Coopamare fica: abraço pela permanência da cooperativa em Pinheiros

No dia 4 de julho, sábado, a partir das 9h, haverá um ato em defesa da permanência da Coopamare, a mais antiga cooperativa de catadores de materiais recicláveis do país, no bairro de Pinheiros. O ato será no local que a cooperativa ocupa na rua Galeno de Almeida, 659, sob o Viaduto o Viaduto Paulo VI, zona Oeste de São Paulo.

Um abaixo-assinado pede pela permanência da cooperativa no local, preservando a manutenção do serviço ambiental local e os empregos dos catadores.

No dia 31 de março, a cooperativa recebeu uma notificação da Prefeitura de São Paulo para desocupar a área em que armazena, seleciona e comercializa papelão, latinhas, plásticos de vários tipos e vidros.

Não é a primeira vez que isso acontece. A justificativa sempre foi a da falta de segurança e risco de incêndio, por causa do material inflamável. 

Segundo Eduardo de Paula, diretor da Coopamare que coordena a organização do ato pela permanência da cooperativa no bairro, após o recebimento da notificação, os representantes da cooperativa contataram a subprefeitura de Pinheiros para pedir pela permanência e foram informados de que haveria mais 6 meses de tolerância contados a partir de 18 de março.

A Subprefeitura de Pinheiros disse ao G1 que ofereceu quatro áreas para a cooperativa, mas nenhuma delas foi aceita, e que a permissão do uso do espaço atual está cancelada desde 2023, por risco de incêndio. Afirmou que a área seria “requalificada para acomodar outras atividades sociais da região”.

De acordo com Eduardo, as alternativas oferecidas eram a pelo menos seis quilômetros de distância, em áreas sob viadutos ou pontes, algumas menores e mais baixas do que a atual. Um dos locais oferecidos um viaduto nas proximidades da avenida Berrini. Segundo Eduardo, o espaço atual da Coopamare seria cedido a um centro de formação, o que pode ser a tal “requalificação”.

Ora, se o problema é falta de segurança, por que enviar a cooperativa para outra área sob um viaduto, em vez de reformar o atual e manter a própria Coopamare no local? O argumento de falta de segurança parece não se sustentar se o plano é trocar de ocupante a área sob o viaduto. Faria mais sentido pensar em pressão da especulação imobiliária pela localização valorizada.  

Eduardo afirma também que as instalações atuais foram aprovadas pelos bombeiros em vistoria, mas que a prefeitura retirou os equipamentos de segurança que eles possuíam em abril de 2026, em um início de reforma.

Os cooperados querem permanecer no bairro, onde construíram uma rede.  A Coopamare é conhecida de várias gerações de paulistanos que circulam na região e recebe material dos moradores das vizinhanças. Está no mesmo local, que tem 675 metros quadrados, há mais de 37 anos. Lá chegam recicláveis dos bairros de Sumaré, Jardim das Bandeiras, Lapa, Pacaembu e das proximidades do Largo da Batata até a Barra Funda. É uma ampla zona de cobertura de onde são coletadas mais de 100 toneladas de recicláveis semanais para serem triados e prensados por 24 cooperados fixos.

A cooperativa tem dois pequenos caminhões para fazer coleta e entrega de materiais já separados. Recebe também material vendido por cerca de 50 catadores avulsos que trabalham com carroças.

Só tem uma prensa para fazer todo o trabalho. Parte do que é coletado vai para a indústria ou empresas específicas, principalmente latinhas, ferro, papelão e vidro, e parte para os recicladores intermediários. Esses intermediários têm mais espaço para acumular material e conseguir melhores preços com as indústrias compradoras. Entre os materiais entregues para eles estão sacolinhas, aparas e também PET.  

Além de prestar um serviço ambiental, a Coopamare é referência em vários estudos sobre inclusão social, mobilização urbana e sustentabilidade.

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