos como o modelo de democratização inovador da web impulsionou o empreendedorismo e o crescimento econômico. Imagine só o que um modelo similar pode fazer na macroeconomia do Mundo Real. Isso já está acontecendo. Há centenas de empreendedores emergindo hoje do Maker Movement, industrializando o espírito do DIY (do-it-yourself, faça você mesmo)”, escreve o autor.

O designer carioca Jorge Roberto Lopes dos Santos concorda com Anderson. “Espero por isso há muito tempo. Com a possibilidade cada vez maior de as próprias pessoas interferirem digitalmente em modelos virtuais 3D e com o rápido avanço das impressoras 3D imprimindo em materiais diversos, teremos num futuro breve o mesmo impacto que os braços robôs tiveram na indústria. Com a impressão 3D, a cadeia lógica de produção é quebrada, pois se passa a não ter moldes, matrizes etc. E qualquer geometria passa a ser exequível, o que dá uma incrível liberdade projetual para os designers”, diz. Lopes acaba de voltar da primeira 3D Printshow, em Londres, evento novo que reúne cientistas, programadores, engenheiros e designers, e cujo slogan é algo como “A internet mudou o mundo nos anos 1990. O mundo está em vias de mudar de novo”.

A Serviço da Ciência

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Coletivo belga Unfold questiona autoria e originalidade por meio da impressão 3D

Com o paleontólogo Sergio Azevedo, do Museu Nacional, Lopes expôs na 3D Printshow diversos trabalhos seus, como modelos de um crânio de crocodilo extinto, uma múmia egípcia de gato tomografada – mostrando o esqueleto dentro da múmia – e dois vasos marajoaras raros escaneados e impressos em 3D. Além de dez modelos de fetos em diferentes fases gestacionais. O designer é reconhecido internacionalmente por esse projeto, o de imprimir modelos de fetos, já patenteado e com o qual tirou seu Ph.D., em 2009, no Royal College of Art (RCA), em Londres, sob orientação do designer Ron Arad. Um modelo do filho Lucca ainda na barriga da mãe faz parte da coleção permanente do Science Museum, em Londres. Lopes começou a trabalhar com impressão 3D ainda na década de 1990. Em 1997, entrou para o Instituto Nacional de Tecnologia, onde criou o primeiro laboratório de impressão 3D do Brasil, o Laboratório de Modelos Tridimensionais (Lamot).

Ali foi colocada também a primeira impressora 3D do Brasil. Atualmente, ele trabalha na PUC-Rio como pesquisador do Departamento de Design e coordenador do Núcleo de Experimentação Tridimensional. É no Next que acompanha um trabalho de impressão 3D para construção civil, para imprimir casas – baseadas na análise de composição da casa do pássaro joão-de-barro. E desenvolve artigos esportivos digitalmente personalizados para atletas para a empresa Tecnologia Humana 3D. “Estamos escaneando atletas e imprimindo para eles óculos de natação, caneleiras e capacetes.”

Na Bienal de Design de Belo Horizonte, encerrada no fim de outubro, Lopes participou do painel Emergent Technologies, em que apresentou para a plateia de designers presentes a impressora Rep Rap, que tem por princípio a própria replicação. “Li uma matéria no The New York Times, em 2003, em que um pai dizia para o filho: ‘Se você se comportar, mais tarde vou te imprimir um brinquedo’. Finalmente, hoje em dia é uma realidade. Fiz isso com meu filho Lucca. Ele imprimiu o dinossaurinho que desenhou.”

Imprima seu Philippe Starck no quiosque ao lado

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Foto: Roberto Stelzer

Kiosk, baseado na novela homônima de Bruce Sterling, de 2007, é um projeto do coletivo belga Unfold , que explora a ideia de um futuro próximo em que os birôs de fabricação digital serão ambulantes e dividirão as esquinas com os carrinhos de pipoca e cachorro-quente. No Kiosk, você pode materializar uma cópia pirata de um design famoso, como o espremedor de sucos de Philippe Starck ou o vaso de ondas de Alvar Aalto, de plástico, ou imprimir um objeto criado por você. O projeto quer provocar discussão sobre autoria, originalidade e sobre o papel do designer quando os produtos viram projetos digitais e podem ser apropriados. O Kiosk foi exposto na mostra After the Bit Rush – Design in a Post Digital Age, em Eindhoven, na Holanda, em 2011, e no Salão de Milão de 2012.

