Exposição: MuBE revela boas surpresas em design

Irmãos Campana, Luciana Martins, Gerson de Oliveira e Jacqueline Terpins abrem mostra hoje em SP

Marisa Cauduro/Folha Imagem

‘Animado’, tapete em grama sintética e pele criado pelos Campana

MARA GAMA
do Universo Online

Uma mostra marcada para 98 na galeria Inter Nos de Milão uniu os designers Humberto e Fernando Campana, Luciana Martins e Gerson de Oliveira e Jacqueline Terpins num projeto comum. Antes da exposição italiana, os cinco exibem uma pequena amostra -“Subjetos”- a partir de hoje.

Não é uma coletiva temática. Os irmãos Campana mostram uma cadeira, um tapete, duas luminárias, uma estante e um objeto. Luciana Martins e Gerson de Oliveira produziram uma mesa, quatro vasos, uma estante e um espelho/luminária. Jacqueline Terpins expõe mais de 20 peças em vidro.

Planos -encurvados, dobrados ou maleáveis- são o tema da última fornada de Humberto e Fernando Campana. Desde 93 sem expor em São Paulo, os irmãos Campana surpreendem quem conhece suas antigas criações. Sem medo da indústria, facilitaram seu próprio trabalho com processos mecanizados. Com isso, depuraram forma e acabamento.

Os seus objetos ficaram também mais fáceis de usar. Uma prova é a estante “Labirinto”, com apenas quatro parafusos para prender nas pontas as três placas de alumínio naval dobradas. O despojamento que marca a exposição chega à delicadeza na cadeira “Cone” -um plano encurvado transparente, com apenas quatro parafusos fixados na estrutura em aço inox. O humor começa nas luminárias “Trapo”, retângulos de borracha presos nas pontas por parafusos e vasados por calotas de polipropileno, e chega ao tapete “Animado”, um retângulo de grama sintética com aplicação de pele de vaca.

Os Campana criaram também num novo objeto. “Esse é o nosso plano gasoso”, apresenta Humberto. “Objeto” está entre a luminária e o tapete: uma manta de lã de vidro envolve uma lâmpada protegida por uma calota. Os preços das peças dos Campana vão de R$ 800 a R$ 3 mil.

Uma mesa, um crucifixo, um espelho. Uma receita perfeita para uma sala qualquer de uma família católica. Mas a sala que se forma com os objetos de Luciana Martins e Gerson de Oliveira não tem nada de comum. Para começar, a mesa é sensível. Ao sentar-se, você empurra com suas pernas um tecido flexível (elastex) que é preso na estrutura em tubos da mesa. E a experiência não é individual. Com um tampo de vidro, todos os que estiverem à mesa assistem o cruzar e descruzar de pernas.

Não é apenas engraçado. É surpreendente. A mesa “Mientras Tanto” (Enquanto Isso) aperfeiçoa a sacada da cadeira “Cadê”, de autoria da mesma dupla, que ganhou prêmio do Museu da Casa Brasileira e que tem seu lançamento hoje, na Forma. As duas peças mostram uma opção clara na direção de um desenho criativo e bem-humorado, que não se resume ao comentário sobre a função.

O mesmo pode ser dito da estante “Palavras Cruzadas”, uma cruz de embuia para prender na parede como crucifixo. A série de quatro vasos, em vidro de laboratório (boro-silicato) trabalhado a partir de tubos manipuláveis, segue o formato da matéria-prima e alude ao movimento da respiração, com cavidades de larguras diversas. “Quis fazer infláveis rígidos”, brinca Gerson.

O mesmo humor está em “Avenida da Consolação”: 105 lâmpadas espelhadas em um suporte de espelho. A fiação fica exposta na parte de trás. Os preços das peças de Luciana e Gerson vão de R$ 1,5 mil a R$ 4 mil.

Jacqueline Terpins prossegue no registro do processo de produção do vidro. O pretexto da função praticamente sumiu. Dos vasos, só sobraram os vazios internos. As peças se assemelham a casulos que deixam ver camadas e texturas sobrepostas. “Decidi não lapidar mais as peças e nem polir as bocas. O que me interessa é congelar o momento mais interessante”, diz Terpins. O fim do acabamento não indica, porém, um pretenso “naturalismo”. Com a técnica cada vez mais apurada, Terpins consegue reproduzir as cores da incandescência na peça mais interessante da sua coleção. Os preços das peças vão de R$ 1,1 mil a R$ 4,5 mil.

Mostra: Subjetos Abertura: hoje, às 20h Exposição: até 21 de novembro; de terça a domingo, das 10h às 19h Onde: Museu Brasileiro da Escultura (r. Alemanha, 221, tel. 011/881-8611 ou 881-8563)

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