A gráfica da música nos cartazes de Kiko Farkas

“Ritmo, harmonia, composição, conjunto, pausa, som, textura, direção, dinâmica, melodia, ordem, desordem”. Com estes elementos, segundo o autor, Kiko Farkas, durante quatro anos, de 2003 a 2007, a equipe chefiada por ele criou 300 cartazes para os concertos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – Osesp, período em que Farkas foi o responsável por toda a comunicação visual da orquestra.

Uma coletânea de 110 destes cartazes foi reunida em livro bem editado, acompanhada por textos do próprio Farkas, do crítico musical e músico Arthur Nestrovski e dos designers e professores João de Souza Leite e Paula Scher.

Uma seleção da seleção -cerca de 50 cartazes- vai ser exposta a partir de terça, 9 de março, no Centro Universitário Maria Antônia – CEUMA, no novo edifício Joaquim Nabuco (r. Maria Antonia, 258, Vila Buarque, SP) e fica por lá até 11 de abril. Na abertura será lançado o livro, que tem edição bilíngue e preço sugerido pela editora de R$ 49. Neste post, você vê a minha seleção de cartazes, em imagens cedidas pela editora Cosac Naify.

Segundo Farkas, a produção era de seis cartazes por mês, em média. “Alguns foram feitos em menos de uma hora, outros levaram dias”, escreve, no livro.

“Quando comecei a pensar em como enfrentaria esse enorme desafio, a primeira coisa que decidi foi que não usaria nenhum elemento normalmente associado à música de concerto. Imagens de compositores, instrumentos, teatros ou cidades, notações musicais como pauta, notas e outros símbolos. Nossa proposta foi trabalhar com os elementos que estão presentes na linguagem musical, mas que podem ser reinterpretadas visualmente”. Integraram a equipe de Farkas os designers Elisa von Randow, Hugo Timm e Mateus valadares.

Além das características plásticas e poéticas de cada imagem e da interessante leitura das famílias de cartazes, o livro vale também pelos textos, principalmente para quem gosta de ou estuda design gráfico.

Didático e analítico, o texto do professor João de Souza Leite individuou dez procedimentos formais utilizados nos cartazes. Para Leite, a tipografia “é protagonista” na produção de cartazes de Farkas. Formado pela ESDI e atualmente professor da instituição e da PUC do Rio, Leite foi assistente de Aloisio Magalhães, consultor da Casa da Moeda e do Iphan, curador e autor de várias publicações.

Na elogiosa apresentação, Paula Scher diz que gostaria de ter feito os cartazes. E afirma que o conjunto demonstra a vitalidade persistente da forma (cartaz). Entre as qualidades que compõem um “cartaz irresistível”, Paula cita: escala, complexidade, padrão, perspicácia, exuberância, tensão, força, lirismo, contenção e surpresa. A designer cita também a precisão tipográfica recorrente nos cartazes de Farkas.

Paula Scher entende do assunto. Professora, sócia do estúdio Pentagram, integrante de várias associações de designers profissionais nos Estados Unidos, ela começou a carreira com capas de discos para a CBS, trabalhou com identidade corporativa, material de promoção e embalagens para grandes empresas entre as quais Coca Cola e Bloomberg, e com comunicação institucional para museus de música, óperas, companhias de balé, teatro e orquestras. Criou a identidade visual do Public Theater de Nova York (um vídeo com imagens da indentidade visual do Public Teather você vê abaixo).

Uma crítica à edição: o livro não traz as datas dos cartazes. Informação fundamental para estudantes e historiadores.

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