Endless: uma cadeira feita com restos de geladeira

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Foto: Roberto Stelzer

Endless, de Dirk Vander Kooij, ganhou prêmio na DMY, Festival Internacional de Design de Berlim, em 2011. Surgiu como trabalho de conclusão de curso para a Academia de Design de Eindhoven, na Holanda. Endless evoca as infinitas possibilidades do material sintético. O designer reprogramou um robô industrial antigo para a impressão de objetos. O robô compõe o desenho em camadas, com um fio de material obtido da reciclagem de peças de interior de geladeiras. A ideia foi fazer um processo de produção flexível. “Pouco tempo atrás, móveis de plástico só poderiam ser fabricados por moldagem por injeção. Os moldes são caros e só vale a pena fazer para grandes tiragens. Este novo processo permite que o designer modifique o projeto cada vez que uma peça é produzida, sem despesa adicional, seja para aprimorar algum aspecto, seja para atender o pedido de algum usuário”, explica.

 

 

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*Publicado originalmente na edição impressa #9.

Raspas e restos da Holanda e do Brasil – MWYW project

My Waste Is Your Waste

Sofá, peça de Rodrigo Bueno para a exposição do projeto My Waste Is Your Waste

Artistas e designers brasileiros e holandeses vão trabalhar num ateliê vivo a partir de 6 de novembro no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. Eles vão revirar lixos do museu – restos de suportes, banners, painéis de exposições passadas, lixos do jardim e lixos da cidade, por cinco dias, e conceber uma obra coletiva que será apresentada no dia 10 ao público.

 

My Waste is Your Waste

Garrafas de Klaus Kuiken

O projeto “My waste is your waste” (meu lixo é seu lixo) foi idealizado pela curadora holandesa Joanna van der Zanden, em colaboracão com o MOTI,  Museu da Imagem de Breda, na Holanda, centro de referência em cultura visual – design, fotografia, artes visuais, arquitetura e ciências. No Brasil, ganhou a tradução “Re-design: brasileiros e holandeses experimentam descartes” e a parceria do MCB. Fui convidada a fazer a curadoria  brasileira. Selecionei e convidei os artistas de São Paulo, preparando posteriormente suas apresentações de textos e fotos para a exposição. Foi um trabalho de um semestre que agora chega ao seu ponto alto: o encontro dos participantes na mostra e no trabalho coletivo.

My Waste Is Your Waste

Obra de Thiago Bender

A ideia foi promover um intercâmbio entre designers e artistas dos dois países que já têm trabalhos com resíduos, com abordagens bastante diferentes. As fotos deste post, que são de trabalhos já produzidos pelos artistas, exemplificam.

My Waste is Your Waste

obra de Jan Eric Visser

A primeira parte do projeto é a mostra que apresenta as obras dos seis participantes ao público – Christian Ullmann, Rodrigo Bueno e Thiago Bender, pelo Brasil, e Klaas Kuiken, Jan Eric Visser e o coletivo Refunc, pela Holanda. Cada artista expõe uma obra, acompanhada por um painel com fotos de outros trabalhos com resíduos e uma biografia.

My Waste Is Your Waste

Obra de Christian Ullmann

Em seguida, começa a fase do trabalho conjunto, que inclui visitas a ateliês, cooperativas e pontos de reciclagem em São Paulo. O resultado desse trabalho de intercâmbio será mostrado a partir do sábado, 10 de novembro.

 

My Waste is Your Waste

Obra do coletivo Refunc

 

 

Abertura: 6 de novembro, terça-feira, 19h30

Visitação: até 25 de novembro

Museu da Casa Brasileira : av Faria Lima, 2.705 – Jd. Paulistano

A arte de fazer nada virar alguma coisa – entrevista com Maria Cecília Loschiavo dos Santos

 

Dois dos pilares da transição para a economia verde estão no horizonte da filósofa Maria Cecilia Loschiavo dos Santos: a gestão responsável do lixo e a inclusão social.

Autora de um dos mais importantes estudos de história do design do país -“Móvel Moderno no Brasil” (1995, Edusp)-, ela integra o Centro Multidisciplinar de Estudos em Resíduos Sólidos da Universidade de São Paulo.

