Bawa mostra arquitetura `verde’ no Masp

MARA GAMA
EDITORA-ADJUNTA DA ILUSTRADA

Chegou a São Paulo na manhã de ontem o arquiteto cingalês Geoffrey Bawa. Ele inaugura amanhã no Masp uma mostra de 64 painéis fotográficos.

Na quinta-feira, Bawa detalha suas obras com projeção de slides no grande auditório do Masp.

Bawa, 75, começou na arquitetura pelo paisagismo, em 1950. Usa em seus projetos elementos da tradição construtiva portuguesa e é um tido como o grande sintetizador das influências variadas da arquitetura do Sri Lanka. É o autor de vários hotéis, jardins e prédios públicos.

O arquiteto veio ao Brasil a convite do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi e do Masp.

A seguir, trechos da entrevista concedida à Folha.

Folha – O sr. já disse uma vez que é impossível explicar a arquitetura com palavras. O sr. acha que é difícil entender arquitetura?

Geoffrey Bawa – As pessoas entendem e gostam da boa arquitetura. Talvez elas não sejam capazes de descrevê-la ou fazer uma crítica específica, mas elas podem sentir os espaços. Um exemplo disso é que as pessoas ainda hoje constroem seus próprios espaços. Apesar de a sociedade ter destruído alguns valores do espaço natural das pessoas, elas ainda podem reconhecer os bons espaços.

Folha – Atualmente, quais os valores mais importantes para o sr. no projeto arquitetônico?

Bawa – O mais importante é fazer com que as pessoas se sintam confortáveis nos espaços. Como a obra deve se relacionar com seu entorno. Em uma frase: me preocupo com a abordagem humana do projeto.

Folha – Quais são os destaques de sua exposição no Brasil?

Bawa – O jardim Lunuganga, de 1950, porque foi o projeto que me despertou a curiosidade e a vontade de trabalhar com arquitetura. Também a Ruhuno University e a Yahapath Endera Farm School, obras econômicas com resultados satisfatórios. Elas são transformadas pela constante modificação da paisagem.

Folha – Sua concepção de construção é fortemente influenciada pelo caráter natural do terreno, pela vegetação e topografia. Qual a cidade mais bem construída nesse aspecto?

Bawa – Não tenho uma cidade específica para citar, mas gosto de boas cidades, incluindo grandes metrópoles que levam em consideração o valor humano. Paris, Londres e muitas outras cidades européias e San Francisco, nos EUA.

Folha – Que influência teve a arquitetura portuguesa em seus projetos?

Bawa – Conscientemente, nenhum aspecto específico. Vejo algo, acho bonito, interessante, e penso que um dia posso usar aquilo em um projeto. O que gosto muito da arquitetura portuguesa são as torres semicirculares, os trabalhos em pedra e os ornamentos. A influência portuguesa vem da invasão que ocorreu entre os anos de 1505 e 1656 no Sri Lanka e dela nós herdamos uma atitude de construção, além dos elementos específicos. Depois os árabes trouxeram um pouco da arquitetura do mediterrâneo também. Isso gerou uma herança vernacular que durou até antes do modernismo e agora alguns querem trazer de volta.

Folha – O que o sr. conhece da arquitetura brasileira?

Bawa – Conheço Brasília, cidade pura e monumental, e gosto dos trabalhos de Burle Marx.

Exposição: A Arquitetura de Geoffrey Bawa
Onde: Museu de Arte de São Paulo (av. Paulista, 1.578)
Quando: de amanhã (4 de outubro) a 19 de novembro
Abertura: amanhã, às 19h30
Palestra: dia 5 de outubro, às 19h30

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