Políticas ecológicas

Por causa do fórum internacional de urbanismo, me lembrei de um artigo da “Monocle” edição de julho e agosto. Como a revista é de restrita circulação, acho que ainda vale comentar.

Em sua 25 edição, a “Monocle” traz uma lista das top 25 cidades em qualidade de vida de 2009. É o terceiro ano que a revista faz a pequisa, usando critérios como transporte público, educação, ofertas culturais, taxa de criminalidade, horas de insolação e uma avaliação das opções e conexões de vôos internacionais.

Na reportagem de capa das 25 melhores cidades para se viver em 2009 os editores avisam que acrescentaram fatores como planos de melhorias urbanas em curso, facilidade de abertura de novos negócios e um índice de número de lojas internacionais. Segundo a reportagem, a mudança foi incentivada por que os editores receberam muitas mensagens de leitores da revista que estavam se mudando nâo apenas de emprego ou de profissão, mas de cidade e de modo de vida, como resultado direto ou indireto da crise financeira internacional.

A campeã das cidades segundo os critérios deste ano é Zurique, devido aos seus planos urbanísticos. Na sequência, Copenhagem, Tóquio, Munique, Helsinque, Estocolmo, Viena, Paris, Melbourne, Berlim, Honolulu, Madri, Sydnei, Vancouver, Barcelona, Fukuoka, Oslo, Singapura, Montreal, Auckland, Amsterdã, Kioto, Hamburgo, Genebra e Lisboa.

A “Monocle” é conhecida também pelos seus advertorials, ou informerciais, como se dizia por aqui. Ou seja, há muita pauta é motivada por

anúncio, o que mostra falta de independência editorial. No blog da agência de publicidade Raemp há uma lista de 10 exemplos de “cooperação” entre a área editorial e a área de publicidade.

Feita esta ressalva sobre o veículo, publico aqui o que achei mais interessante e que imagino não sujeito aos interesses de anunciantes a ponto de comprometer a informação: dados sobre preocupação ambiental, políticas de transporte, controle e poluição e lixo.

Em Zurique, segundo a reportagem, o lixo doméstico caiu 40% desde que os moradores tiveram de pagar por saco de lixo produzido. 51% do lixo é reciclado. A estação de transportes central da cidade deverá receber 40% passageiros a mais em 2015.

Em Copenhagem, mais de 35% dos moradores usa bicicleta para ir trabalhar ou estudar. Um novo anel de metrô deve estar pronto em 2018.

Em Tóquio, desde outubro de 2007 os ônibus municipais usam 5% de biodiesel na composição de seus combustível. Até 2016, o plano municipal é construir mais um quilômetro quadrado de área verde e plantar um milhão de árvores nas ruas.

Em Munique, há 1, 2 mil kilômetros de ciclovias. O aluguel de bicicletas custa 8 centavos por minuto, 9 euros por dia ou 36 euros por mês.

Em Estocolmo, que será a capital verde da Europa em 2010, cerca de 85% da população vive a menos de 300 metros de uma área verde. O plano é ter instalados 100 pontos de recarga de energia para veículos elétricos até o ano que vem. O ano de 2008 registrou aumento de 28% no número de usuários de bike em relação a 2007.

Em Paris, até 2014, 200 mil metros quadrados de painéis solares devem ser instalados.

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Brasil Arquitetura expõe em Tóquio projetos de centros culturais e mobiliário

“Buscamos uma arquitetura criada a partir de profunda conexão com as bases culturais de cada lugar e protagonistas. E nem por isso podemos dizer que, ao abordar estes aspectos, ela seja regional. Não! Uma vez que as bases culturais de qualquer sociedade ou povo sejam as dimensões humanas de relacionamento e comunicação, a arquitetura será sempre universal. Universais são questões como convivência, busca de tolerância entre diferentes, busca de conforto e desenvolvimento criativo das técnicas, dos modos de viver e habitar o mundo.”

O texto, de Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci, foi transformado na mandala gráfica com caracteres japoneses que você vê na foto acima e que está aplicado na parede do Tokyo Art Museum, no Japão.

Ele explica o partido do escritório Brasil Arquitetura, fundado em 1979, comandado pelos dois arquitetos e tema da exposição “Genetics of Brazilian Architecture – Encounter and Renaissence”, que fica até dia 28 de dezembro no museu japonês, criado por Tadao Ando.

No centro da Mandala, uma miniatura da cadeirinha Girafa, produzida pela Marcenaria Baraúna.

A mostra traz fotos e objetos e se organiza em módulos.

“Arquitetura de mobiliário” traz peças da Marcenaria Baraúna, que desde 1986 produz os móveis desenhados pelos arquitetos.

“Na Baraúna, projetamos móveis “de arquiteto”, se é que se pode dizer assim. Os raciocínios, os conceitos, o modo de abordar cada questão são os mesmos adotados nos projetos de edificação ou de urbanismo. A lógica da estrutura, do equilíbrio, do comportamento e da resistência dos materiais, do conforto, da economia de meios e insumos, da essencialidade, tudo nos leva à explicitação do sistema construtivo.

Móveis sem “bagaços”, sem sobras, que seguem a lógica das máquinas e ferramentas e só sobrevivem se têm um bom funcionamento, se atendem ao seu fim. Móveis que precisam durar, que têm de ser econômicos e belos ao explicitar com precisão seus propósitos, ao responder às necessidades e anseios de seu tempo.”, diz o texto que acompanha a mostra.

Os três projetos arquitetônicos selecionados tratam de espaços culturais e museológicos que partiram de construções já existentes. o Museu Rodin, em Salvador (BA), o KKKK, de Registro (SP), e o Museu do Pão, no moinho Colognese de Ilópolis (RS).

O Museu Rodin, projeto de 2004 para abrigar a primeira filial da instituição fora da França, se instalou num prédio de arquitetura eclética do início do século 19 (1912). O Palacete Comendador Catharino recebeu novo bloco de concreto e vidro para suas exposições temporárias.

Com forte apelo simbólico, os projetos do KKKK e do Museu do Pão são exemplares na reocupação de espaços que protagonizaram o contexto histórico que agora  retomam.

O conjunto KKKK de Registro, São Paulo, é projeto de 1996. A recuperação partiu dos edifícios de tijolo aparente erguidos em 1924 para abrigar operações comerciais, administrativas e industriais da Companhia Ultramarinha de Desenvolvimento KKKK (Kaigai, Kogyo, Kabushiki, Kaisha).

A empresa foi responsável pela introdução de 450 famílias japonesas na colônia de Registro e se ocupou da organização do plantio do arroz, de seu beneficiamento e do transporte.

O projeto da Brasil Arquitetura implantou no conjunto o Memorial da Imigração Japonesa do Vale do Ribeira, onde está um acervo de obras de artistas plásticos de origem japonesa radicados no Brasil além de objetos industriais e documentos cedidos pelas famílias descendentes dos colonos.

O Museu do Pão, projeto de 2005 inaugurado este ano, se instalou num moinho de farinha, erguido com a técnica trazida pelo imigrante italiano e o material local -madeira da araucária. Além da reocupação do espaço como moinho de milho, ali foram criados o Museu do Pão e uma escola para padeiros.