Ao estudar o descarte e o reuso do mobiliário no ambiente urbano, ela entendeu que a cadeia da reciclagem no país extrapola o ciclo estritamente ambiental: é fundamental na inclusão social de um contingente de pessoas em situação de miséria nas grandes cidades.

Maria Cecilia considera que a transformação do lixo em matéria, da desvantagem em vantagem, é parte da cultura do design brasileiro. Para ela, a nova política sobre resíduos é a “lei do design”.

Folha – Como a sra. começou a estudar o lixo?

Maria Cecilia Loschiavo dos Santos – Foi pelo mobiliário que cheguei ao amplo tema da sustentabilidade. Após terminar meu trabalho [que resultou no livro citado], em 1993, observei o mobiliário moderno sendo descartado no espaço urbano. Nas casinhas de guardas privados de bairros nobres de São Paulo via um assento de uma cadeira dinamarquesa encima de um caixote de frutas e tentava entender essa recolocação. Passei a prestar atenção nesse material junto das pessoas que viviam nas ruas. E o descarte do mobiliário me levou ao descarte de seres humanos. O que me cabia, diante desse intrigante fenômeno, era compreender o habitat desta população.

Por que a sra. considera que a nova política de resíduos é a “lei do design”?

A política nacional não menciona a palavra design, mas ela trata do projeto, do consumo, do descarte, enfim, dos produtos que o design produz. A nova lei oferece uma oportunidade imensa para o design brasileiro. Em dezembro passado, ao apresentar a obra da Lina Bardi (1914-1992) numa palestra em Nova York, consegui evidenciar que essa filosofia da transformação da desvantagem em vantagem é parte da cultura vernacular brasileira, da cultura material, do nosso design, da capacidade de superação que se manifesta naqueles objetos que a Lina recolheu e que expôs. Isso está também na raiz da mentalidade dos catadores, a sabedoria dessa população que, numa situação de miséria absoluta, transforma nada em alguma coisa.

Como a universidade está contribuindo com esse assunto?

A universidade tem o que há de mais importante, que é a vontade dos alunos, o engajamento nos temas da sustentabilidade. Em 2011, a USP criou o primeiro Centro de Estudos Multidisciplinares em Resíduos Sólidos, que trará propostas e possibilidades tecnológicas na geração de patentes para trabalhar com esses materiais. Estamos compartilhando os resultados do nosso trabalho para criar bancos de dados sobre resíduos no Brasil.

Do ponto de vista político, o que falta?

Já temos massa crítica científica e tecnológica de altíssimo nível. Mas temos que gerar patentes e estabelecer um diálogo com os industriais. No setor farmacêutico, nós quebramos patentes importantes para a saúde da população. Acredito que, no setor dos resíduos, vamos conseguir criar esse diálogo com as decisões industriais, da universidade, da política. Só que, na base disso tudo está o cidadão, com seu comportamento diário. Do ato da compra ao ato do descarte. E, nessa cadeia, a dona de casa tem um papel fundamental.

Qual é melhor forma de tratar os resíduos?

Não há uma resolução única. Quando a gente pensa a reciclagem do resíduo, pensa também em um componente comportamental, psicológico, antropológico, da relação do ser humano com seus bens. É necessário o envolvimento de cada cidadão na valorização do resíduo, no reconhecimento de que ele tem valor econômico. Um outro ponto é a prevenção do resíduo na fonte. Você tem de começar a comprar produtos no supermercado que reduzam o resíduo na fonte.

É factível extinguir os lixões no Brasil até 2014?

O volume de recursos que os resíduos movimentam é muito grande. Há interesses enormes. No Brasil ainda há pessoas em situação de miséria obrigadas a recorrer aos lixões para alimentar suas famílias. A meta “sem lixões em 2014” é uma decisão correta do ponto de vista sanitário, ambiental e da dignidade humana. Vai colocar o Brasil em outro patamar sanitário. Mas não adianta só erradicar os lixões. É preciso que haja investimento em infraestrutura urbana nos mais de 5.000 municípios, para tratamento de seus resíduos.

A incineração deve ser adotada?

