Estande do Brasil em Xangai

Realizado numa área de 2 mil metros quadrados na estrutura de estande-padrão reservada aos países que preferiram não erguer pavilhão próprio na Feira de Xangai, o espaço do Brasil foi projetado pelo escritório Fernando Brandão Arquitetura + Design.
O projeto venceu um concurso fechado feito pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.

Só dez escritórios enviaram propostas, entre os 65 associados que aderiram a um convênio de cooperação. Os finalistas tiveram dez dias para fazer o projeto. O fato de o concurso ter sido fechado e conduzido apenas pela AsBEA e pela APEx foi motivo de crítica por parte de grupos de arquitetos em fóruns, listas na internet e reportagens em revistas de arquitetura brasileiras.
O que ficou patente é que não houve investimento na ideia de um pavilhão representativo da arquitetuta brasileira, como já aconteceu em 1970, com o projeto para o Pavilhão de Osaka, de Paulo Mendes da Rocha, e em 1992 com o concurso para o pavilhão de Sevilha, vencido pelo projeto de Alvaro Puntoni, José Oswaldo Vilela e Angelo Bucci, que acabou não sendo construído, e a representação brasileira dividiu espaço com outros países. Abaixo, projeto do pavilhão de Sevilha.

Sem falar no célebre espaço do Brasil na feira de Nova York, em 1939, de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, marco fundamental para o reconhecimento internacional da arquitetura moderna brasileira.

Não vi pessoalmente, mas pela fotos disponíveis no site oficial o estande brasileiro parece muito chinfrim. A fachada é feita de tiras de madeira pintada de verde apoiadas sobre estrutura metálica. Uma visitante comentou que a impressão é que a trama é muito vazada e a aparência é de falta de acabamento. O tema do pavilhão é “Cidades Pulsantes”. O logotipo na fachada é a palavra Brasil entre parêntesis invertidos. Segundo o site oficial, simboliza algo vibrando e pulsando, conforme a linguagem dos desenhos animados. Forçou.

Anúncios

Xangai 2010

A Feira Mundial de Xangai, aberta ontem, 1 de maio, deve receber 70 milhões de visitantes nos seus pavilhões e estandes nos próximos seis meses. Numa área de 5,8 km quadrados, estão cerca de 200 representações de países. O tema é “Cidade Melhor, Vida Melhor”. A preparação do espaço e os investimentos em infraestrutura consumiram U$ 4,2 bi, segundo a Associated Press.

As feiras deste tipo são uma espécie de competição aberta internacional de projetos de arquitetura, iluminação, novos usos de materiais, projetos cenográficos, recursos multimídia, conceitos novos.

Segue aqui a minha seleção de projetos interessantes.

Desenhado pelo escritório catalão EMBT Miralles- Tagliabue, o espaço da Espanha tem 7 mil metros quadrados e o tema Construções Habitáveis. A fachada é recoberta por uma trama inspirada em cestaria e o prédio usa materiais leves como bambu e papel para proporcionar transparência da estrutura.

O projeto do pavilhão canadense se apoia nos valores de inclusão, sustentabilidade e criatividade. O escritório Saia, Barbarese & Tapouzanov foi o responsável pelo projeto. O pavilhão se dispõe numa curva que cria uma espécie de praça. A fachada é composta de 4 mil metros de madeira certificada pelo Canadá e pela China. Todo o material pode ser usado depois da desmontagem da feira. Um painel verde de 15 x 40 metros funciona como filtro de ar.

Um dos atrativos do pavilhão da Suíça é o grande jardim na área superior, que pode ser visto a bordo do sistema de cabines móveis tradicionalmente usado nas estações de esqui.

Outro destaque é a fachada no pavilhão, com discos de resina com LEDs apoiados sobre uma rede metálica. O prédio tem 4 mil metros quadrados e é obra dos escritórios Buchner Brundler e Element GmbH, vencedores de concurso realizado em 2006. “Cidade e Campo” é o título do projeto.

O pavilhão do Reino Unido, do designer Thomas Heatherwick, tem dois elementos principais: uma espécie de cubo mais arredondado, formado de filetes de fibra, com 60 mil sementes de espécies do mundo todo, chamado de catedral das sementes, e uma estrutura planificada que é inspirada no formato de uma folha de papel que teria servido de embalagem ao cubo.

O pavilhão francês, de Jacuqes Ferrier, resultado de concurso internacional com 47 escritórios, com fachadas e cobertura verde:O pavilhão italiano, de GianPaolo Inbrighi

O pavilhão norueguês, de Helen & Hard, de Stavanger

Vencedor de um concurso público para o pavilhão da Dinamarca em 2008, o escritório dinamarquês BIG colocou no projeto as principais atrações de Copenhage.

O uso de bicicletas, como meio para cidades mais humanas e ecológicas, o convivio em áreas verdes, e o porto – com água do mar, uma escultura de sereia e as visuais do skyline, foram os símbolos usados. O prédio poderá ser reutilizado após o final da feira e as bicicletas serão doadas para a cidade. Abaixo, o vídeo que explica a gênese da ideia.