Lixo: Segundo turno das madeiras

Em vez de chutar ou descartar, reusar. Cavaletes de propaganda eleitoral de São Paulo foram transformados em cinco objetos –entre eles o Cabideiro Ficha-Limpa, “feito para político corrupto pendurar a chuteira”, e a Mesinha da Democracia, onde “todos os bibelôs têm direitos iguais”. A proposta é do Mobiliário Político, uma iniciativa que pretende discutir os danos desse tipo de propaganda e quer transformá-las em “algo legal para a população”, de acordo com o seu slogan.

As cavaletes com caras de candidatos atrapalharam os pedestres durante toda a campanha, impediram a visão da sinalização de trânsito e dos próprios carros e travaram os passeios públicos. Além do estorvo para a mobilidade, geraram centenas de toneladas de lixo. No primeiro turno, foram aproximadamente 45 toneladas em Porto Alegre, 50 toneladas em Brasília, 140 toneladas em Belo Horizonte, 250 toneladas em São Paulo e 350 toneladas no Rio, segundo dados de jornais compilados pela ONG Mobilize, que idealizou o projeto Mobiliário Político.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/maragama/2014/10/1541107-lixo-segundo-turno-das-madeiras.shtml

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Propaganda eleitoral à italiana

A propaganda eleitoral tem locais reservados nas ruas de Turim, os cartazes têm tamanho padrão e as campanhas parecem não poluir a cidade. Numa via paralela ao Parco del Valentino, cartazes de vários candidatos são colados lado a lado. A disciplina nas campanhas é de invejar. Já os cartazes não são lá inovadores. No país que inventou as figuinhas Pannini, tá fraco.

Quase todos repetem a fórmula de reproduzir o selo da cédula e cravar um x. Não é por acaso. Com as eleições políticas junto com as administrativas, em algumas cidades, como a capital, Roma, o eleitor tem de preencher seis cédulas. Além do que, com as várias alianças, fica mais difícil guardar quem apóia quem. Com tanta variável, melhor fixar a mensagem.

Os jornais italianos desta segunda frisam nas manchetes queda na presença na votação geral – 62,5% votaram no primeiro dia, contra 66,5% no primeiro dia nas eleições de 2006. Berlusconi, o “advogado”, que já esteve no governo e agora é cadidato pela coalizão do partido Povo da Liberdade com a Liga do Norte, era favorito, segundo analistas.

Um dos cartazes de apoio ao candidato Veltroni, ex-prefeito de Roma, da coligação do Partido Democrático com Itália dos Valores, é mais moderno e, assim como a campanha, quer atualizar a imagem da esquerda. Estampa a cara do candidato que propõe um governo de ação, com o lema “É possivel fazer”, e também o ministério mais “rosa” que a Itália já teve, o que quer dizer: com muitas mulheres no poder. Mais uma inspiração Zapaterista.

O campeão de mau gosto é o cartaz da Liga Norte, uma das forças de direita que apóia Berlusconi. Mais preocupado em, digamos, “firmar o conceito”, que em pedir votos para  candidatos, o cartaz é o mais terrível e o mais forte na comunicação. Dá para não entender a mensagem contra os imigrantes? “Eles sofreram imigração e agora vivem em reservas. Pense nisso…”