Não apenas 20 anos separam as duas fornadas de móveis criados por Ruy Ohtake que fazem parte da singela exposição “Imprevisibilidades, Desenho e Mobiliário”, em cartaz até 6 de setembro no Instituto Tomie Ohtake, também desenhado por ele.
No conjunto, é possível ver nos objetos uma passagem dos planos às linhas.
Na safra mais antiga, de 1995, predominam as chapas ou fitas de aço mais largas, encurvadas ou dobradas –como as que compõem a simpática “Namoradeira”, a convidativa poltrona “Triângulo”, a sintética banqueta “Onda”, a mesa redonda “Origami” e o aparador “Filipelli”.
Nos projetos recentes, de 2015, sobretudo nas cadeiras “Uma Volta” e “Duas Voltas”, é visível um desenho mais autônomo em relação à arquitetura, com formas mais leves e menos apoios.
É como se as peças mais novas tivessem liberdade para circular em diversos tipos de espaço, de forma independente, como protagonistas.
Ohtake, um dos arquitetos mais importantes em atividade no país, por muito tempo criou mobília especificamente para as casas de sua autoria, sem demanda de mercado, mas como detalhamento ou complemento da sua concepção espacial da moradia.