Designer da Ferrari quer projetar interiores no Brasil

Os projetistas da Ferrari lançaram na última segunda, 17, o primeiro produto com uma empresa brasileira.

É o iate Phantom 600, produzido pelo estaleiro catarinense Schaefer com design interno da Pininfarina e apresentado na feira São Paulo Boat Show. Capacidade para 16 pessoas, 3 suítes, preço de R$ 5 milhões a R$ 6 milhões.
A Pininfarina quer fazer interiores. Hotéis, centros de convenções, carros, barcos, aviões estão na mira do italiano Paolo Pininfarina, 53, atualmente o único da família na empresa, fundada pelo seu avô há 82 anos.
Responsável por transformar a empresa numa plataforma internacional de design, o engenheiro Paolo considera o Autolib, sistema de carros elétricos que fez para a Bollore na França, “o maior projeto de mobilidade elétrica coletiva do mundo”.
Sobre a economia italiana, diz que o país se arrisca a sucatear a indústria porque não investe em pesquisa e inovação. “É um desastre.” A seguir trechos da entrevista concedida em São Paulo.

 
Como pretende atuar no Brasil?
Paolo Pininfarina – Em design de interiores. Devemos montar equipes com participação de jovens daqui. Sangue novo é fundamental.

Como se estrutura a equipe de design da empresa?
Ha dois times criativos -o automotivo e o não automotivo. O automotivo é histórico, com cerca de 60 pessoas. A equipe não automotiva nasceu nos anos 1990 e tem 30 designers. Time é fundamental. Nenhum de nós diz “eu fiz”. Dizemos “fizemos”. O único que podia dizer “eu fiz” era meu avô, um visionário.

Como garantir inovação na empresa? 
Quando tinha seis anos, meu pai nos levava para andar numa Ferrari 330 CTC, eu e meu irmão, e, parando em frente à Basilica de Superga (nos arredores de Turim, Itália), dava-nos lições de design. Esse é o DNA. Meu avô enviou meu pai para se formar em engenharia na Inglaterra. Meu pai fez o mesmo. Eu e meu irmão tivemos essa base técnica, que viabiliza os projetos. De vez em quando um objeto criado por nós acaba no MoMA. Mas meu avô não pensava em estar no MoMA. Com o X-Italia, ele queria fazer mil carros por ano, queria fazer produção em série. E, como era uma obra-prima, uma escultura em movimento, acabou no MoMA.

Como funcionam os projetos de transportes sustentáveis?
Concentramo-nos em projeto e protótipo. No Autolib, que é o maior projeto de mobilidade elétrica coletiva do mundo, colaboramos com a Bollore. Serão 4.000 automóveis produzidos pelo nosso pessoal até o fim de 2013.

Europeus e americanos devem temer o avanço da indústria automobilística na China?
Hoje são vendidos na China 9 milhões de carros ao ano. Nos próximos anos, a demanda será de 20 milhões. Eles devem crescer para a demanda interna. Fazemos projetos com a China há 15 anos e vejo o país como oportunidade e não como ameaça.

Como vê o futuro da indústria na Itália?
A Itália sempre foi definida um país de artistas, mas também de engenheiros. Hoje, o turismo e a enogastronomia são promovidos. Mas não podemos pensar apenas em hotéis. Não há a mínima percepção do que é a evolução do mundo em termos de pesquisa e inovação. É um desastre. A Itália se arrisca a daqui a dez anos ter uma indústria automobilística superada.

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