Trama Afetiva recicla retalhos e ideias de criação de moda

Novos usos para panos, ideias e práticas. Ao mesmo tempo em que recicla retalhos, o projeto Trama Afetiva quer provocar reflexão e mudanças no modo de pensar e de produzir dos novos profissionais da moda. Processos colaborativos, que respeitam quem faz e para quem se faz, e levam em conta o meio ambiente e a preservação de recursos são diretrizes.

Os primeiros resultados materiais dessa iniciativa podem ser vistos na coleção de peças Casca, com produtos que ficam expostos até domingo em São Paulo.

O Trama Afetiva se dirige a jovens profissionais, estudantes e recém-formados. Nessa primeira edição, foi feita uma seleção de dez nomes mais de 340 portfólios inscritos. Três deles receberam ajuda de custo para participar e sete participaram como ouvintes.

Durante dois meses, o grupo teve palestras de Alexandre Herchcovitch, Marcelo Rosenbaum e Patricia Centurion, que se tornaram orientadores da experiência, e conheceu o trabalho do grupo de costureiras do Cardume de Mães, que atua no Taboão da Serra. Para por em prática o que planejaram e discutiram, os participantes usaram mais de 50 kg de retalhos de jeans e malharia doados pela Cia Hering.

Após a construção das peças, a cargo do Cardume de Mães, os participantes decidiram que a coleção Casca não deve ser serializada. “Estamos analisando de que forma podem ser produzidas, mas sabemos que elas têm de ser feitas sob encomenda, em ateliês, para manter a abordagem manual e humana que tivemos”, conta Jackson Araújo, diretor criativo do projeto.

“O Trama Afetiva não vem resolver o problema do resíduo na indústria têxtil. Mas lança a luz do design sobre o tema”, diz Amélia Malheiros, gestora da Fundação Hermann Hering, que viabiliza o projeto e mantém também o Museu Hering, de preservação do patrimônio industrial e da história da indústria têxtil no Vale do Itajaí e em Blumenau.

Além de complementar o processo educativo dos participantes, o Trama pode fazer com que a destinação de resíduos seja repensada na cadeia produtiva da moda. “É um projeto que pretendemos ampliar, formando profissionais para trabalhar na indústria com nova mentalidade”, complementa.

“Cada vez mais, o consumidor quer saber como foram feitos os produtos que consome”, diz Malheiros. Daí a necessidade de levar para dentro do circuito da moda processos social e ambientalmente responsáveis.

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