Mostra projeta cidade surreal

MARA GAMA
EDITORA-ADJUNTA DA ILUSTRADA

Exposição: Arquitetura e Humor
Onde: Museu da Casa Brasileira (av. Faria Lima, 774, tel. 011/842-0077)}
Quando: de hoje a 11 de fevereiro de 1996
Horário: de terça a domingo, das 13h às 18h
Abertura: hoje, às 19h
Quanto: grátis

Soluções realistas para uma cidade surreal. Assim os arquitetos e cineastas paulistanos Isay Weinfeld e Marcio Kogan definem sua mais recente provocação: 14 projetos, apresentados em maquetes bem-acabadas e textos, para a cidade de São Paulo, que tem “vocação para ser a pior metrópole do mundo”, segundo Kogan.

Organizadas na exposição “Arquitetura e Humor”, as maquetes apresentam soluções sarcasticamente exageradas. Levam às últimas consequências todos os tipos de incivilidade, consumismo e desperdício que estão presentes em projetos “sérios” e na falta de projetos sérios para a cidade.

O projeto mais antigo da exposição é o “Escargots à Bourguignonne”. Trata-se de um conjunto residencial popular, construído às margens de uma via expressa, que segue “tendência do mercado imobiliário local” de ter a grife de um costureiro francês. A diferença é que o personagem convidado para participar do projeto foi o chef Paul Bocuse e, por isso, as unidades habitacionais são escargots.

“A idéia dos escargots vem do tempo da faculdade”, conta Weinfeld. “Sempre tivemos projetos malucos. Sempre quisemos nos comunicar usando a arquitetura”, diz Kogan. Weinfeld e Kogan se formaram em arquitetura pelo Mackenzie há 20 anos.

A decisão de dar forma a essas “piadas” urbanísticas veio há dois anos. Indignados com o que chamam de “febre de reurbanização do Tietê”, Weinfeld e Kogan criaram montagens fotográficas para ilustrar quatro projetos, que agora viraram maquetes.

“Esteiras Rolantes”, “Bâteau -Mouches Blindados”, “Esgotão” (tubulação com navegação interna) e “Via Expressa” (vias de alta velocidade numa laje sobre o rio), foram desenvolvidas para questionar a “festejada” limpeza do Tietê.

“Nessa época, a gente propunha a seguinte pergunta: o que você vai ver quando navegar pelas límpidas águas do Tietê? Queríamos mostrar o cinismo dessas soluções. O que adianta limpar o rio, se continua todo o caos da cidade?”, pergunta Weinfeld.

Somando a essas idéias propostas mais recentes -como a dupla “Casa de Detenção” e “Detenção em Casa”- Kogan e Weinfeld encarregaram o maquetista Kenji do produto final.

A mostra deve dar visibilidade às idéias bem-humoradas que a dupla já colocou em prática em cenários para teatro, curta-metragens, o longa “Fogo e Paixão” (1988) e um roteiro selecionado no festival de Roterdã em 1994.

Em um edifício comercial de 14 andares, recém-construído nos Jardins, Weinfeld e Kogan substituem piadas por “surpresas formais”: “Nos projetos de verdade, aliamos o rigor formal a soluções inusitadas”, diz Weinfeld.

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