Da República ao Castelo

Nos anos 90, durante os primeiros anos do processo de reunificação das Alemanhas, vários edifícios públicos ficaram abandonados, enquanto fermentava a discussão sobre o que fazer com o “legado” arquitetônico da antiga República Democrática da Alemanha em Berlim. Apesar do discurso conciliador e de inclusão, entre os ideólogos da nova Alemanha já havia os que recusavam de todas as formas os símbolos da DDR.

De outra parte, desde antes da queda do muro, no meio artístico e entre os estudantes, jovens trabalhadores, imigrantes e aqueles com menos estabilidade social, se desenvolveu uma cultura de reciclagem ativa, com a ocupação de centros comerciais, hospitais, prédios abandonados, para reuso em centros culturais, espaços comunitários, escolas.

No fogo cruzado entre as duas forças ficou o Palácio da República, antiga sede do governo da DDR, ainda hoje em obras.

Um movimento de salvação do Palácio foi lançado. Vários intelectuais e artistas defenderam a manutenção do edifício como símbolo da superação do regime fechado e da vitória da democratização.

O artista norueguês Lars Ramberg, que esteve na última (27º) Bienal Internacional de São Paulo (2006), criou um projeto de intervenção e rebatizou o prédio de “Palast des Zweifels” (Palácio das Dúvidas). Na fachada, “Zweifel”.Em linhas modernas, construído nos anos 1970, com revestimento de aço, mármore e janelas de vidro em tom de bronze e espelhado, o prédio proporcionava amplas visuais da área dos museus de Berlim e refletia os prédios em sua fachada. Em seu interior, centenas de lâmpadas faziam uma decoração marcante, exagerada e datada.

Por causa das lâmpadas e por ter sido erguido durante o governo do presidente Erich Honnecker, acabou ganhando o apelido de Erich Lampenladen (loja de lâmpadas do Erich).

Além do uso administrativo, o prédio tinha uma função de espaço social na vida de Berlim Oriental. Com centro comercial, restaurante, teatro e discoteca, ali eram feitos casamentos e festas.

Dez anos depois da queda do muro, entre 1998 e 2003, componentes de amianto usados na construção foram retirados do edifício, por causa da toxidade, destruindo sua fachada e acabamentos.

A decisão final do governo foi demolir o prédio – para tristeza dos que defendiam sua permanência e recuperação, por seu valor histórico – e construir em seu lugar uma réplica do castelo prussiano de Frederico II, que foi bombardeado durante a Segunda Guerra e demolido em 1949.

Segundo o projeto, nas novas instalações do castelo haverá centro cultural, galerias de arte, centro de conferências e restaurante.

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