Roberto Sambonet é tema de mostra no Ano do Design em Turim

“Roberto Sambonet – designer gráfico e artista” é um dos destaques do projeto “Turim 2008, capital mundial do design”.

Durante o ano inteiro debates, publicações, conferências, intervenções urbanas e mostras têm como objetivo “sensibilizar o público” para a compreensão do design como conjunto de instrumentos e metodologias para melhorar a vida material, incluindo aí projetos de largo espectro, iniciativas públicas, educação, planejamento econômico e urbano.

A mostra sobre Sambonet começou no último dia 8 e fica até 6 de julho no Palazzo Madama, centro de Turim.

Artista polivalente

A escolha do artista polivalente se casa com o intuito de exemplificar a abrangência do design.  Na foto abaixo, o artista e alguns dos utensílios projetados por ele e produzidos pela Sambonet nos anos 1970.

Na obra de Sambonet, os vários suportes demonstram e reiteram a importância da base do desenho, instrumento de observação, documentação e estudo do que já existe e ao mesmo tempo trabalho manual e projetual para a criação de novas formas. Abaixo, uma de suas panelas “peixeiras”, com presilhas de encaixe nas pontas.

Designer de objetos e publicações, artista gráfico, pintor e quase arquiteto (interrompeu os estudos em Milão, durante a Segunda Guerra), Sambonet (1924, Vercelli -1995, Milão)  viajou o mundo resgitrando imagens e observações sobre diversas culturas e suas manifestações em seus cadernos de desenhos. Recolheu também artesanato, objetos, conchas, pedras como cientista em pesquisa de campo. China, Tailândia, Índia, México e Peru são presentes em sua obra.

Experiência no Brasil

Viveu no Brasil de 1948 a 1953, foi muito próximo de Lina e Pietro Maria Bardi na época da fundação do Masp, onde também deu aulas de artes gráficas e estamparia no extinto Estúdio de Arte Contemporânea.

Nesta época participou ativamente desenhando roupas e o cartaz do Primeiro Desfile de Moda de São Paulo, projeto que contou com a colaboração de diversos artistas plásticos e gráficos e a concepção de Lina Bo Bardi.

A mostra de Turim traz fotos de algumas roupas desenhadas por ele e que chegaram a ser feitas, o programa do desfile com a explicação para o uso das roupas em cada ocasião e também desenhos de sapatos e óculos que nunca foram produzidos.

Publicou em Milão, entre os anos 1960 e 1970, o livro “Juqueri, Esperienza Psichiatrica di un Artista” ou “Della Pazzia” (Da Loucura), com a série notável e desconcertante de desenhos que fez tendo como tema os pacientes do manicômico do Juqueri, em São paulo, local que frequentou por uma temporada, ainda nos anos 1950, com a permissão de um amigo psiquiatra para observar os internos.

Nos anos 1980, viajou pela Amazônia, produzindo aquarelas sobre a natureza , artesanato e formas de construção regionais de palha e vime.

Nos textos de apresentação e nas legendas de objetos e fotos, a curadoria da mostra trata a passagem pelo Brasil como momento crucial para o trabalho do designer.

Gráfica, cenografia e objetos

De volta a Europa, nos anos 1950, o interesse pela moda prosseguiu e Sambonet fez projetos para a cadeia de lojas italianas La Rinascente, em vitrines,  pesquisa de objetos, cenografia, temas de coleções e projetos de comunicação.

Na mesma década, conheceu Alvaar Alto, que exerceu grande influência sobre seu trabalho. também nos anos 1950, Sambonet começou a projetar objetos para a empresa da família.

Além dos desenhos, aquarelas, cadernos de viagem com croquis, esboços e estudos sobre cores e paletas, a mostra conta com uma série significativa de cartazes, projetos gráficos para jornais, comunicação corporativa, capas de livros, logotipos, objetos para empresas – como o cubo de tênis para a Fiat (um cubo com o tamanho de uma bola de tênis).

Na parte dedicada aos objetos, há talheres, panelas e utensílios de cozinha e mesa em aço inox, vasos de vidro e embalagens sofisticadamente articuladas. Projetos para a empresa SpI, Sambonet Paderno Industria, que é uma das maiores empresas italianas na área de talheres e objetos de inox e que mantém em linha alguns de seus desenhos originais.

Sambonet conquistou duas vezes, em 1956 e em 1970, o “Compasso D’Oro”, prêmio internacional que foi durante muito tempo o mais significativo para a área.

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