É um tema muito polêmico dentro da lei. Em alguns países, por causa do perfil energético, a incineração é necessária, como é o caso da Suécia, porque eles não têm outras fontes de energia. Mas há alternativas a ela. Há filtros, há uma série de tecnologias disponíveis hoje.

Como distinguir um projeto de design sustentável de um não sustentável?

Precisamos nos despojar da visão glamorizada, fetichizada dessas duas palavras. Há parâmetros. Existe a pegada ecológica, a hídrica, a energética. Há cálculos e teoria para isso. Mas tudo tem de estar associado a uma consciência, porque trabalhar com reciclagem e sustentabilidade tem a ver diretamente com uma reciclagem de nós mesmos.

 

Design para um Mundo Complexo – Livro de Rafael Cardoso

Impresso e encapado em papel kraft, com desenhos ilustrativos em vez de fotos, o novo livro do historiador e escritor Rafael Cardoso embala em formato de bolso um interessante desafio.

Na introdução, ele escreve que “Design para um Mundo Complexo” é homenagem e revisão crítica de um dos títulos mais importantes da área, “Design for the Real Word: Human Ecology and Social Change” (1971) (design para o mundo real: ecologia humana e mudança social), do arquiteto austríaco Victor Papanek (1927-1998).

Papanek foi um dos precursores do design sustentável. Com visão humanista, criticou, naquele livro fundamental, o design cosmético, descolado da solução dos problemas cotidianos.

Cardoso, professor da Escola Superior de Desenho Industrial do Rio de Janeiro, atualiza essas questões à luz da globalização e da virtualização contemporâneas.

“O ‘mundo real’ de Papanek já não é o mesmo”, escreve. A “explosão do meio digital nos últimos 25 anos” transformou “de modo profundo a paisagem econômica, política, social e cultural.”

Uma alteração radical do modo de experimentar o tempo e o espaço alterou as ideias sobre forma, função, adequação, significado e utilidade.

“Quando se preserva a fachada de um prédio antigo, mas se altera completamente sua planta e sua disposição interior, a forma continua a mesma?”, pergunta o autor.

Na conclusão, ele enumera o que considera “novos valores para nortear o design em tempos sombrios”.

Deles, o pensamento sistêmico é o principal, ao qual se devem somar linguagem inventiva, maestria da realização e do acabamento, empreendedorismo, responsabilidade ambiental e inclusão social. Sem dispensar, por fim, a erudição, vista como sólida e ampla formação cultural.

DESIGN PARA UM MUNDO COMPLEXO

AUTOR Rafael Cardoso
EDITORA Cosac Naify
QUANTO R$ 45 (264 págs.)
AVALIAÇÃO ótimo

IF Design premia 18 produtos brasileiros na edição 2012

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Livro Branco da Troyart, de Roberto Stelzer e Nelson Schiesari

Dezoito produtos brasileiros – entre eles um caminhão, duas pranchas de surfe, poltronas, revestimentos, têxteis e um livro de papel para montar – foram premiados na edição de 2012 do IF Design Awards,  um dos mais importantes e abrangentes concursos internacionais de design. A entrega foi na última sexta, 10 fevereiro em Hanover, na Alemanha.

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cadeira de Jader de Almeida

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prancha da Crocco Design

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pufe Carambola de Sérgio J. Matos

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favo verde da Fibrarom

Eles foram escolhidos num total de 4.300 inscritos de 48 países e ganham o selo de qualidade de design reconhecido mundialmente. Participarão da mostra de Hanover, sendo depois exibidos em Hamburgo (Alemanha) e na China.

Cada país constitui um júri local que faz uma pré-seleção, com os mesmos critérios da matriz, e envia ao júri internacional os seus eleitos. Este ano, foram 308 inscritos no Brasil e, destes, 100 enviados para a segunda fase na Alemanha.

Entre os participantes e vencedores de prêmios estão grandes corporações internacionais, mas também pequenos estúdios.  No Brasil, as microempresas dominam. Segundo a entidade que coordena a participação brasileira, 67 das empresas vencedoras no país são micro (sete no total), seguidas por cinco pequenas, quatro médias e duas grandes empresas. Do ponto de vista regional, foram nove premiados na região Sudeste, seis da região Sul e três na região Nordeste do país.

