Solo de Natalie Merchant decepciona

MARA GAMA
EDITORA-ADJUNTA DA ILUSTRADA

“Está tudo cinza” na música de Natalie Merchant, a ex-vocalista, letrista e líder do 10.000 Maniacs. Esse é um verso de “I May Know The Word”, música que integra o disco solo da cantora, e traduz a sensação que se tem ao ouvi-lo.

“Tigerlily”, com lançamento previsto para agosto no Brasil, vai dividir os fãs de Merchant.

Para alguns, vai confirmar o talento da cantora, a sensibilidade da autora. Para outros, que devem ser maioria, o disco vai dar saudades dos outros 9.999 maníacos, encarnados por quatro sujeitos da velha banda, com quem Merchant gravou seis álbuns.

Aguardado desde a dissolução dos 10.000 Maniacs, o disco de Merchant não tem a força do “10.000 Maniacs MTV Unplugged”, gravado no começo de 1993 nos Estados Unidos e lançado no Brasil em janeiro de 1994.

O “Unplugged” vendeu 25.400 cópias por aqui. Por causa dele, muita gente descobriu os Maniacs, que já estavam desfazendo o grupo. É uma das razões da expectativa em relação ao disco solo de Natalie Merchant.

O novo disco também não se compara ao genial “Our Time in Eden”, de 1992. São desse último os sucessos “These are The Days”, “Noah’s Dove”, “Stockton Gala Days” e “Candy Everybody Wants”, que ganharam versão acústica no seguinte.

Apontado pela “Time” como o melhor disco da banda, “Our Time in Eden” vendeu só 4.200 cópias no Brasil. Por ironia do destino, o crítico da revista norte-americana previa, em 1992, vida longa ao grupo, que considerava de difícil classificação, mas de competência notável.

Folk careta

No novo disco, Merchant optou por uma banda de acompanhamento -com baixo, guitarra e bateria- e esqueceu-se da música. Do mix entre folk e rock que era a fórmula básica para o 10.000 Maniacs, não sobrou rock nenhum e um folk meio careta demais.

Para dar mais força às suas letras, deixou de lado a melodia. Até aí, tudo bem. Como cantora, é normal que queira explorar sua voz sem “concorrência”. O problema é que como letrista Merchant não está em boa fase.

Em versos e entonação, ela está mais triste, mais séria, mais discursiva e solene. O pior exemplo é “River”, homenagem ao ator River Phoenix, morto aos 23, de overdose, quando saía de um clube em Hollywood, em 1993.

O “single” “Carnival” dá até para dançar, mas não se compara aos hits antigos. “Beloved Wife” e “Seven Years” são escritas para chorar. As únicas músicas que convidam à diversão são as baladinhas “Where I Go” e “Cowboy Romance”.

Disco: Tigerlily
Cantora: Natalie Merchant
Lançamento: Warner
Preço: R$ 25 (o CD importado, em média)

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