Viagem ao início da gráfica paulistana

São Paulo era ainda uma província, em 1827, quando a primeira gráfica local conseguiu obter licença para imprimir fora do Rio de Janeiro. No Rio, então sede do Primeiro Reinado, as publicações passaram a ser autorizadas a partir de 1808, com a criação da Imprensa Régia, para imprimir a legislação e os papéis diplomáticos provenientes das repartições reais e outras obras, após a instalação da Corte Portuguesa no país.

O “Farol Paulistano”, primeiro periódico publicado em São Paulo, é um dos destaques da mostra “Tipografia Paulistana”, que conta os 100 primeiros anos da atividade na cidade e abre nesta quinta, dia 8, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Universidade de São Paulo.

Jornal de política editado pelo advogado baiano José da Costa Carvalho, que depois seria denominado Marquês de Monte Alegre, o “Farol” era impresso na gráfica que pode ser identificada pelos documentos existentes como ‘Tipografia Paulistana’, ‘Imprensa de Roa e C.’ e ‘Typographia de Roa e C.a’. Em março de 1835, foi adquirida pelo governo da província de São Paulo e passou a ser conhecida como ‘Typographia do Governo’.

Com documentos oficiais, informações sobre comércio e anúncios, o “Farol” era lido também em Minas Gerais e no Rio de Janeiro e teve papel importante no debate político durante a crise do Primeiro Reinado até o início do Período Regencial no país.

Essa primeira tipografia da província também publicou os jornais “O Observador Constitucional” (1829-1832), “Correio Paulistano” (1831-1832) e “O Novo Farol Paulistano” (1831-1835). Todos os periódicos da casa tinham poucas variações de letras e usavam o formato “folha”, que consiste em uma lâmina de papel impressa e dobrada uma vez, o que resulta em uma publicação com 4 páginas de 21cm x 31cm.

A mostra conta a história das oficinas e publicações através de uma linha do tempo, originais do acervo da Brasiliana e de algumas outras coleções de impressos compostos em tipos móveis, processo anterior à chegada das linotipos.

É possível ver a distribuição cronológica das mais de 370 oficinas tipográficas atuantes no período, como Jorge Seckler, Viúva Sobral, Pocai, e de empresas como a Typographia Imparcial de Marques & Irmão, a Typographia d’O Farol Paulistano e a Typographia Hennies Irmãos. A partir de 1850, o número de oficinas tipográficas aumenta, puxado pela publicação de outros tipos de periódicos e almanaques. Nos anos seguintes, as oficinas passam a se transformar também em casas editoriais, com a publicação de livros.

“A exposição não tem o objetivo apenas de recuperar o passado, mas também mostrar o que se faz hoje com essa tecnologia. Por isso, temos uma parte dos equipamentos da Oficina Tipográfica São Paulo”, conta Priscila Lena Farias, coordenadora do projeto e uma das curadoras da mostra. Entre os equipamentos, então gavetas de tipos de metal e de madeira, componedores, tintas, utensílios da produção dos impressos, além catálogos de ornamentos e tipos.  

É a primeira vez que o material selecionado é exposto neste recorte temporal, o mesmo usado na plataforma Tipografia Paulistana, que começou a ser organizada em 2011.

A plataforma é um repositório de imagens e trabalhos de vários estudiosos da tipografia. Um dos eixos de pesquisa é a recuperação de tipos presentes nas publicações antigas e, através de fotografia ou escaneamento em alta resolução, a recomposição digital de famílias tipográficas que os impressores usavam e que foram perdidas.

Exposição de 8 de agosto a 9 de outubro

De segunda a sexta das 8h30 às 18h30.

Entrada gratuita.

Local: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin

Rua da Biblioteca, 21 – Cidade Universitária, São Paulo

Sala Multiuso, Subsolo

www.bbm.usp.br

Deixe um comentário