Desde 1953,  o iF (International Forum Design) seleciona anualmente projetos nas categorias produto, embalagem e comunicação.

Só para produto são 16 subcategorias – transporte, estilo de vida, áudio e vídeo, telecomunicações, computadores, escritório, luz, mobiliário, banho, edifício, interiores e design ambiental, medicina e saúde, indústria, veíiculos especiais e estudos avançados.

Os critérios de análise são qualidade do projeto, acabamento, escolha de materiais, grau de inovação, impacto ambiental, funcionalidade, ergonomia, legibilidade de uso, segurança, valor da marca e acessibilidade.

Para o design de embalagem, além destes critérios, são considerados também aspectos de produção e logística e características simbólicas das peças.

O design de comunicação é dividido em mídia digital, interfaces de produto, mídia impressa, crossmídia, arquitetura corporativa e jogos. Entre os critérios, estão comunicação com o público-alvo específico, usabilidade (entendida como facilidade de uso, navegação, funcionalidade) e singularidade (criatividade, inovação, originalidade).

As participações brasileiras são coordenadas pelo Centro de Design, que promove o concurso Design Excellence Brazil, iniciativa do Ministério da Indústria e Comércio Exterior (MDIC), com patrocínio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil),  do Sebrae e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Veja a lista dos 18 premiados de 2012

Agrale 2012 (Caminhões) – Design: Questto|Nó (São Paulo/SP)

Empresa: Agrale (Caxias do Sul/RS)

e-board (Prancha de Surfe) – Design: SW e Quatro Design (São Paulo/SP)

Empresa: e-Board (São Paulo/SP)

Crocco Studio + Ogro (Produto/Esporte) – Design: Crocco Studio (Porto Alegre/RS)

Empresa: Crocco Studio (Porto Alegre/RS)

Livro Branco n°1 (Livro com personagens para montar e personalizar) –

Design: Troyart (São Paulo/SP)

Empresa: Troyart (São Paulo/SP)

GertecREP (Relógio de ponto eletrônico) – Design: Questto|Nó (São Paulo/SP)

Empresa: Gertec (Salvador/BA)

Flip (Arandela ou luminária de mesa) – Design: Iluminar (Nova Lima/MG)

Empresa: Iluminar (Nova Lima/MG)

D’art (Luminária) – Design: ITAIM Iluminação (Embu das Artes/SP)

Empresa: ITAIM Iluminação (Embu das Artes/SP)

Smile (Cadeira) – Design: Doimo Brasil (Ribeirão das Neves/MG)

Empresa: Doimo Brasil (Ribeirão das Neves/MG)

Pufe Carambola (Pufe) – Design: Sérgio J. Matos Studio Design (Campina Grande/PB)

Empresa: Sérgio J. Matos Studio Design (Campina Grande/PB)

Cube (Poltrona) – Design: frauendorf (São Paulo/SP)

Empresa: frauendorf (São Paulo/SP)

Euvira Rocking Chair (Poltrona) – Design: Jader Almeida design&architecture (Chapecó/SC)

Empresa: sollosbrasil – Para América Latina (Princesa/SC)

Catavento (Revestimento de parede) – Design: Renata Rubim Design & Cores (Porto Alegre/RS)

Empresa: Solarium Revestimentos (São Bernardo do Campo/SP)

Praga (Piso) – Design: Renata Rubim Design & Cores (Porto Alegre/RS)

Empresa: Solarium Revestimentos (São Bernardo do Campo/SP)

Vaso Kony (Vaso ou Cachepot) – Design: Punch (Rio de Janeiro/RJ)

Empresa: Punch (Rio de Janeiro/RJ)

favo verde (Ecológico) – Design: Fibrarom (Maceió/AL)

Empresa: Fibratom (Maceió/AL)

en.Lite (Equipamento eletrônico) – Design: Dangelo Di (Curitiba/PR)

Empresa: Dangelo Di (Curitiba/PR)

Linha Premium Elber (Ferragens para vidro temperado) – Design: Megabox Design (Quatro Barras/PR)

Empresa: Elber Ferragens (Curitiba/PR)

Nexto Series (Controladores programáveis) – Design: Altus Sistemas de Informática (São Leopoldo/RS)

Empresa: Altus Sistema de Informática (São Leopoldo/RS)