Um Norman Foster para os elefantes indianos da Dinamarca

O Zôo de Copenhagem é a instituição mais visitada da Dinamarca: recebe cerca de 1,2 milhão de visitantes por ano. Fica no parque histórico da cidade, na mesma área do Fredriksberg Palace, e acaba de ganhar uma nova atração muito bacana: uma casa nova para os elefantes indianos, desenhada pelo escritório do arquiteto britânico Norman Foster. A casa nova foi inaugurada no último dia 10 de junho, com pompa e circunstância – o que no reino da Dinamarca significa a presença dos príncipes.

A nova ala, que ocupa 10% de toda a área do zôo, reestrutura uma antiga unidade erguida em 1914.

Foi um salto na qualidade – e no estilo – de vida dos elefantes. O antigo nicho era uma estrutura que copiava um templo grego, sem espaço para os bichos se moverem ou brincarem, com piso de brita, pedra e concreto.

É o primeiro projeto da Foster + Partners, fundada em 1967, para zôos. Segundo a descrição do projeto feita pelo escritório, a nova casa dos elefantes realiza três programas: provê um ambiente estimulante para os animais, recriando a atmosfera do seu habitat natural; dá acesso facilitado para o público desfrutar da visão e da proximidade dos bichos e consegue conectar visual e estruturalmente o zôo ao parque onde ele está inserido.

O projeto, que durou quatro anos, contou com estudo sobre o comportamento dos elefantes na natureza e, talvez, algum romantismo imaginativo, como por exemplo a decisão de usar a cor terracota para as estruturas verticais que servem de isolamento entre os animais e o público, provavelmente pela similaridade com as cores da paisagem da Índia.

Na composição das áreas de “playground”, foi utilizada areia. Uma piscina de 3 metros de profundidade e 60 metros de extensão é uma das grandes atrações externas.

Como muitos projetos “para humanos” de Foster, foram erguidas duas estruturas em domos. Um deles com 45 x 23 metros e o outro com 30 x 15 metros, este menor para abrigar machos briguentos em época de hormônios ativados.

Com cobertura transparente, os domos permitem a percepção das mudanças de luminosidade. Na cobertura, foram aplicadas imagens de folhas, que simulam sombras das copas de árvores.

As áreas cobertas ficam abertas para o ir e vir dos bichos, que podem passar a noite todos juntos, caso queiram.

“Foi um prazer trabalhar no projeto. Os especialistas nos disseram que os elefantes estão mais felizes e começaram a comer melhor e brincar como nunca”, disse John Jennigns, o arquiteto da Foster + Partners que esteve à frente do projeto, para a divertida reportagem de Jonathan Glancey para o Guardian, com fotos de Lina Ahnoff. Na reportagem, Glancey faz duas listas de marcos da arquitetura de zôos: a lista dos projetos que são divertidos para os humanos e não tanto para os bichos e a lista dos projetos que são corretos para ambos.  Para quem conhece e adora zôos, é uma imperdível leitura!

Norman Foster, um dos mais prestigiosos arquitetos europeus, foi prêmio Pritzker de 1999, e seu escritório tem atuação internacional para grandes empreendimentos, estádios, instituições culturais, governos. Dois exemplos marcantes de Foster na paisagem européia são o Reichstag, em Berlim, e o City Hall, em Londres. Abaixo, duas imagens do Reichstag, em Berlim.

A novo zôo amplia para o reino animal a filosofia do escritório: “Foster + Partners has always been guided by a belief that the quality of our surroundings has a direct influence on the quality of our lives, whether that is in the workplace, at home or in the public realm.” Abaixo, foto do City Hall, de Londres.

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